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Tenente-Coronel Clarisse - A comandante militar de batom e trança que pilota e comanda grupamento de pilotos de helicópteros

Por Sônia Araripe, Editora de Plurale

Não se engane pelas aparências. O batom, brincos, aneis e os cabelos impecavelmente penteados em trança comprida são sim sinais de feminilidade. O jeito simpático e o sorrido tímido também podem confundir. Mas o revólver preso na coldre na altura da coxa, delineando o físico malhado por debaixo do macacão verde de trabalho, não deixa dúvidas. Trata-se sim de uma policial. Neste caso, a Tenente-Coronel Clarisse Antunes Barros, há 27 anos na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Com firmeza, mas sem perder a ternura, Comandante Clarisse é a chefe do Grupamento Aéromóvel da PM, dos oito Helicópteros da PM fluminense. Comanda 210 policiais, dos quais 10% são mulheres e é a primeira mulher a ocupar o cargo de Comando de uma Unidade Aérea Militar no Brasil.

"Nunca me coloquei na posição de mulher. Sou mais um militar na Corporação", contou a Tenente-Coronel Clarisse em palestra para mulheres em evento organizado pelo Clube Vida em Grupo RJ, hoje, no auditório da Escola Nacional de Seguros, no Centro carioca. O relato de sua história e a periculosidade do trabalho em um cenário de guerra - diante da violência no Rio de Janeiro - parecem ter despertado uma solidariedade e curiosidade em outras mulheres ali reunidas.

Clarisse é simpática, mas tem a postura de militar. Respondeu às perguntas, usou o microfone com tranquilidade, tirou várias selfies com outras mulheres em dia de celebridade. Mas foi rápida "no gatilho" - digo, ao atender o celular - de colega militar marcando reunião ali próximo, no Quartel Geral da PM. "Vou a pé." Sem nem se preocupar com a possibilidade de ser vítima de alguma violência. Ela conta que outro dia deu palestras para magistrados, no Tribunal de Justiça e apareceu armada e uniformizada. Mas foi rapidamente ao banheiro e surpreendeu a todos de cabelos soltos e salto alto.

Mãe zelosa de três filhos, casada com marido civil, mas de uma família com tio, irmãos e primos militares, Clarisse parece ter no sangue a determinação militar e o dever de zelar pela segurança e bem-estar de cidadãos que nem conhece. "É o nosso trabalho." Se emociona ao contar que apenas 15 dias após ter assumido a chefia do Grupamento, no fim de 2016, um helicóptero da PM caiu na Cidade de Deus, matando quatro de seus comandados. "Foi duro, muito duro. Mas, felizmente, o Estado tinha renovado o seguro específico para os helicópteros e seus tripulantes e as famílias estão bem amparadas."

Questiono qual foi a missão que mais lhe emocionou ou causou temor. A Tenente-Coronel conta que serviu no resgate à vítimas das fortes chuvas que atingiram o Estado do Espírito Santo, em 2013 e antes, em janeiro de 2011, na Região Serrana fluminense. "Tragédias mesmo. Famílias inteiras que perderam tudo...muitos mortos. Foram missões importantes." Tento saber mais sobre o dia-a-dia em um Rio deflagrado em guerra civil...sobre seus medos....sua coragem. A experiente militar - articulada e inteligente - não entra no "enredo" jornalístico. Reafirma que é sempre otimista e acredita ser possível sim imaginar um bom final para esta história. "O caminho para um Rio mais seguro e com qualidade de vida passa, sem dúvida, pela educação."

Da turma de 1991 da PM, a Comandante assegura que jamais teve problemas com chefes homens e que sabe bem a responsabilidade de sua função. Depois de 11 anos servindo na corporação, a jovem fez o Curso para piloto de helicóptero até chegar ao cargo de comando atual, em novembro de 2016.

Destacou que o principal problema na PM hoje é de "gestão" e que conseguiu economizar cerca de R$ 2 milhões do orçamento do seu Grupamento, cortando despesas com terceirizados e deixando a manutenção a cargo de seus militares comandados. Uma nova economia também foi possível trazendo para o Hospital da PM em Niterói - onde fica a base dos helicópteros - todo o serviço de exames periciais dos pilotos. "Faço o que costumamos fazer em casa - aperta daqui o orçamento, dali....e no fim dá para comprar um batom."

Dá um largo sorriso, tira mais selfies , ganha rosas dos organizadores e sai como chegou. Caminhando pela rua, sozinha.





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