
Do Portal do Ethos
Fruto do sonho antigo do diretor científico, Cláudio Pádua, e da presidente, Suzana Pádua, fundadores do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), antes mesmo da criação desta organização socioambiental sem fins lucrativo, em 1992, a Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade (ESCAS) saiu do campo das idéias em 2005, quando eles conheceram Guilherme Leal, da Natura. "Eles queriam estruturar um curso diferenciado de pós-graduação e o próprio IPÊ foi a semente para que as idéias dessem certo. Com Guilherme Leal eles compartilharam este sonho, que foi prontamente recebido. Ganhamos um parceiro, que apostou na idéia e tornou o sonho realidade", conta Cristiana Saddy Martins, coordenadora de pós-graduação da Escas.
O município de Nazaré Paulista (SP), há cerca de uma hora da capital do Estado, abrigará o futuro campus da universidade, concebido desde seu projeto com a intenção de promover a reflexão sobre a arquitetura sustentável, integrada ao meio ambiente. Cristiana conta que a Natura, financiadora da obra, sugeriu um concurso de arquitetos para escolher o projeto. "Quem venceu foi Newton Massafumi Yamato, de São Paulo, com um projeto de um 'prédio verde' concebido de forma a tornar a construção não somente integrada ao ambiente - ela ficará ao lado de uma represa -, mas também com materiais certificados e tecnologias ambientalmente sustentáveis." A obra está em fase inicial de intervenções no terreno e a previsão é que seja concluída em dois anos.
Médica veterinária com mestrado e doutorado em Ecologia e 20 anos de atuação no IPÊ com manejo de espécies ameaçadas, Cristina conta que seu envolvimento pessoal na área é extenso. "O tema da sustentabilidade é novo na minha vida, mas está presente nos projetos que integro, pois focamos fortemente em participação comunitária e alternativas sustentáveis, principalmente em comunidades rurais."
Cristiana, que atualmente também coordena o programa de conservação do mico-leão-preto, defende a ESCAS como um projeto inovador por incentivar a dinâmica da educação no Brasil, trazendo já em seu primeiro curso, o Mestrado Profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável (Ecologia). "Este curso foi pensado para instrumentalizar os alunos na resolução de problemas práticos, mas sabendo consultar a área científica. A maioria dos cursos de conservação tem enfoque somente acadêmico. E a maioria dos cursos de sustentabilidade não reúne o aspecto de conservação. Além disso, ele é o primeiro mestrado profissional de Ecologia."
Curso de pós-graduação stricto-sensu, ele tem duração mínima de 18 e máxima de 24 meses e foi reconhecido e aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), fornecendo diploma de mestre. O mestrado foi homologado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE, pela Portaria Nº 1.999 - DOU 21/12/06 - Parecer 173/2006, de 20/12/2006). "Ele segue o pressuposto de capacitar os profissionais para uma prática transformadora, através da incorporação do método científico e da gestão e aplicação de conhecimentos adquiridos, contribuindo desta forma para uma melhor tomada de decisão no cotidiano profissional."
O corpo docente será formado por doutores, em sua maioria pesquisadores do IPÊ e alguns convidados, todos com atuação em pesquisas aplicadas nas áreas. Segundo Cristina, a intenção é atender às necessidades desses profissionais no mercado de trabalho. Por este motivo ele é destinado a profissionais de empresas, governo ou do terceiro setor que tenham que lidar com biodiversidade e sustentabilidade em suas atividades profissionais. Também é indicado para quem deseja aprofundar sua capacitação nas áreas do conhecimento socioambiental sem seguir uma carreira acadêmica, embora o curso também capacite para esta tarefa.
A coordenadora explica que essa ressalva é feita porque a maioria das pessoas ainda não está acostumada com o conceito de Mestrado Profissional (MP). Ela cita um trecho do texto "Mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado", do Diretor de Avaliação da CAPES, Renato Janine Ribeiro, sobre o conceito: "(.) o mestrado profissional se distingue do acadêmico porque este último prepara um pesquisador, que deverá continuar sua carreira com o doutorado, enquanto no MP o que se pretende é imergir um pós-graduando na pesquisa, fazer que ele a conheça bem, mas não necessariamente que ele depois continue a pesquisar. O que importa é que ele: 1º conheça por experiência própria o que é pesquisar, 2º saiba onde localizar, no futuro, a pesquisa que interesse a sua profissão, 3º aprenda como incluir a pesquisa existente e a futura no seu trabalho profissional... Aqui já está uma diferença importante entre o MP, que pertence à pós-graduação stricto sensu, avaliada pela Capes, e a pós-graduação lato sensu, ou especialização, que não passa pelos critérios rigorosos da Capes... Um dos sentidos da especialização é ser uma atualização de conhecimentos. Já o mestrado, de qualquer espécie que seja, exige que a pessoa pesquise - e é uma mudança que ela faz em sua vida, em sua relação com o conhecimento, como o que os antropólogos chamam uma passagem."
Os alunos deverão cursar um total de 44 créditos divididos entre cinco disciplinas obrigatórias ao longo do primeiro ano, quando terão, por contrato, que morar no Campus da Universidade, já que as atividades são desenvolvidas todos os dias da semana e exigem dedicação exclusiva. São oferecidas facilidades de alojamento e alimentação. Cristiana admite que esse é um dificultador, mas também o ponto diferencial do curso, que pretende imergir o aluno em leituras e aprendizado. "Cria uma atmosfera que não pode ser conseguida nos modelos em que o aluno tem aulas de duas a três horas diárias. É um mercado que estamos criando, em que as empresas e instituições enviam seus profissionais para um ano de estudos, e eles retornam com a bagagem necessária para resolver desafios internos."
Ao longo do segundo ano, os alunos completam sua formação com o trabalho de conclusão, que deve ter relação com um problema da vida real (possível de aplicar/replicar) e com os recursos oferecidos pelo curso. O trabalho final totaliza 12 créditos. "O objetivo é formar um profissional que, nos dias de hoje, ainda é raro no mercado brasileiro, seja capaz de criar e disseminar modelos inovadores de conservação da biodiversidade e de desenvolvimento sustentável. As empresas que investirem nesse tipo de formação para seus funcionários sairão na frente", defende Cristiana.
O curso estudará com os alunos a possibilidade de bolsa de estudos total e parcial. Existe também a possibilidade de concessão de crédito educativo sujeito a aprovação pelas entidades conveniadas. Na primeira turma serão três bolsas. "Estamos trabalhando para conseguir um número maior. Os alunos receberão as bolsas por classificação no processo seletivo. Quanto ao crédito educativo, estamos esperando as definições governamentais para podermos trabalhar neste sentido."
Para a primeira turma foram abertas dez vagas. As aulas terão início no dia 3 de março e acontecerão em um sítio no bairro do Moinho Nazaré Paulista, enquanto o campus é construído. Neste local, a estrutura preparada oferecerá aos alunos: salas de aula, refeitório, alojamentos, biblioteca, sala de estudos e secretaria. "Apesar de estarmos planejando um doutorado, não vamos abrir outros cursos antes de consolidar este mestrado. Começamos com dez alunos, mas nosso objetivo é que as turmas tenham 20. Por isso ficaremos inicialmente apenas com este grupo até que o campus oficial seja inaugurado."
Serviço:
O quê: Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade;
Endereço: Estrada do Moinho - KM 1- Centro - Nazaré Paulista (SP);
Informações: pelos telefones (11) 4597-3525 / 1327, pelo e-mail mestrado@ipe.org.br ou pelo site www.escas.org.br.
