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Zé Kéti- 100 anos da voz do morro

Data: De 14 a 17 de janeiro de 2021

Centro Cultural Banco do Brasil abre, no Rio de Janeiro, as comemorações do centenário de um dos maiores compositores e sambistas brasileiros.

Autor de sucessos inesquecíveis, apaixonado pelo Carnaval e pela noite carioca, ligado ao Cinema Novo e à Bossa-Nova, ele deixou uma obra que é referência, até hoje, para inúmeros artistas. Sua importante trajetória musical será lembrada com o projeto inédito “Zé Kéti - 100 anos da Voz do Morro”, entre os dias 14 e 17 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. A iniciativa acontecerá, depois, em outras cidades onde o CCBB tem centros culturais: Distrito Federal, Belo Horizonte e São Paulo. O projeto é patrocinado pelo Banco do Brasil.

Serão quatro shows com grandes representantes de várias gerações da MPB, como Zé Renato, João Cavalcanti, Cristóvão Bastos, Fabiana Cozza, Casuarina, Nilze Carvalho, Moacyr Luz e Sururu na Roda.

No repertório, músicas como A Voz do Morro, Acender as velas, Cicatriz (com Hermínio Bello de Carvalho), Diz que fui por aí (com Hortêncio Rocha), Madrugada, Malvadeza Durão, Máscara negra (com Hidelbrando Pereira Matos), Mascarada e Psiquiatria (com Elton Medeiros), Amor passageiro e Leviana.

Além dos quatro shows, dias 14, 15, 16 e 17 de janeiro, de quinta a domingo, às 18 horas, o projeto inclui bate-papos com os artistas Zé Renato, João Cavalcanti e Fabiana Cozza, às 17 horas, nas datas de suas respectivas apresentações, sobre temas bem atuais, como as mudanças de comportamento nas últimas décadas, o repertório escolhido e a influência de Zé Kéti em suas carreiras.

A Voz do Morro

José Flores de Jesus nasceu no Rio de Janeiro, em 1921. A presença da música é marcante na sua infância. O pai, o marinheiro Josué Vale de Jesus, toca cavaquinho e seu avô, João Dionísio de Santana, é flautista e pianista. Em sua casa, são frequentes as rodas de choros, com ícones como Pixinguinha. Ainda menino, ganhou um apelido, Zé Quieto, encurtado depois para Zé Quéti e grafado com um K, tornado-se seu nome artístico.

No inicio de 1950, Zé Kéti compõe o samba que se torna um dos seus maiores sucessos, A Voz do Morro. A música é gravada pelo cantor Jorge Goulart, em 1955, com arranjo de Radamés Gnattali. No mesmo ano, é tema do filme Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, e posteriormente, do programa Noite de Gala (TV Rio, Canal 13). Foi gravada, depois, por grandes intérpretes, como César Guerra-Peixe, Demônios da Garoa, Elis Regina e Jair Rodrigues, Luiz Melodia e pelo próprio autor. Em 1963, o compositor e cantor já é uma referência para os músicos que vêm da Bossa Nova. A peça Opinião, de Oduvaldo Vianna Filho, ganhou esse título a partir do samba homônimo de Zé Kéti, e contou com a participação de nomes como João do Vale, Ruy Guerra, Nara Leão, Carlos Lyra, Edu Lobo, Gianfrancesco Guarnieri e Maria Bethânia. Nesse espetáculo, ele lança também Diz que Fui por Aí (com Hortêncio Rocha) e Acender as Velas. Com o sucesso da peça, Zé Kéti viria a formar, depois, o grupo A Voz do Morro, ao lado de ícones como Élton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento e Paulinho da Viola, entre outros. No Carnaval de 1967, com Hildebrando Pereira Matos, compõe a marcha-rancho Máscara Negra, um dos maiores êxitos de sua carreira, gravada por Dalva de Oliveira, Jair Rodrigues, The Fevers, Eduardo Dusek, Elza Soares e Maria Rita. Zé Kéti morreu em 14 de novembro de 1999, aos 78 anos.

Dia 14, quinta-feira: “Eu sou o samba”, com João Cavalcanti Trio e Fabiana Cozza (participação especial)

João Cavalcanti - Foto de Flora Pimentel (Divulgação)

O primeiro show traz um panorama da trajetória do artista, passando por várias etapas da vida e obra de Zé Kéti. A boemia e malandragem cariocas, o amor à Portela e ao Carnaval, a sua parceria com o Cinema, o Opinião e os encontros no Zicartola.

Para interpretar essas pérolas da música brasileira, estará no palco João Cavalcanti, ex-integrante e vocalista do Casuarina, eleito o melhor grupo de samba duas vezes no Prêmio de Música Brasileira, com quem lançou sete CDs e dois DVDs. Em 2014, a convite do Movimento Down, João assinou a direção de Toda Cor, CD que reuniu Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Pato Fu e Elza Soares, entre outros. Suas músicas têm sido gravadas por importantes artistas brasileiros, como Lenine, Roberta Sá, Joyce Moreno, MPB4 e Zé Renato. Em maio de 2018, lançou "Garimpo", registro intimista de seu duo com o pianista e acordeonista Marcelo Caldi, com participação do cantor português António Zambujo.

A paulistana Fabiana Cozza, com oito CDs e três DVDs em sua carreira, e destaca na cena atual como uma das importantes intérpretes da música brasileira contemporânea. Sua caminhada passa pelo teatro, pela dança e pela música. Atuou em musicais no início da vida artística, e foi a vencedora do Prêmio da Música Brasileira em 2012 e 2018, respectivamente, como “Melhor cantora de samba” e “Melhor CD de língua estrangeira”.

Dia 15, sexta-feira: Zé Kéti e o Cinema” - Zé Renato e Cristóvão Bastos

Dois artistas de peso, Zé Renato e Cristóvão Bastos, levarão ao público uma faceta menos conhecida de Zé Kéti, que é a sua relação com o cinema nacional, onde teve atuação, e suas músicas fizeram parte de trilhas sonoras de filmes de grandes diretores como Nelson Pereira do Santos e Cacá Diegues.

Zé Renato (esq) e Cristóvão Bastos - Foto de Marcelo C. Branco (Divulgação)

Cantor, compositor e dono de uma voz especialíssima, Zé Renato tem 45 anos de trajetória musical marcada por inúmeros sucessos. Começou sua carreira artística participando de festivais estudantis, amadurecendo ali sua verve de compositor, e em 1978, entra no grupo Boca Livre, ao lado de Claudio Nucci, David Tygel e Maurício Maestro. Desde então, foram inúmeros discos gravados, tanto em grupo, como solo, como a bela homenagem a Zé Kéti, de 1996, “Natural do Rio de Janeiro”. Intérpretes como Zizi Possi, Leila Pinheiro, Milton Nascimento, Lulu Santos, Joyce Moreno e Nana Caymmi já gravaram suas músicas.

Compositor, arranjador e exímio pianista, Cristovão Bastos é uma das maiores referências da música brasileira atual. Nos seus 60 anos de carreira, recebeu 11 prêmios de música em diversas categorias - indicado ao Grammy e ganhador do Prêmio da Música Brasileira, e com composições como Todo o Sentimento, com Chico Buarque. É também parceiro de outros grandes nomes como Paulo César Pinheiro, Paulinho da Viola e Aldir Blanc. Suas músicas foram interpretadas por ícones como Elizeth Cardoso, Maria Bethânia, Simone e Ney Matogrosso.

Dia 16, sábado: “Diz que fui por aí” - Sururu na Roda e Moacyr Luz (participação especial)

Moacyr Luz - Foto de Marluci Martins (Divulgação)

As noites cariocas renderam a Zé Kéti muitas amizades, encontros e parcerias com grandes compositores. Nomes como Paulinho da Viola, Monarco, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Nara Leão, Cartola e Roberto Menescal se sentavam para tocar e falar de música em saraus memoráveis. E o ponto de encontro desses geniais sambistas e músicos foi o Zicartola, casa criada por Cartola e Dona Zica, que atraiu todo o tipo de gente interessada em samba e música da melhor qualidade.

Eleito Melhor Grupo de Samba pelo 25º Prêmio da Música Brasileira, em 2014, com expressiva atuação nos cenários nacional e internacional, e performances ao lado de feras da MPB, o Sururu na Roda se destaca entre os grupos que revitalizaram a Lapa carioca a partir do ano 2000. Em 2018, passa por uma grande renovação, quando seus fundadores, Fabiano Salek e Silvio Carvalho se unem à cantora Ana Costa e ao cavaquinista e arranjador Alceu Maia. Um quarteto de multi-instrumentistas cantores que interpretam e renovam o samba com o um toque do bom humor carioca.

Moacyr Luz faz parte de um grupo de artistas que não conhece fronteiras. Cantor e compositor de destaque no mundo do samba em mais de 40 anos de trajetória musical, é autor de clássicos como Saudades da Guanabara e Pra que pedir perdão. Tem parcerias com alguns dos maiores nomes da música brasileira, como Aldir Blanc, Sereno, Hermínio Bello de Carvalho, Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro. Criou o Samba do Trabalhador, movimento de resistência cultural, e é autor de sambas de enredo do carnaval carioca.

Dia 17, domingo: “Um Sambista de Opinião” - Casuarina e Nilze Carvalho (participação especial)

No encerramento do projeto, o grupo Casuarina mostra ao público um momento importante da música brasileira, onde Zé Kéti teve destaque: sua participação no emblemático show Opinião, com Nara Leão e João do Vale. Um marco de toda uma geração, com suas músicas, em tempos sombrios de ditadura, onde a produção cultural era vigiada de perto.

Casuarina - Foto de Felipe Giubilei (Divulgação)

Formado em 2001, o Casuarina tem nove CDs gravados e dois DVDs, e uma certeza de que os músicos se tornaram bambas na arte de unir letras repletas de imagens e melodias inspiradas. Atualmente, o grupo é formado por Daniel Montes, Gabriel Azevedo, Rafael Freire e João Fernando. Dos tempos em que tocava na Lapa até hoje, o grupo chegou a uma carreira internacional, que o levou para inúmeros países da Europa, além de Angola, Canadá, Cuba e Estados Unidos. Esteve ao lado de grandes artistas no palco, como Alcione, Arlindo Cruz, Maria Rita, Monarco e Elza Soares.

Ao ser flagrada pelo irmão mais velho tocando "Acorda Maria Bonita" no cavaquinho, Nilze Carvalho, aos cinco anos, começava uma história de amor com a música. Dos 11 aos 14 anos, gravou, como bandolinista, a série de LPs Choro de Menina, que lhe rendeu turnês pela Europa e Ásia. De volta ao Brasil, fundou com amigos o grupo Sururu na Roda. Cantou e tocou ao lado de grandes nomes da música, como Dona Ivone Lara, Zeca Pagodinho, Martin'ália, Nei Lopes e Nelson Sargento. Produzido pela própria Nilze e Zé Luis Maia, o CD Verde Amarelo Negro Anil foi indicado ao Grammy Latino 2015, como Melhor Álbum de Samba/Pagode.

Bate-papo

João Cavalcanti e Fabiana participam de uma conversa, dia 14, às 17 horas, sobre o tema “Em tempo: Machismo não é questão de opinião”. Eles falarão sobre misoginia e sobre as mudanças de comportamento das últimas décadas.

O tema da palestra com Zé Renato, dia 15, às 17 horas, será “Zé Kéti, Samba Carnaval e Cinema”. O cantor e compositor conversará sobre o centenário do genial artista, sua influência e sua participação em trilhas musicais do cinema nacional de diretores como Nelson Pereira dos Santos e Cacá Diegues.

CCBB

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro funciona de quarta à segunda, das 9h às 18h.

O CCBB RJ está adaptado às novas medidas de segurança sanitária: entrada apenas com agendamento on line, controle da quantidade de pessoas no prédio, fluxo único de circulação, medição de temperatura, uso obrigatório de máscara, disponibilização de álcool gel e sinalizadores no piso para o distanciamento. No teatro a capacidade foi reduzida para 50%, com higienização completa antes de cada apresentação/sessão, além do distanciamento de 2 metros entre as poltronas.

“ZÉ KÉTI – 100 ANOS DA VOZ DO MORRO” - 14 a 17 de janeiro

Local: Centro Cultural Banco do Brasil - RJ

Rua Primeiro de Março, 66 - Centro – Telefone: 3080-2020

Horário das palestras - 17 horas | Horário dos shows - 18 horas

Ingressos: R$ 30,00 - R$ 15,00 (meia)

Venda através de agendamento no site eventim.com.br

*Por determinação de decreto municipal, não há bilheteria física

Classificação indicativa: livre

Concepção e coordenação do projeto: Stella Lima

Assessoria de Imprensa:

Mônica Cotta - (21) 99994-0850, 2259-8983 - monicamccotta@gmail.com

Assessoria de Imprensa CCBB Rio de Janeiro:

Bianca Mello - (21) 99450-4869 – biancamello@bb.com.br