
Por Edmilson Oliveira da Silva, Colunista de Plurale
A foto de Arnar Thorrisson, da Associated Press, que alguns jornais do mundo reproduziram neste último domingo, eu, de propósito, rotacionei, para lembrar-nos que não estamos no plano, em relação ao Universo, e de modo a que atinja um objetivo que vai parecer jocoso aos chamados de fino trato: o de aproximaro funcionamento da Terra ao do organismo humano,a fim de defender uma quase-teoria, a de que os vulcões são o reto de Gaia. Ou retos, vá lá.
Embora a mídia nacional não tenha traduzido o que significa Eyjafjallajoekull, o vulcão islandês, cujas "nuvens" impediram o tráfego aéreo em 27 países europeus, a quase-análise linguística também rasteira e livre do nome do fenômeno natural reforça a minha teoria: a palavra dá contado atoda expelição e cá para nós com ouvidos habituados ao Português, mesmo grafada com a letra K e ele duplo, a sílaba final não deixa qualquer dúvida sonora.
Sei que há muitos outros vulcões e com uma diversidade de nomes, mas como estou interessado mais na questão fisícoquímica, vou em frente: fato é que a "fumaça"que forma as "nuvens" é produto da aciaria interna e permanente do núcleo da Terra, local que aprendemos, no ensino médio, ser composto por extensos vales de silício. Essa ação permanente elabora produtos e subproduos que, respectivamente, têm função interna e precisam ganhar o lado externo do organismo de Gaia. E isto é feito emforma de gases, magma, lava. esta,quando entra em contato com a água dasgeleiras, compõe o que os vulcanólogos chamam de tefra, sustância feita de micropartículas de vidro vulcânico.uma limalha vítrea.
Ainda bem que o corpo de Gaia é majestoso e os fenômenos dessa digestão demoram a ocorrer: não é como aquela feijoada acompanhada de cerveja no sábado.a última vez que este vulcão islandês deu um pum, em 1821, - a popular bufa ou vento, na Bahia - durou mais de um ano. mas o mais destrutivo vulcão islandês, leio em O Globo do último domingo, foi o Laki, cujas tefras turvaram a Europa por quase um ano, em 1783. feliz ou infelizmente, nesse tempo não havia aviões a nos transportar países a fora.
Em tempo: não quero dizer com isso que a Islândia, país especializado nautilização dos calores de Gaia para produção de energia (geotérmica) elétrica, seja aquele conhecido orifício do reto do mundo. a depender da situação ele pode estar em Salvador, na Bahia, em Porto Príncipe, no Haiti, no Delta do Mississipi, nos Estados Unidos, ou no Morro do Bumba, em Niterói, no Rio de Janeiro.
Como o homem temos a capacidade de ir se adaptando ao meio, o que a atividadedesse vulcão sugere é a necessidade de adaptação tecnológica das aeronavespara atmosferas tisnadas pelas tefras. Por saber os danos que a substância provoca nas turbinas e carenagem dos aviões, será necessário pesquisar materiais ou criar métodos que a ela resistamou evitem os danos conhecidos, à medidaem que possa repeli-la ou anulá-la.
Com a palavra os engenheiros e os bioquímicos.
(*) Edmilson Oliveira da Silva é Colunista de Plurale, colaborando com artigos sobre Sustentabilidade. É jornalista especializado em Ciências. Flog: Caleidoscópio de Proteu
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