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PLURALE EM REVISTA, EDIÇÃO 63 - Uma história para inspirar brasileiros

Por Silvia Franz Marcuzzo , de Porto Alegre

Especial para Plurale

Foto de Arquivo Pessoal

Muita gente quer sair do Brasil em busca de oportunidade, porque não consegue vislumbrar um futuro promissor por aqui. No entanto, a história de um europeu que quer ficar aqui justamente por isso é de chamar a atenção. Lutz Michaelis optou ficar no Brasil, porque enxerga um imenso potencial de coisas pra fazer por aqui.

O alemão Lutz, 29 anos, conheceu o Brasil em 2012 e desde lá tem feito tudo que pode para ficar por essas bandas. Engenheiro de Energias Renováveis com mestrado em Sustainable Energy Competence veio para o Brasil para um estágio na Câmara Brasil Alemanha, no Departamento de Meio Ambiente, Energias Renováveis e Eficiência Energética em São Paulo. Ficou seis meses, prorrogou por mais seis. Seu trabalho de conclusão de curso foi sobre o potencial energético de energia eólica no Ceará.

Depois de finalizar o bacharelado, voltou para o interior do Paraná para pesquisar biomassa de eucaliptos para produção de energia na Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), em Irati, a 200km de Curitiba, entre os anos de 2014 e 2015. Ainda trabalhou na organização Sociedade do Sol em São Paulo e contribuiu para a disseminação da tecnologia social do Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC), que foi desenvolvido pela ONG brasileira.

Em 2015 voltou para a Alemanha para acabar o mestrado. Entrou em uma ONG chamada Technik ohne Grenzen – TeoG (Técnica Sem Fronteiras- TwB). A associação implementa soluções técnicas adaptadas às necessidades locais no hemisfério sul nas áreas de educação, energia, saneamento e resíduos. Todos os projetos são desenvolvidos juntos com a população local, conforme o lema da organização “Solutions applied together” - “Soluções aplicadas juntos”. Na Alemanha, durante o Simpósio Brasil Alemanha Desenvolvimento Sustentável de 2016, apresentou o case da Sociedade do Sol, sobre a implementação de ASBCs nas periferias da Região Metropolitana de São Paulo. Nessa ocasião, conheceu a professora Kátia Madruga, do Departamento de Energia e Sustentabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que estava na Alemanha para uma pesquisa de pós-doutorado e conheceu o ASBC por meio de um projeto desenvolvido no campus em Araranguá - SC.

Em 2016 começou a fazer trabalhos para a Fundação Plant for the Planet - PftP (Plante pelo Planeta). O alvo da ONG é plantar um trilhão de árvores no mundo para diminuir os Gases de Efeito Estufa (GEE) na atmosfera e empoderar jovens como Embaixadores de Justiça Climática.

As crianças desenvolvem ações com a mensagem do perigo das mudanças climáticas para a humanidade e a necessidade de se plantar mais árvores nas suas comunidades. No mesmo ano, ainda em contato com a Unicentro em Irati, voltou para desenvolver dois projetos socioambientais na cidade. Lá implementou um projeto da Técnica Sem Fronteiras, para a implementação de ASBC em sedes de cooperativas agrícolas, e organizou duas oficinas da PftP em duas escolas.

“Quando conheci o Lutz fiquei impressionada com o interesse dele em trabalhar com a transformação do país. Ele percebe que é possível empoderar a sociedade civil. Nos tornamos amigos e o convidei para palestrar na UFSC e hospedar-se na minha casa”, declara a Profa. Kátia. “Achei que poderíamos juntar forças e motivar os estudantes da engenharia de energia a serem agentes de mudança”.

Exibindo um português muito fluente, Lutz conta que no Brasil deparou-se com uma São Paulo metropolitana, os contrastes da miséria da periferia e muita criatividade para solucionar os problemas. Também acrescenta que sentiu o poder dos movimentos sociais e das soluções com energias sustentáveis por aqui.

“O Brasil tem o dobro de energia do sol que a Alemanha. Aqui temos muitos recursos naturais que precisam ser usados”, defende o ambientalista. Lutz quer difundir tecnologias de baixo custo, aproveitar o valor nas florestas e “colocando a mão na massa”.

Hoje ele é coordenador de programa da Plant for the Planet no Brasil. Atua prospectando novas oficinas e mora em Araranguá, Santa Catarina, pois sua organização realiza atividades com a comunidade através de um projeto de extensão, coordenado pela professora de gestão ambiental e planejamento energético, Kátia, e o professor de biologia, Claus Tröger Pich. Também conta com apoio de um grupo de estudantes da engenharia de energia. Em Araranguá, já foram ofertadas oficinas para alunos de duas escolas estaduais, quatro municipais e uma privada, envolvendo 150 crianças e o plantio de 160 árvores.

Em paralelo, apoiou a fundação do primeiro núcleo da Técnica sem Fronteira nas Américas em Araranguá na UFSC e auxilia na comunicação com a sede na Alemanha. Os 26 estudantes associados são formados como líderes de projetos socioambientais em workshops e desenvolvem atualmente um biodigestor de baixo custo para um pequeno produtor rural e um contêiner sustentável onde serão ofertados workshops sobre energias renováveis e eficiência energética para a comunidade local.

Mais um detalhe importante: Lutz veio como voluntário e paga todos seus custos dando aulas de inglês e alemão. Ele recebe um pequeno apoio da Plant-for-the-Planet para cada nova oficina e plantios realizados. No final de junho deste ano, ele ajudou a comandar uma mobilização através do financiamento coletivo na internet para angariar fundos para o PftP.

Técnica sem Fronteiras

A associação alemã Technik ohne Grenzen –Técnica sem Fronteiras (TsF) foi fundada em 2010 por membros aposentados da Associação dos Engenheiros da Alemanha (VDI). A TsF não tem fins lucrativos e sua sede fica em Erlangen, Bavária. Projetos são desenvolvidos em grupos autônomos com mais de 600 membros no todo pais. Fora da Alemanha, a TsF tem grupos regionais em Gana e Brasil. Até 2017, já tinha sido realizados 29 projetos na África, Ásia e nas Américas Central e do Sul.

https://www.teog.ngo/?lang=en

Plantando para o Planeta

A organização Plant for the Planet foi fundada por um menino de nove anos, hoje com 20, chamado Felix Finkbeiner. Hoje a ONG já realizou trabalhos em 66 países. No Brasil, suas primeiras atividades foram no Rio de Janeiro em 2011. Desde esse ano está registrada como associação no país e sua sede é em São Paulo. Atualmente sua atuação é forte em Mariana, onde aconteceu o pior desastre ambiental da história do Brasil. Na região do acidente, promoveu 80 oficinas de empoderamento ambiental para as crianças se tornarem embaixadores de justiça climática.

https://www.plant-for-the-planet.org/pt/home





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