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Gestão de riscos e prevenção de crises

Por Luiz Antônio Gaulia, Colunista de Plurale (*)

Comunicação, capacitação e planejamento são a base para realizar uma missão de sucesso.

Uma entrevista[1] de um militar da guarda costeira norte-americana me chamou a atenção sobre questões como planejamento, treinamento e comunicação para realizar missões em tempos de paz ou em tempos de guerra. O mais impressionante na narrativa do soldado foi a parte na qual o apresentador perguntou como faziam quando as coisas “davam errado” durante uma determinada operação? A resposta do militar, em tom absolutamente tranquilo, me surpreendeu por completo. Ele afirmou que todos os tipos de erros e imprevistos imagináveis eram mapeados antes da execução e que a guarda costeira treinava até 4 mil horas seguidas para dar conta dessas diferentes situações. O grupo chegava a um nível de sintonia na qual até a respiração do time acontecia no mesmo ritmo e muitas das comunicações eram feitas pelo olhar. A conclusão, óbvia, era de que planejamento, comunicação e treinamentos são a base para realizar qualquer missão de sucesso.

Apesar da intervenção federal na área da segurança no Rio de Janeiro, quero focar no mundo empresarial. Trazendo o exemplo para dentro das empresas, o que a entrevista me confirmou mais uma vez? Que a gestão de riscos, a comunicação e a capacitação dos profissionais envolvidos diretamente em determinadas situações e decisões podem reduzir as chances de erros e de que estes erros se transformem em desastres. O melhor da entrevista foi ter um exemplo prático de como uma organização deve se preparar para alcançar resultados, evitar erros de execução, mas também se preparar para quando e se o pior acontecer no exato momento em que estiver concretizando seu plano de ação.

No geral, o Brasil não tem uma cultura arraigada ou ao menos o hábito valioso de planejar, treinar e capacitar times de trabalho, na magnitude de uma guarda costeira norte-americana. Vejam vocês quantos exemplos de entrega de orçamento, dentro de algumas empresas, acontece antes mesmo do planejamento para o ano seguinte? Além da falta de planejamento, a falta de integração e de comunicação entre os departamentos conspira contra o sucesso da missão empresarial. Muitas organizações sequer esclarecem as suas decisões estratégicas ou desdobram metas corporativas de forma alinhada definindo papéis, responsabilidades e direcionamentos para os seus empregados. Querem mais um exemplo? Quantos treinamentos de combate a incêndios ou emergências em casos de inundação de ruas você realizou no ano passado na sua empresa? Será que este assunto foi ao menos comentado nas salas de reunião? O que fazer em situações de incêndio ou inundação? Existe ao menos um manual impresso na sua gaveta sobre como proceder em uma situação de risco? Provavelmente, não.

Na área pública nem se fala, me parece muito pior. O próprio orçamento anual é rasgado ao sabor de conchavos políticos e interesses de curtíssimo prazo. O país não sabe qual é o seu projeto de nação e os administradores públicos além de criarem impostos, criam transtornos burocráticos para o contribuinte. A cada novo ministro navegamos ao sabor da vaidade pessoal ou da maré ideológica da hora. Em alguns momentos, acertamos. Em outros retornamos ao caos. Mas voltemos ao mundo dos negócios e da iniciativa privada, bem mais preparada, apesar de tudo, para criar modelos de sucesso na gestão de metas e de riscos.

Movida pela saudável competição e pela superação de suas conquistas, as empresas deveriam ser também as campeãs no gerenciamento de riscos e no planejamento de ações para mitigar quaisquer erros, prevenir crises e imprevistos. A leitura de cenários e a capacitação das equipes deveria ser um processo alinhado ao do planejamento estratégico. Tudo conectado por fluxos inteligentes e permanentes de comunicação interna em alinhadas com as mídias sociais, marketing, comercial, operações e jurídico, entre outras áreas.

O fato é que aqui também temos problemas. As horas de treinamento, por exemplo, nem se comparam ao exemplo do militar acima descrito. As prioridades então, quais são? Guardando as devidas proporções, podemos dizer que uma organização militar é diferente de uma empresa privada. Mas se o mercado é uma verdadeira guerra, a analogia poderia ser bastante útil e o exemplo deveria ser seguido.

A gestão de riscos é ação preventiva e anterior ao gerenciamento de crises. A comunicação estratégica faz parte inseparável dos dois processos. A capacitação para situações e cenários fora do controle de nossas planilhas e apresentações de power point deve ser pauta permanente das lideranças num mundo cada vez mais volátil, ambíguo, complexo e imprevisível.


[1] https://www.youtube.com/watch?v=H6yaDGLxcGs





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1 comentário | Comente

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Eleno Mendonça |
Excelente texto, com planejamento e capacitação se pode prevenir muitas crises.