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Galeria Natural

Por Paulo Lima, Colunista de Plurale

A vegetação do Cerrado ocupa o segundo lugar no Brasil. Só perde para a Floresta Amazônica. Suas árvores são de médio ou pequeno porte. E retorcidas. Melhor dizer: tortas. E é a sinuosidade de seus galhos e troncos que proporciona as formas mais interessantes. É como se cada árvore tivesse uma forma própria, mesmo quando pertence à mesma espécie.

Basta olhar bem. Das mais raquíticas às mais robustas, as árvores apresentam linhas e curvas à maneira de esculturas caprichosamente trabalhadas. Só que é tudo resultado de uma característica própria das espécies do Cerrado. Mas a impressão é que foram submetidas às mãos de um artesão muito criativo.

Nessa galeria natural, vemos de tudo. É só uma questão de treinar o olhar. Exercitar a imaginação. Eu já me prometi fazer um ensaio fotográfico tendo como objeto as diversas formas esculturais oferecidas pelas árvores do Cerrado de Brasília. Arte abstrata em estado bruto. Verdadeiras peças feitas de matéria vegetal. Galhos que descrevem impossíveis geometrias, labirínticos traçados que sugerem criativas caligrafias.

Mas a galeria oferece também outros estilos, outras opções de expressividade. Por exemplo: uma divertida fauna escondida em troncos, a desafiar a percepção de quem vê e enxerga. Em minhas andanças diárias pelas quadras do Plano Piloto, costumo me atribuir o papel de observador de árvores. Trata-se de um exercício gratuito da sensibilidade. Uma espécie de curadoria sem qualquer objetivo prático. Uma contemplação divertida do verde que nos rodeia.

Submeto à apreciação do leitor três desses meus achados. Eles ilustram este texto.

Na primeira foto, vi um touro, que foi por mim intitulado de Tourárvore. Nada mais óbvio. Touros não nascem em árvore, mas, no caso das árvores do Cerrado, vale o motivo estético que estava ali desde sempre, pedindo para ser descoberto.

Na segunda foto, posso jurar que existia ali um camaleão desafiando a perspicácia de um olhar atento. Eu o batizei de Camaleárvore. Isso é o que eu chamo de disfarce perfeito, típico desse bicho que muda de cores para fugir das ameaças.

E na terceira foto, o que pude ver? Um animal com duas enormes patas, que eu chamei de Pé de árvore. É como uma simbiose entre arte e natureza.

Certamente, o Cerrado não é o único bioma brasileiro que permite tais associações. É um exercício estético que se aplica a qualquer lugar onde exista alguma paisagem natural. Mas não deixa de ser também uma maneira de apreciar pequenas maravilhas que estão bem ao nosso lado, atribuindo-lhe um novo sentido, lúdico e criativo.





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