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Municípios inovadores na gestão avançaram em serviços essenciais

Estudo da Macroplan com as 100 maiores cidades do país revela que gestão inovadora foi decisiva para enfrentar a crise

Do Rio

A terceira edição do estudo Desafios da Gestão Municipal -DGM, da consultoria Macroplan, que avalia a evolução de 160 indicadores em quatro áreas essenciais - saúde, educação, segurança e saneamento & sustentabilidade - nos 100 maiores municípios do País em termos de população (mais de 273 mil habitantes) - revelou grandes diferenças na capacidade de entregar resultados em serviços essenciais à população. Para indicar o desempenho global de cada cidade a consultoria criou um indicador sintético, composto por uma cesta de 15 indicadores de todas as áreas analisadas, o IDGM – Índice Desafios da Gestão Municipal. O IDGM varia e varia de 0 a 1 Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho do município.

Entre as dez primeiras colocadas no ranking geral do DGM-2018 destacam-se nove cidades do interior de São Paulo. Maringá é a primeira colocada no ranking geral da pesquisa, posição que já ocupava há uma década. O Estado do Rio tem quatro cidades entre as dez piores do ranking e Ananindeua (PA) está na lanterna entre as cidades analisadas.

A pesquisa da Macroplan demonstra que, nos últimos anos, a escassez de recursos financeiros foi generalizada e semelhante nas 100 cidades. A receita subiu 13,6%, de 2010 a 2016, mas o crescimento da despesa foi maior (16,8%), puxada pelos gastos com pessoal e custeio, restando cada vez menos espaço para investimentos, que teve queda de 16,4% nos últimos cinco anos. No último ano várias cidades retrocederam em pelo menos uma das quatro áreas analisadas no estudo: 17 cidades pioraram no IDGM -Educação, 40 retrocederam no IDGM Saúde, 33 pioraram no IDGM - Saneamento & Sustentabilidade e mais da metade dos municípios experimentou aumento da taxa de homicídios entre 2015 e 2016. Ainda assim, o levantamento destaca que na década houve ganhos generalizados nos municípios estudados. As cidades que apostaram em novas soluções para enfrentar dilemas como déficit de saneamento, obstáculos à educação, índices elevados de violência, problemas na saúde, tiveram progressos relevantes.

Melhores -15/100

Piores-15/100

O estudo ressalta que os líderes municipais terão que trabalhar com pressões e cobranças múltiplas, em contexto de forte escassez de recursos e acentuadas restrições burocráticas e legais. Encontrar novas soluções para esses dilemas, dentro deste cenário, é o grande desafio que se coloca para os prefeitos, legisladores e gestores públicos municipais. “Enquanto alguns municípios ficaram focados na agenda de curto prazo, outros conseguiram superar as adversidades do atual cenário e se modernizaram, com planejamento, foco e cooperação. Cidades com estruturas similares entregaram resultados muito distintos. Mais do que reduzir custos, é preciso obter ganhos contínuos de produtividade e eficiência na gestão pública,” destacou o diretor da consultoria, Glaucio Neves, coordenador geral do estudo.

Porto Alegre (RS), por exemplo, possui o maior gasto por aluno do Ensino Fundamental (R$ 16.681) e o IDEB do EFI público é 4,8 (2015). Na outra ponta, Joinville (SC) gastou menos de um terço deste valor (R$ 4.798 por aluno) e alcançou um IDEB de 6,9. O estudo aponta outros exemplos que demonstram os resultados distintos obtidos pelos municípios estudados: Petrolina (PE) saiu da 71ª posição do IDGM -Educação para a atual 39ª colocação em uma década. Já a vizinha São Luís (MA), caiu 37 posições no ranking desta área no período. Também no Nordeste, a cidade de Feira de Santana (BA) saiu da última posição no IDGM – Saúde, para a 37ª colocação, enquanto Santarém teve a maior queda da década nesta área, com perda de 55 posições no ranking . A maior evolução em Saneamento e Sustentabilidade foi registrada em Mauá (SP), que saiu da 85ª para a 26ª posição. Já a pior queda foi verificada em Juiz de Fora (MG).

Outro desafio da gestão municipal destacado no DGM é a necessidade que os gestores têm de lidar e incorporar na gestão as tendências contemporâneas de expansão da economia digital, da hiperconectividade, da economia compartilhada, dos novos hábitos de consumo e do aumento da longevidade da população. “As demandas da sociedade são de natureza distinta, variando de questões de “zeladoria” do dia a dia a demandas econômicas e sociais de médio e longo prazo. Ao mesmo tempo que precisam superar carências básicas que ainda persistem, os prefeitos precisam estar atentos às tendências das cidades mais avançadas” destacou o consultor de analytics da consultoria, Flávio Tadashi, um dos coordenadores do estudo.

Para Adriana Fontes, economista sênior da Macroplan e responsável técnica pelo estudo, buscar os casos de sucesso de outras cidades e se espelhar nos melhores exemplos como inspiração é uma forma de ganhar tempo e poupar recursos. Para permitir comparações mais equilibradas entre as diferentes cidades que compõe o DGM, a Macroplan agrupou os municípios em oito subgrupos, levando em conta variáveis relacionadas à disponibilidade de recursos e a complexidade de gestão. A partir desta análise por grupos é possível quantificar o desafio de determinada cidade em relação ao primeiro lugar do seu grupo nos 15 indicadores.

“Concentrar a agenda da gestão somente no ajuste fiscal e em ações “de varejo” e de curto prazo é abrir mão de uma janela de oportunidade para inovar. A escassez deve ser trabalhada não só como um problema, mas também como uma espécie de combustível para o novo, para a busca de formas alternativas de exercer uma boa gestão, mais eficiente e orientada para as efetivas necessidades dos cidadãos”, concluiu o diretor da Macroplan, Glaucio Neves.

O estudo contou com a parceria das seguintes instituições: MBC, Meu Município, COLAB e WEGOV.

Veja aqui a posição do seu município no ranking geral, por área ou por grupo acessando o estudo completo em: http://desafiosdosmunicipios.com.br





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