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PLURALE EM REVISTA, Ed 59 - A força econômica do social

Por Maria Elena Pereira Johannpeter, Colunista de Plurale

Importante relembrarmos marcos da história nacional e também internacional, para percebermos o crescimento participativo das Sociedades por intermédio daquele que é chamado de “Terceiro Setor”.

Entre os anos de 1964 e 1985, o Brasil viveu sob o regime de uma ditadura militar de cunho conservador. Nesse período, o Estado, hipertrofiado, ocupou campos próprios da iniciativa cidadã ou a reprimiu com violência. Nesse período, os espaços de ação e iniciativa da sociedade civil eram escassos.

A Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, tornou-se então no novo marco regulatório da sociedade brasileira, uma sociedade baseada no Estado de Direito, na livre iniciativa privada e democrática.

O sucesso da Rio-92, virou sinônimo de conferência global bem-sucedida quando se discute o futuro da Humanidade.

A Rio+20 reafirmou a participação e responsabilidade dos líderes dos países em relação ao desenvolvimento sustentável do Planeta. Foi, portanto, uma segunda etapa da Cúpula da Terra Eco-92.

No ano de 2000, a ONU convidou as sociedades e os governos a olharem com atenção os desafios que o mundo enfrentava e convidou todos a se engajarem em prol dos ODM - Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: metas a serem atingidas até o ano de 2015.

Em 2005, o cientista político Robert Putnam trouxe o conceito de Capital Social’ como um processo de desenvolvimento de confiança e de cooperação recíproca entre os cidadãos e as instituições para buscar soluções de problemas que exigem ação coletiva.

A agenda 2030 está construída sobre o legado dos ODM e concluirá o que estes não conseguiram alcançar. Ela defende a igualdade de direitos humanos, de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas. Os ODS são integrados e indivisíveis e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.

É um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. Reconhece que a erradicação da pobreza, em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável do Planeta.

A Lei 13.019/14, no Brasil, mais conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, é a consolidação de normas para regular de forma clara e objetiva a relação e os procedimentos decorrentes das parcerias voluntárias entre o Estado e as organizações da sociedade civil.

Tudo o que foi dito até aqui demonstra a enorme participação do Terceiro Setor na evolução de temas globais e o quanto ele tem influência e alto significado ECONÔMICO. O Terceiro Setor não é somente o social, o bonzinho. Ele impacta de forma decisiva a economia do Brasil.

Cito como exemplo a ONG Parceiros Voluntários, que em 20 anos, construiu a sua história com o propósito de “Vivermos em uma sociedade sustentável, tendo por base pessoas éticas e participativas”. E tem cumprido essa Visão por intermédio da sua Missão: “Qualificar pessoas e instituições, por meio de tecnologias sociais e do voluntariado, visando comunidades proativas e solidárias”.

Foi a partir da prática persistente e enriquecedora de competências que construiu uma teia social, que vem beneficiando cerca de 7 milhões de pessoas, por meio de uma grande rede colaborativa nacional, formada por mais de 400 mil voluntários que prestam serviços em quase três mil organizações sociais da sociedade civil e também por suas publicações lançadas.

São mais de 2,1 mil instituições de ensino, públicas e privadas, mobilizadas, 3 mil educadores qualificados, 4,5 mil jovens capacitados e mais 130 mil estudantes protagonistas ativos na Tecnologia Social Tribos nas Trilhas da Cidadania. As 2.632 empresas engajadas participam do movimento com seus recursos humanos voluntários, recursos financeiros e com a força de suas marcas.

O resultado desses 20 anos, além da formação e fortalecimento do CAPITAL SOCIAL, está fundamentado nos ensinamentos do guru da Administração, Peter Drucker, que diz: quando o governo controla, regula e cumpre a sua função, as políticas públicas são eficazes; quando as empresas cumprem o seu papel, os stakeholders ficam satisfeitos. O produto das instituições sem fins lucrativos, porém, não é um par de sapatos, nem um regulamento eficaz. Seu produto é um ser humano mudado positivamente. As instituições sem fins lucrativos são agentes de mudança.

Para demonstrar o grande impacto econômico do voluntariado na economia, há uma equação simples. Se considerarmos apenas como voluntários permanentes 40% dos 400 mil voluntários mencionados acima temos este cálculo:

165.200 voluntários x 3h/mês x 12 meses = 5.947.200 h/ano x R$ 20,00 = R$ 118.944.000,00.

No resultado deste cálculo, foi considerado que o voluntário disponibilizou 3 horas do seu tempo por semana pelo valor de R$ 20/h. E, vale ressaltar, que o valor/hora de uma boa parte desses voluntários custa 10 vezes mais.

Se o Estado tivesse que utilizar o mesmo número de horas para prestar os serviços sociais que o Terceiro Setor presta para cobrir o déficit social do País, e se ainda consideramos os custos adicionais de CLT, verifica-se que esse trabalho voluntário teria um fabuloso impacto econômico na comunidade.

Como sempre dizemos aqui na Parceiros Voluntários: é a comunidade cuidando da própria comunidade.

Além do valor econômico, há o valor intangível. Há no voluntário a espontaneidade, o impulso emocional, o sentimento de pertencimento e desenvolvimento humano de ambos os lados. Uma das Crenças que norteiam a Parceiros Voluntários, diz: todo trabalho voluntário traz retorno para a comunidade e para as pessoas que o realizam.

Por ser a fundadora da ONG Parceiros Voluntários, eu sou uma idealista e entusiasmada! Vejo que o entusiasmo é diferente do otimismo. Otimismo significa acreditar que uma coisa vai dar certo. Talvez até torcer para que ela dê certo. A pessoa entusiasmada é aquela que acredita na sua capacidade de transformação, de fazer dar certo. É a pessoa que acredita em si e nos outros. Acredita na força que as pessoas têm de mudar o mundo e a própria realidade. Só há uma maneira de ser entusiasmado: é agir entusiasticamente!

(*) Maria Elena Pereira Johannpeter é Colunista colaboradora de Plurale. É Fundadora (Voluntária) da ONG Parceiros Voluntários.





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