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#pluralenafilp - A jornalista Maurette Brandt relata alguns dos melhores momentos da #Flip2018, realizada em Paraty

Por Maurette Brandt / Especial para Plurale

Fotos de Flávia Rossler

Acompanhamos alguns dos melhores momentos da #Flip2018, realizada nos últimos dias em Paraty, com as enviadas especiais - a Jornalista Maurette Brandt e Flávia Rossler.

Confira aqui algumas das matérias.

Mergulho na Literatura russa

De Paraty (RJ)

Um dia, o escritor e historiador Simon Sebag Montefiore recebeu um telefonema da Rússia.

- Olha, Sr. Montefiore, nós vamos abrir os arquivos do Sr. Stalin. E o senhor será a primeira pessoa do mundo a ter acesso a eles.

Simon sentiu um frio na barriga, arrepios, pensou estar sonhando. Mas não estava.

- Venha logo!

Ele foi e a promessa foi cumprida. Foi o primeiro a ter acesso aos arquivos desde a primeira caixa. Mas foi na caixa intitulada "Miscelânea" que encontrou um dos tesouros mais preciosos: um pequeno e curto caderno manuscritos com as memórias da mãe do ditador, que tinha sido proibida de se manifestar após ter concedido uma entrevista a uma revista.

Seus assessores também estavam proibidos de escrever suas memórias, mas ela os venceu pelo cansaço.

O caderno ficou "esquecido" na caixa Miscelânea por longos 70 anos - e revelou-se a Simon, como um bafejo de sorte ou de bênção.

Na mesa "O poder na alcova", no dia 28 de julho, pela manhã, Simon teve a chance de contar essas e muitas histórias fascinantes sobre o seu percurso pela história russa, que gerou importantes obras, dentre as quais a história oculta de Catarina a Grande e Potemkin.

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Emoção no Encontro de Poetas revelados

Por Maurette Brandt - Foto de Flávia Rossler

“A liberdade é mais cara a quem a perde." Assim fala Luís Gama, poeta negro brasileiro do século 18, cuja obra foi descoberta pela historiadora, escritora e catedrática Ligia Fonseca Ferreira.

Hilda Machado, poeta carioca morta em 2007 e só agora publicada, teve sua obra resgatada pelo também poeta e editor Ricardo Domeneck.
MEsta manhã, na mesa 7 - O poeta na torre de capim, mediada por Rita Palmeira - a emoção correu solta pela revelação dessas duas histórias tão singulares, que poderiam jamais ter visto a luz, não fosse pelo esforço e paixão de Ligia e Ricardo.

Luís Gama, q nasceu livre e foi vendido pelo próprio pai aos dois anos, foi alfabetizado aos 17 anos por um estudante de Direito que morava na casa do seu senhor, em São Paulo.

Formou-se advogado, foi republicano de primeira hora, jornalista e poeta. Perseguido pela cor e pelo talento, publicou seus livros em vida.

Hilda Machado, carioca, produziu e registrou sua obra poética, mas foi publicada esparsamente em revistas literárias, por Carlito Azevedo e Ricardo Domeneck.

Ouro em pó, garimpado e transformado em livros pela persistência incansável de Ligia e Ricardo.

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ENTRE O ÊXTASE E A HISTÓRIA Por Maurette Brandt, de Plurale

Foto de Flávia Rossler

Christopher de Hamel é fascinado por manuscritos antigos desde criança. Não é à-toa que se tornou o maior especialista do mundo nesses documentos.

Numa conversa animada com a historiadora Lília Schwartz, contou por que ama qualquer manuscrito que passa por suas mãos e garante que não há limite para as preciosidades que ainda podem ser descobertas.

O autor do livro "Manuscritos Notáveis" encantou a plateia com seu entusiasmo pela beleza das iluminuras e do trabalho dos escribas que, com sua disciplina e arte, tornaram muitos livros possíveis quando ainda não era possível publicá-los.

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Foto de Walter Craveiro / @flip_se .

ABERTURA: HH por Fernanda e Jocy

Por Maurette Brandt / #pluralenaflip
Na abertura da Flip, a intensidade da obra de Hilda Hilst pôde ser sentida em seus textos, encarnados literalmente por uma Fernanda Montenegro aguerrida e vestida de vermelho, e nas obras musicais de Jocy de Oliveira, em formato operístico, inspiradas no universo da homenageada.

"Penso que escrever serve mais para perdurar, para existir, fora de nós mesmos, nos outros", sintetiza Hilda Hilst, na voz e no gesto de Fernanda, dirigida por Felipe Hirsch.

Em outro texto, interpretado magistralmente por Fernanda e que muito divertiu a plateia, HH cria a brigada exterminadora geriátrica, a ser formada por velhinhas respeitáveis, com suas bengalinhas pontiagudas devidamente embebidas em curare, que se infiltrariam inocentemente nas sessões do Congresso e da Câmara com a finalidade de espetar os "bumbuns assassinos" dos políticos.
"Como somos senhoras, ninguém nos notaria", sentencia Hilda Hilst materializada por Fernanda, diante de uma plateia que quase arrebenta de tanto rir.

A atriz Fernanda Montenegro leu trechos da obra de #hildahilst , homenageada este ano. Foi aplaudida de pé !!

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POR MAURETTE BRANDT/ Emocionada com o.convite da #Flip2018, Jocy de Oliveira relembra o primeiro contato com a poesia de Hilda Hilst, na juventude, e a longa convivência com Fernanda Montenegro, que participou de algumas de suas óperas - o drama eletrônico “Apague meu spotlight" (1961) e a ópera miltimídia "As Malibrans", 40 anos depois - antes de apresentar duas pocket óperas. Aprimeira, interpretada pelas sopranos Floriana Mendes e Gabriela Geludi, que remetia às "vozes do além", que HH procurou registrar em muitas gravações, e a segunda, "Medea Solo", que recria o mito de Medea a partir de sua resistência, com a ajuda de instrumentos musicais medievais.

Foto - Divulgação - @flip_se #literatura#literaturabrasileira #jocydeoliveira #paraty

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Mediadora de leitura encanta crianças

Por Maurette Brandt/ Foto de Flávia Rossler

De Paraty

Clélia Botelho é mediadora de leitura na Praça da Matriz, em Paraty - onde, durante a Flip, os livros dão em árvore. Sentada entre alegres almofadas e muitos livros de história, exibe seu sorriso resplandecente e me conta sua trajetória.

Há nove anos, começou a trabalhar como faxineira na Casa Azul, instituição mantenedora da Flip. Lá teve acesso a muitos livros, que devorava. O pessoal, então, a convidou para fazer curso de mediação. Aí começou o seu ponto de virada. Começou a trabalhar em hospitais da cidade e na APAE como mediadora, ao mesmo tempo em que trabalhava algumas vezes por semana em uma casa de família.

Com o incentivo da patroa, começou o curso de Pedagogia à distância, oferecido numa escola privada local. Prestes a se formar, está feliz em trabalhar na Flip e encantar muitas crianças com a magia dos livros e suas histórias sem fim.

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Frequentadoras assíduas

Por Maurette Brandt - Fotos de Flávia Rossler

De Paraty

Em 2003, a carioca Marina Beatriz de Almeida Neves (foto da esquerda, de vermelho) ouviu falar que ia ter "alguma coisa" em Paraty sobre literatura. - Chamei a Sylvia, uma amiga, e viemos - conta. - Nem aqui na cidade o povo sabia direito o que ia acontecer, imagina? Era um evento tão pequeno que aconteceu na Casa da Cultura! Mas na sexta-feira começou a chegar um monte de gente da TV Globo, a cidade encheu e foi aquela surpresa imensa que foi a primeira Flip - descreve.

Desde então, Marina e sua amiga Heloísa não perderam uma só edição. - Na minha opinião, os primeiros anos da Flip foram grandiosos - avalia. - Tantos autores importantes, tantas emoções incríveis. Com o tempo houve mudanças, mas eu aprovo. O mundo mudou também. E esta edição está sendo espetacular! - entusiasma-se. - Mesmo a gente não conhecendo a maioria dos autores, cada surpresa é melhor que a outra. Estou adorando! - sorri.

Sônia Barros (na foto da direita, de blusa verde) é uma intelectual entusiasmada que vive em São Paulo. Me lembro dela, como a primeira da fila de entrada, desde as minhas primeiras Flips. Fizemos e estreitamos uma amizade literária que já vem longa. - Eu já tinha casa aqui, mas nem me lembro qual foi a primeira Flip que assisti - sorri. - Eu gosto de ler, de assistir palestras, então comecei a me envolver com a Flip - diz. Arguta e contemporânea, sempre antenada com tudo que é novo, Sônia diz que, pra ela, a Flip é sempre uma festa. - Gosto de entrar logo, pegar o melhor lugar e aproveitar cada minuto. Afinal, tudo isso que a gente vê aqui só acontece uma vez por ano - sentencia, com mais um sorriso.

#literatura #literaturabrasileira #leitura #leitores #flipzone #paraty





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