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Aprender a ler, lendo

Por Nícia Ribas, de Plurale

Antes mesmo de ser alfabetizada, a criança já pode ser “leiturizada”, o que significa que ela vai aprender a ler, lendo. Essa é uma possibilidade de ensino da leitura nas escolas brasileiras, realizada por alguns professores com bastante sucesso. Numa parceria com a AFL – Associação Francesa pela Leitura-, o Departamento de Letras da Universidade Federal do Paraná tem atuado na formação de professores da escola básica, difundindo o modo de ensinar a ler pela via direta.

Em novembro último, a professora da UFPR, Lúcia Peixoto Cherem, doutora em Letras pela USP, levou a metodologia para professoras de duas escolas municipais de Manaus, a convite do CEFA – Coletivo de Escolas e Famílias do Amazonas. Com exercícios que podem ser aplicados em classe para fazer do aluno um leitor desde a mais tenra idade, ela despertou o interesse das professoras.

“Toda leitura é boa, mas ninguém lê simplesmente por ler; a busca de informação é o maior estímulo à leitura”, disse a professora, lembrando a importância da escolha de textos. “A leitura pontual, linear não traz tantos benefícios como a leitura pela via direta e as pesquisas demonstram que os resultados são muito mais positivos que aqueles conseguidos somente pela relação grafema-fonema,” Informou.

Tudo deve começar com a visão geral do texto, fonte, análise da capa, ilustrações, fotos, a diagramação das páginas do livro, jornal, revista – o que mais despertar o interesse da classe- os trechos destacados em negrito ou itálico, os diálogos. Só observando tudo isso, fazendo suposições juntamente com a professora e os colegas, a turma já vai sacando o conteúdo. Só então passam para a leitura propriamente dita, dando atenção à materialidade linguística do texto para entender que a língua é um sistema a ser enriquecido sempre.

A professora Odenise da Silva Rocha, do 1º. ano da Escola Municipal Prof. Maria das Graças Andrade Vasconcelos, ficou satisfeita com as ideias levadas por Lúcia: “A gente precisa muito desse tipo de formação, com troca de pontos de vista, para fugir do cotidiano que às vezes fica meio adormecido.”

Suas colegas, Lorena Pimenta e Elícia da Silva Rodrigues deixaram o auditório fazendo planos para próximas aulas: “Vou imprimir trechos dos livros, recortar em tiras e pedir que coloquem em ordem, para testar a compreensão do texto”, disse Elícia.

As pedagogas Amanda Carvalho de Freitas e Silva e Inéia Simas de Souza, da Escola Municipal Professor Waldir Garcia estão confiantes no trabalho do CEFA, que está inovando o ensino ao transformar escolas municipais comuns em escolas de educação integral e proporcionando oportunidade de formação constante para professores.





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