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PLURALE EM REVISTA, EDIÇÃO 60 - Quarta edição do "Prosa Cortante das Gerais" reúne visitantes em Santa Rita do Ouro Preto

Evento recebeu uma verdadeira legião de amantes desta junção do que há de mais mineiro: natureza preservada, comida quente, boa prosa e cuteleiros e suas facas moldada na forja

Texto e fotos por Luciana Tancredo, Editora de Fotografia de Plurale

De Santa Rita de Ouro Preto (MG)

As montanhas mineiras, com a sua gente e a sua prosa - eternizadas pelas letras de escritores mineiros ilustres, como Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Rezende – ainda resistem. O 4º Prosa Cortante das Gerais, realizado este ano em outubro, em Santa Rita de Ouro Preto (distrito a 30 quilômetros da histórica Ouro Preto), recebeu uma verdadeira legião de amantes desta junção do que há de mais mineiro: natureza preservada, comida quente, boa prosa e cuteleiros e suas facas moldada na forja. Para fazer uma mistura bem mineira, se juntaram também artistas que trabalham com ferro, cervejeiros artesanais, a turma do arco e flecha, da esgrima histórica renascentista e da falcoaria.

A cada ano o encontro acontece em uma cidade histórica de Minas, tendo Tiradentes abrigado o de 2016. Mas, com novo espaço de eventos, o Atelier Paiol Albanos, em Santa Rita, a ideia é que volte a ser, em 2018, neste mesmo local novamente. Quem idealizou e coordena o evento é Markito Amato, jornalista de formação, um grande aglutinador de gente, ideias e ideais. Com o apoio da mulher, Flávia, que é médica de família, na região, o casal abandonou há alguns anos a cidade grande e foram buscar as raízes, saúde e a vida calma do interior. A casa da família, no alto da montanha de Santa Rita, ilustra bem esta preocupação: sustentável, sem energia elétrica, abastecida por painéis de energia solar, horta orgânica, etc.

O que mais toca os visitantes é ver o comprometimento de todos em pautar as suas atividades em torno da sustentabilidade do resgate das tradições. O evento foi um mergulho no passado, como se fosse um roteiro de filme medieval, que parece não ter ficado no passado: os cuteleiros fazendo suas facas na forja; artistas que trabalham com ferro; cervejeiros artesanais; aulas de arco e flecha (da Federação Mineira de arco e fecha); demonstração da esgrima de combate renascentista e os especialistas em Falcoaria (com especialistas que treinam águias, falcões e corujas para controlar o espaço aéreo dos aeroportos).

Para quem não conhece ainda o bucólico distrito de Santa Rita de Ouro Preto, a região é uma ótima alternativa a já tradicional histórica e concorrida Ouro Preto, que está a apenas 30 km. Seus primeiros habitantes chegaram no início do século XVIII, com a bandeira de Martinho de Vasconcelos, à procura do ouro às margens do Ribeirão Falcão, mas encontraram em abundância a esteatita, conhecida como pedra-sabão. Essa mesma pedra sabão que hoje pode ser encontrada na forma do belo artesanato da região, no Paiol Albanos, um atelier que reúne peças de vários artistas locais e cedeu o espaço onde o evento aconteceu. A origem do nome se deve à devoção à Santa Rita de Cássia, imagem trazida pelos bandeirantes tornando-se a santa de devoção da população da cidade. Passou a chamar Santa Rita de Ouro Preto quando foi elevado a distrito de Ouro Preto.

A exuberante região tem várias cachoeiras e passeios espetaculares. Em Lavras Novas, além do circuito das cachoeiras e da represa - que o visitante pode chegar de quadriciclo alugado (há duas agências de turismo no centro que alugam - tem também ótimas pousadas e restaurantes. É para curtir e esquecer o corre-corre diário das grandes cidades. Ah! E ainda tem como curiosidade as vacas que vivem soltas pela cidade: como ficavam revirando as latas de lixo, como se fossem cachorros vira-latas, um morador artesão teve a ideia de fazer uma latinha em formato de vaquinhas coloridas que não podem ser abertas pelos animais.

A turma da falcoaria representava três entidades: Associação Brasileira de Falcoaria, BH Hawking Club e Gavilan Serviços Ambientais. Eles fazem o resgate de animais apreendidos para devolver a natureza, e também tem trabalho muito interessante nos aeroportos, para prevenção de acidentes com aves que atrapalham decolagens e aterrisagens. Juro que não é “causo” mineiro (rs).





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1 comentário | Comente

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Nelson Tucci |
Luciana sempre faz fotos precisas e preciosas. É como se fossem pintadas à mão. Desta vez ela juntou o texto. Simples, direta e levezinha ela foi saborosa nas palavras. Tanto quanto aquele pedaço de queijo fresco com goiabada cascão. Todos vão querer mais...