Atenção

Fechar

Artigos e Estudos

45 anos de Dia Mundial do Meio Ambiente / Rio + 25

Por Marcia Cavallieri, Colunista de Plurale

5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. Conto para minha filha de sete anos e ela, sempre curiosa, me argui “Quem disse?”. Como assim? - penso eu. E ela insiste “Quem criou esse dia, foi Deus?”. “Não, filha, foram os homens.” “Que homens?” E eu me junto a ela “Que homens?” Resolvi pesquisar.

Esta data foi criada “pelos homens” da Assembleia Geral das Nações Unidas em dezembro de 1972, durante a Conferência de Estocolmo, primeiro grande evento sobre meio ambiente realizado no mundo. Esta conferência, organizada na Suécia no inicio dos anos 70, e o Relatório Brundtland, publicado em 1987 pelas Nações Unidas, lançaram as bases para a ECO-92, que, vinte anos depois, reuniu chefes de estado com o mesmo objetivo do primeiro evento: debater os problemas ambientais mundiais.

Em 1972 eu mal andava e falava, mas em 1992 eu já caminhava bem, falava muito e trabalhava! Em meu primeiro emprego, numa grande agencia de assessoria de imprensa, tive a oportunidade de participar da ECO-92, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Cúpula da Terra, Conferência do Rio de Janeiro ou apenas Rio’92, realizada de 3 a 14 de junho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro. No Riocentro, reuniram-se os representantes de 178 países para decidir que medidas tomar para diminuir a degradação ambiental e garantir a existência de outras gerações, enquanto, do outro lado da cidade, no Aterro do Flamengo, reuniam-se os ambientalistas da sociedade, num grande encontro das organizações não governamentais, chamado Fórum Global. A proposta geral era introduzir a ideia do desenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento econômico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico, baseado no tripé econômico-social-ambiental.

Na época, eu assessorava um dos patrocinadores oficiais do evento, que se posicionava como “Xerox. The Document Company” e era responsável por todas as impressões de documentos produzidos e copias reprográficas que circulavam na conferência do Riocentro. Eram tempos de abertura de mercado no Brasil, quando o então presidente da Republica Fernando Collor de Mello incentivava as importações de equipamentos eletrônicos (muitos deles trazidos pela Xerox!) e tecnologias, bem como a instalação e desenvolvimento de multinacionais no País. Haja papel!

Passaram-se vinte anos e, em 2012, tive novamente a chance de trabalhar com um dos parceiros oficiais da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada de 13 a 22 de junho, também na cidade do Rio de Janeiro, marcando os vinte anos da Rio’92. Desta vez, reuniram-se representantes de 193 países, com o objetivo de discutir a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável e definir uma agenda para as décadas seguintes. A então presidenta do Brasil era Dilma Roussef e um dos temas que se esperava discutir – sem muito avanço - era a importância da governança em um cenário de desenvolvimento sustentável. Em outro âmbito, a conferência da ONU reconheceu na Cúpula dos Povos um evento paralelo, organizado por entidades da sociedade civil e movimentos sociais de vários países, novamente no Aterro do Flamengo, com o objetivo de discutir as causas da crise socioambiental, apresentar soluções práticas e fortalecer movimentos sociais do Brasil e do mundo.

Na ocasião eu integrava o quadro de terceirizados da comunicação institucional da Petrobras, que procurou levar ao grande publico suas iniciativas para desenvolver energia limpa, além do etanol e biodiesel, seus projetos sociais e ambientais, como o famoso Tamar das tartarugas, ações ligadas à Agenda 21 e outros tais. Diferentemente da conferência anterior, com muito papel impresso proporcionado por patrocinador, este evento seguiu o programa “paperless” da ONU, substituindo papéis por mídias digitais – ainda que o público não estivesse bem preparado para isso. No caso da questão ambiental, as discussões levaram à constatação de que não existe nenhuma organização internacional com real poder regulatório, uma agência ambiental internacional. E até hoje as mudanças do clima, a qualidade do ar e da agua, energias e transportes alternativos, diminuição do desperdício e redução de chuva acida continuam sendo problemas ambientais a cuidar.

Este ano, não teremos uma conferência Rio+25. Se houvesse, provavelmente a discussão do desenvolvimento sustentável estaria muito contaminada pelo viés politico global e, no plano mais local, pelos tantos assuntos levantados pela Operação Lava-jato. Um (im)possível patrocinador talvez fosse uma empresa de tecnologia ou equipamentos de segurança.

Fato é que o tripé da sustentabilidade já bambeou faz tempo. As esferas econômica, ambiental e social já não dão conta – se é que algum dia deram – de promover um equilíbrio para o planeta. Talvez um “quadripé” (ou quem sabe uma mesa) poderia ser proposto pelos teóricos da sustentabilidade, com mais um pé para a politica ou a governança, que tente trazer mais estabilidade aos nossos dias. Se bem que alguns dos principais líderes não parecem querer sentar à mesa para conversar sobre equilíbrio, paz ou meio ambiente. Não querem saber de Protocolo de Quioto ou Acordo de Paris, preferem anunciar seus mísseis, politicas econômicas desenvolvimentistas, poluentes e segregacionistas ou quem sabe levantar uma cortina de fumaça e gases de efeito estufa para esconder seus maus atos.

*Marcia Cavallieri é consultora e especialista em planejamento e gestão de projetos de comunicação





Ir para lista de artigos e notícias


0 comentários | Comente

 Digite seu comentário

*preenchimento obrigatório

Verificação - digite os caracteres da imagem no campo abaixo *



Ninguém comentou essa notícia ainda... Seja o primeiro a comentar!