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Estudo de caso - "Sustentabilidade corporativa por meio de um programa multidisciplinar"

Preparado por Fernanda Ribeiro Ramos Lopes, da ESPM-RJ

Recomendado para as disciplinas de: Sustentabilidade e Comunicação, Comunicação Interna e Comunicação Institucional e Gestão

Fotos - Acervo CNC

Este caso foi escrito inteiramente a partir de informações cedidas pela empresa e outras fontes mencionadas no tópico "Referências". Não é intenção do autor avaliar ou julgar o movimento estratégico da empresa em questão. Este texto é destinado exclusivamente ao estudo e à discussão acadêmica, sendo vedada a sua utilização ou reprodução em qualquer outra forma. A violação aos direitos autorais sujeitará o infrator às penalidades da Lei. Direitos Reservados ESPM

Outubro de 2017

Resumo

O presente trabalho abordará a criação do Ecos – Programa de Sustentabilidade da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em âmbito nacional. A partir do ano de 2010, por iniciativa do Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio (Sesc-DN), as três instituições que representam os empresários do comércio (entidades sindicais patronais), institucionalizam a sustentabilidade corporativa, criando o Programa Ecos, que se constitui em um grupo de trabalho multidisciplinar para tratar ações socioambientais dentro das instituições. Mais do que gerar resultados positivos, com a institucionalização da sustentabilidade, a decisão de se abordar o tema internamente mostra que é necessário construir um meio de gestão multidisciplinar da sustentabilidade, fazendo com que todos dentro da instituição possam se engajar no assunto e atuar em prol dele, independente da área de atuação.

Palavras-chave

Sustentabilidade. Comunicação. Gestão. Engajamento. Multidisciplinar. Futuro.

Apresentação

Uma vez que o conceito de sustentabilidade pode se caracterizar por algo complexo e multidisciplinar, é estranho afirmar que ações, iniciativas ou projetos com visão triple botton line (econômica, ambiental e social) sejam introduzidas ou realizadas nas organizações a partir de apenas uma área. Para Elisa Miranda Prado (2013, p.65), “sustentabilidade não deve estar concentrada em um departamento ou área específica”. A autora expõe que parece ser impossível um departamento ser capaz de cuidar do sucesso financeiro, social e ambiental.

Diante da mudança em sua papelaria, o Sesc-DN vislumbrou a oportunidade de inserir questões de ordem ambiental em sua tomada de decisão. No entanto, transformar a sua papelaria em algo mais sustentável, apenas por meio do tipo de material que se comprava, não era suficiente. Qual referência institucional a orientava sobre compras sustentáveis ou ações nesse sentido? Percebeu-se que, até então, não existia essa referência.

Identificou-se, então, que era fundamental a implementação de ações que levassem à mudança de pensamentos, paradigmas, posturas e procedimentos internos, no ambiente corporativo, e que recomendassem a visão do desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto.

Foi assim que, em 2010, a área de comunicação do Sesc-DN estruturou um programa de sustentabilidade e convidou as áreas de comunicação do Senac-DN e da CNC para fazerem parte do programa multidisciplinar. A partir disso, as três instituições introduziram a sustentabilidade corporativa, por meio do Programa Ecos, que tem como missão planejar, propor, executar e apoiar ações que induzam à prática intersetorial e colaborativa de sustentabilidade nas atividades desenvolvidas.

Com os objetivos de otimizar o uso dos recursos das instituições, mitigar os impactos socioambientais e conscientizar os funcionários, o Ecos possui metodologia de trabalho para alcançar suas metas de redução no consumo de água, energia, papel-toalha, papéis e copos descartáveis, e um grupo gestor de trabalho que conta com a participação de diversas áreas.

CNC-Sesc-Senac: entidades criadas a partir da Carta da Paz Social

Unindo forças em favor do desenvolvimento nacional, em 1945, durante a I Conferência das Classes Produtoras do Brasil (Conclap), o empresariado brasileiro discutiu os problemas relativos à extrema pobreza do país, além da baixa capacitação profissional do trabalhador e dos baixos índices de produtividade e remuneração dela decorrentes. A nação era pobre, permeada de conflitos sociais, principalmente entre empregadores e empregados.

Os assuntos discutidos nessa conferência deram origem à Carta da Paz Social, formalizada em 1946, marco inicial de novas formas de promoção, pelas classes patronais, da assistência social e da qualificação dos trabalhadores. O documento manifesta a importância de estabelecer relações mais harmoniosas entre o capital e o trabalho. Algo que se relaciona hoje com a temática discutida a partir do conceito de sustentabilidade.

Ao ser empossado como presidente da primeira Diretoria da CNC, em solenidade realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 10 de janeiro de 1946, João Daudt d’Oliveira, que também presidiu a I Conclap, registrou em sua exposição: “Já é conhecida do país a existência de um documento, em preparo desde a Conferência de Teresópolis, visando a um entendimento entre o capital e o trabalho no Brasil[1]”.


Os esforços culminaram com a criação do Sesc e do Senac, em 1946, por meio dos Decretos-Lei que autorizaram a Confederação Nacional do Comércio a instalar e administrar, em todo o país, serviços sociais do comércio e escolas de aprendizagem comercial. A iniciativa deriva, portanto, da disposição do empresariado para assumir responsabilidades sociais, criar oportunidades de aprendizagem e, consequentemente, de trabalho a um número cada vez maior de pessoas.

O Sistema CNC-Sesc-Senac tem muito a contribuir e a apresentar em termos sociais e ambientais, com iniciativas de sucesso e resultados significativos para a erradicação da pobreza, como o Programa Mesa Brasil, bem como para a inclusão social, como o Senac Gratuidade, ou com ações de preservação ambiental, como a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural Sesc Pantanal (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO, 2012, p.5).

Contextualização do tema nas instituições

O termo desenvolvimento sustentável surgiu a partir da redação do documento ‘Nosso Futuro Comum’, conhecido como Relatório de Brundtland, publicado em 1987, como material final dos estudos da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, que teve a primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, como líder. Apresentado no mesmo ano, o estudo propõe o desenvolvimento sustentável, ou seja, “aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades” (KUNSCH E OLIVEIRA, 2009, p.59), que pode ser considerado como a noção de sustentabilidade.

A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro. Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental.[2]

O trabalho da Comissão Brundtland constituiu a base da Rio-92, da qual despontou a Agenda 21, documento que estabeleceu a importância de cada país se comprometer em refletir, global e localmente, sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações não-governamentais e todos os setores da sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais (KUNSCH E OLIVEIRA, 2009, p.59).

Dentro desse contexto, há mais de 70 anos, as entidades promovem bem-estar social e desenvolvimento profissional na categoria do comércio de bens, serviços e turismo. Ou seja, sua atuação contribui mais diretamente para o pilar econômico e social, por meio do desenvolvimento profissional (Senac) e da promoção da cultura, educação, saúde, lazer e assistência (Sesc), respectivamente.

No entanto, também é possível vislumbrar atuação no pilar ambiental. Com a aquisição das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) pelo Sesc no Brasil, a Estância Ecológica Sesc Pantanal, por exemplo, abriga a maior reserva particular do Brasil, além de ser um centro de atividades sociais e um hotel sustentável, adquirido e gerido pelo Departamento Nacional.

Logo após a Conferência Eco-92, o Sesc-DN adquiriu antigas fazendas localizadas no sensível bioma pantaneiro. Lá foi criada, em 1996, a Estância Ecológica Sesc Pantanal que, além de um centro social de atividades e um hotel sustentável, abriga a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Brasil. Com 107.996 hectares – quase o mesmo tamanho do Estado do Rio de Janeiro, com 122.456 hectares – tem, segundo estudos, um estoque de 7,6 milhões de toneladas de carbono sequestrado (SALADINI, 2012, p.71).

Além das Diretrizes Gerais de Ações (SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO, 2009, p.23) do Sesc/DN que definiu a responsabilidade ambiental como uma característica básica para a instituição, “estará o SESC, desta forma, ao assumir plenamente uma atitude de responsabilidade ambiental, contribuindo [...] para a melhoria [...] da sociedade em geral, como [...] referência para todos que têm compromisso com o bem-estar social”.

Por meio do Senac, é perceptível a atuação no pilar ambiental com a oferta dos cursos técnicos e de pós-graduação em meio ambiente e, mais recentemente, a oferta de cursos em sustentabilidade, como, por exemplo, o curso Agente de Desenvolvimento Socioambiental do Senac/SP[3], além da Editora Senac[4] que produz diversos livros sobre a temática ambiental e no que diz respeito ao desenvolvimento social, fomentando a educação no tema e outras iniciativas.

Vale destacar que, no entanto, “cabe ao Departamento Nacional do Senac produzir diretrizes sobre educação profissional de forma articulada com os Departamentos Regionais do Senac, visando garantir coesão e abrangência nacional”.[5] Ou seja, sendo assim, fica claro que a oferta dos cursos e a atuação da editora é então operacionalizada pelos Departamentos Regionais do Senac em todo o Brasil.

Já a CNC é a entidade máxima de representatividade do empresário do comércio de bens, serviços e turismo. Ela representa 4,5 milhões de empreendedores, nas instâncias governamentais federais, e a temática da sustentabilidade também é passível dessa representatividade, a partir de chamadas públicas no Ministério do Meio Ambiente e também em outros órgãos de discussão, como a Organização das Nações Unidas (ONU), além de atuar na representatividade em outras entidades, como a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), em seu Fórum de Sustentabilidade.

Como exemplo no tema, é importante citar a representatividade da CNC nas discussões do Acordo Setorial da Logística Reversa, a partir de 2010, com a Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), ato que também necessita do posicionamento da indústria e da sociedade civil organizada. A aprovação dessa lei foi um grande passo para o Brasil, pois

[...] coloca o Brasil em patamar de igualdade aos principais países desenvolvidos no que concerne ao marco legal e inova com a inclusão de catadoras e catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis, tanto na Logística Reversa quando na Coleta Seletiva. Além disso, os instrumentos da PNRS ajudarão o Brasil a atingir uma das metas do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, que é de alcançar o índice de reciclagem de resíduos de 20% em 2015.[6]

As três entidades também participaram da Rio+20 representando o Sistema CNC-Sesc-Senac, (“que congrega ainda a atuação de 34 federações patronais e mais de 950 sindicatos em todo o Brasil”), afirmando que para as entidades “[...] a atenção com a sustentabilidade tem sido a propulsora para inúmeras iniciativas que direcionam a busca de soluções que possam beneficiar a sociedade e ser incorporadas ao dia a dia dos empresários do setor” (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO, 2012, p. 5).

Os integrantes do Ecos na CNC participaram da organização das atividades da entidade na Rio+20. O estande CNC-Sesc-Senac ofereceu ao público palestras e oficinas, como, por exemplo, a de montagem de uma horta caseira com reaproveitamento de garrafas PET e a de confecção de instrumentos a partir de material reciclável. Durante o evento, foi lançada a publicação Contribuições do Comércio de Bens, Serviços e Turismo para o Desenvolvimento Sustentável, na qual o Programa Ecos é citado como uma ação em favor da sustentabilidade socioambiental que visa disseminar conhecimentos e atitudes sustentáveis (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO, 2013, p. 9).

Participação na Rio+20 com estande e diversas atividades

O Programa Ecos

Internamente, ao identificar a necessidade estratégica de se trabalhar a gestão ecoeficiente dos recursos e de se realizar uma gestão que vislumbrasse mais a atitude sustentável, as instituições CNC-Sesc-Senac criaram, em nível nacional, em 2010, o Programa Ecos, direcionado ao público interno, visando à mudança de procedimentos. Para Philip Kotler (1998, p.25), “no clima dos negócios de hoje, as empresas devem assumir cada vez mais a responsabilidade pelo meio ambiente”.

No Senac-DN, o Ecos foi incorporado ao planejamento estratégico dentro de processos internos da instituição que, “sob a ótica do planejamento estratégico, surge como importante recurso para a consolidação de diretrizes e ações. O Ecos é um instrumento balizador para a atuação das instituições no que se refere à sustentabilidade” (CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO, 2017, p. 17).

O Programa Ecos é uma ferramenta estratégica que visa garantir uma gestão com o olhar sustentável, tendo a missão de planejar, propor, executar e apoiar, ações que induzam à prática intersetorial e colaborativa da sustentabilidade nas atividades desenvolvidas, visando três principais objetivos: otimizar o uso dos recursos das instituições, mitigar os impactos socioambientais e conscientizar os funcionários, além de mais onze objetivos[7]. São eles:

  • INCENTIVAR a implantação e o aperfeiçoamento contínuo do sistema de gestão ambiental, integrado aos demais sistemas de gestão da instituição.
  • ACOMPANHAR E MELHORAR, continuamente, os indicadores de sustentabilidade.
  • OTIMIZAR o uso dos recursos disponíveis.
  • DIALOGAR E RESPONDER às demandas dos públicos de interesse afetados pelas atividades da instituição.
  • PRIORIZAR a compra de produtos e serviços ecologicamente corretos.
  • PROMOVER a sensibilização de seus funcionários internos e externos para atuarem com responsabilidade na conservação do meio ambiente.
  • INCENTIVAR o uso de técnicas ecoeficientes para a construção, reforma ou ampliação da infraestrutura.
  • APOIAR o uso de fontes de energias renováveis e menos poluentes.
  • PROMOVER a segregação, a destinação e o tratamento corretos dos resíduos sólidos e líquidos.
  • FORTALECER a integração entre CNC-Sesc-Senac.

Diferentemente de outros projetos implantados pontualmente, o Ecos sugere algo permanente, que possa ser melhorado continuamente, por meio de indicadores de sustentabilidade. A partir da análise desses indicadores, é possível aferir a eficácia das ações implementadas, com resultados tangíveis que contribuem para aumentar o nível de informações gerenciais da instituição. Sem informações como a quantidade de lixo produzido e o consumo de água, energia e outros materiais, que garantem a operacionalização do negócio, seria impossível diagnosticar a situação da organização e elaborar metas quantitativas de redução que, por consequência, determinariam se a empresa está, ou não, no caminho da ecoeficiência. Um bom exemplo, que demonstra como uma simples ação pode ter um impacto enorme na instituição, foi a redução do consumo de copos descartáveis: em 2008, foram consumidos 2.113.100, contra os 779.800 em 2011 (redução de 63%, ou aproximadamente R$70 mil. (SALADINI, 2012, p. 71-72).

Na CNC também houve redução do consumo de copos descartáveis. Em 2009, foram consumidos 356.300 contra os 259.618 consumidos em 2011, ou seja, uma redução de 27%, ou aproximadamente R$5mil. Esse resultado veio a partir de uma simples iniciativa de se usar canecas reutilizáveis ao invés dos descartáveis. O que mais pode ser alcançado a partir da decisão de se quebrar paradigmas e mudar a maneira de execução das atividades administrativas e de escritório?

O Programa desenvolve diversas ações, dentre elas, destaca-se a implantação da coleta seletiva solidária. A mesma é uma quebra da cultura local, já que no Brasil não se tem o hábito de separar os resíduos. Entretanto é uma oportunidade de mudança de mentalidade e valores, além de ambiente favorável à promoção da educação ambiental. O resíduo é de responsabilidade dos municípios e, portanto, deve ser gerido pelas prefeituras, ou seja, existe aí um novo negócio e um mercado que deve ser explorado pelo poder público e pelas empresas de forma cidadã.

Com a instituição da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, o Programa Ecos, em nível nacional, logo identificou a oportunidade do negócio social. Ou seja, ao segregar os resíduos gerados pelos seus funcionários, as três instituições estariam atendendo a lei, a princípio federal, e sendo um exemplo para a sociedade e para seus públicos de interesse e poderia, assim, impactar positivamente seus stakeholders. Isto porque, todo o material reciclável coletado nas instituições é doado para as cooperativas de catadores parceiras do Programa Ecos, gerando renda às famílias dos cooperativados.

[...] A implantação da coleta seletiva nas unidades operacionais, por exemplo, não teria, além de coletar resíduos, um importante papel educativo e de conscientização da clientela e dos funcionários? É evidente que os benefícios intangíveis, como o nível de conscientização a cerca da problemática ambiental – que é fator determinante pra a mudança de hábitos –, por mais que não possamos definir por números absolutos, são importantes legados da atuação de uma empresa junto à sociedade (SALADINI, 2012, p. 72).

A ideia do Programa Ecos é tão completa que o processo de sua expansão se deu logo nos primeiros anos. Até meados de 2012, ele era executado nas três instituições em nível nacional, mas ganhou solicitantes pelo Brasil todo a partir do exemplo do Sistema CNC-Sesc-Senac de 2011 a 2012. Ou seja, as demais federações do comércio pelos estados e os departamentos regionais de Sesc e Senac vislumbraram também a questão da internalização da sustentabilidade corporativa e o quanto era necessário olhar para os processos internos, identificar as necessárias mudanças de cultura e comportamento organizacional e ser um exemplo para a sociedade. Veja no mapa[8] abaixo onde o Programa Ecos está presente no Sistema Comércio até o momento.

Para Kotler (2010), uma maneira de fazer a diferença é resolver um dos maiores problemas globais do tempo atual: a sustentabilidade ambiental. Existe uma discussão sobre qual área deve liderar a sustentabilidade dentro de uma organização ou onde a temática deve estar dentro do seu organograma. Muitas são as opiniões, mas se uma “empresa ainda não incorporou a sustentabilidade em sua descrição de cargos, trata-se de uma questão de tempo” (SAVITZ, 2007, p.73).

A partir de uma breve pesquisa em cursos de pós-graduação ou cursos de extensão, e até em descrição de vagas no tema, é perceptível que, no campo técnico de atuação, a área deve contar com engenheiros, economistas, técnicos ambientais e até biólogos. No entanto, é notório que qualquer profissional, com ou sem especialização no tema, mas com o interesse pela temática e perfil para liderar, transformar, engajar e lutar, pode contribuir para promoção e efetividade da sustentabilidade corporativa.

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO

  1. A empresa na qual você está inserido tem um olhar interno para a sustentabilidade, ou seja, é mensurado e acompanhado o uso dos recursos da instituição e a mitigação do impacto deles? Em caso afirmativo, como se dá essa gestão ecoeficiente? Em caso negativo, qual a razão disso?

  1. Como gestor da área de comunicação, você faria parte de um programa interno e multidisciplinar para unir esforços em prol da sustentabilidade corporativa, ou seja, encamparia essa bandeira mesmo que não fosse um valor pessoal de seu interesse?

  1. Discuta sobre a importância das ações, iniciativas e projetos em sustentabilidade que podem trazer retorno financeiro e de imagem para a instituição.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei n°10.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Disponível: . Acesso em: 30 set. 2017.

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO. A participação do Sistema CNC-SESC-SENAC na Rio+20 Relatório de Atividades. Rio de Janeiro: CNC, 2012. Documento interno.

______. Avançam acordos setoriais da Política de Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro: CNC, 2017. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2017.

______. Firmado Acordo Setorial para logística reversa de embalagens. Rio de Janeiro: CNC, 2015. Disponível em: . Acesso em: 30 set. 2017.

______. Relatório 10º Encontro de Assessores de Comunicação do Sistema Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Rio de Janeiro: CNC, 2017. Documento interno.

______. Relatório anual Ecos: 2012. Rio de Janeiro: CNC, 2013. Documento interno.

KOTLER, Philip. Administração de Marketing: análise, planejamento, implementação e controle. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1998.

KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

KUNSCH, Margarida Maria (org.); OLIVEIRA, Ivone de Lurdes (org.). A Comunicação na gestão da sustentabilidade das organizações. São Caetano do Sul: Difusão, 2009. (Série Pensamento e Prática).

PRADO, Elisa Miranda. Imagem & reputação na era da transparência: as boas práticas de comunicação a serviço dos líderes. São Paulo: ABERJE, 2013. (Coleção Grandes Nomes).

SAVITZ, Andrew W. A empresa sustentável: o verdadeiro sucesso é o lucro com responsabilidade social e ambiental. 4 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

SALADINI, Mário Henriques. Sustentabilidade: uma nova ordem corporativa. Revista Intercâmbio. Rio de Janeiro, v.1, n.2, p. 62-75, mar./fev. 2012.

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL. A carta da paz social Senac. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2017.

______. Curso em meio ambiente e sustentabilidade. Disponível: . Acesso em: 30 set. 2017.

SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO. A carta da paz social Sesc. Disponível em: . Acesso em: 23 set. 2017.

______. Diretrizes gerais de ação. 2. ed. Rio de Janeiro: Sesc, 2009. Documento interno.


[1] Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo. Disponível: . Acesso em: 23 set. 2017.

[2] World Wide Fund for Nature Brasil (WWF). Disponível: . Acesso em: 30 set. 2017.

[3] Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial. Disponível:

http://www.sp.senac.br/jsp/default.jsp?template=971.dwt&testeira=990&theme=126&type=NONE&unit=NONE Acesso em: 30 set. 2017.

[4]Editora Senac. Disponível: . Acesso em: 30 set. 2017.

[5] Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial. Disponível: . Acesso em: 30 set. 2017.

[6] Ministério do Meio Ambiente. Disponível: . Acesso em: 30 set. 2017.

[7] Programa de Sustentabilidade CNC-Sesc-Senac. Disponível: . Acesso em: 23 set. 2017.

[8] Mapa obtido no material de implantação do Programa Ecos nas federações.





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4 comentários | Comente

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Paulo Clemen |
Assim nascem grandes iniciativas. Para cada passo dado, novas perspectivas surgem.

Marcos Paulo dos Reis |
Muito interessante e inspirador o artigo. Espero que empresas possam se espelhar no exemplo. Parabéns!

Nelson Tucci |
Fernanda Lopes foi muito feliz na escolha da temática para o seu trabalho. Especialmente porque o Programa Ecos é desenvolvido por instituições (três, conjugadas) e não por empresas, o que pode aumentar a responsabilidade de quem planeja e quem executa. Cumprimento e incentivo a Fernanda a nos trazer mais estudos sobre sustentabilidade, bem como gostaria de ver a sua opinião sobre o papel da moderna Comunicação Corporativa nos processos sustentáveis dos governos municipal, estadual e federal.

Maria Augusta de Carvalho |
Parabéns pelo trabalho. Muito bem pesquisado. O mundo corporativo ainda precisa levar mais a sério esta questão, e não trabalhá-lo como marketing.