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A expansão urbana do Rio de Janeiro e o peixe das nuvens

A expansão urbana do Rio de Janeiro e o peixe das nuvens

Autor: AUTORES: CLAUDIO EGLER, DALTON NIELSEN, FABIO ORIGUELA DE LIRA, PAULO GUSMÃO FOTOGRAFIA: MARCO TERRANOVA
Editora: Andrea Jakobsson Estúdio
Publicação: 2019

O redesenho do Rio, de pântano a metrópole, é abordado em uma obra crítica, que se apoia na ameaça o peixe das nuvens, típico da região. Repleto de fotos históricas surpreendentes, o livro é indispensável para entender como a modificação da paisagem natural pela expansão urbana afeta o ambiente
Um grande anfiteatro natural, repleto de pântanos e planícies inundáveis, prosperou como berço de diversos seres, entre eles o peixe das nuvens, que habita grande variedade de ambientes de água doce há cerca de 200 milhões de anos. A enorme área junto ao mar, protegida pelas escarpas da Serra do Camorim e Tijuca e delimitada pelas Baías de Guanabara e de Sepetiba, corresponde à cidade do Rio de Janeiro e à região vizinha que abrange de Niterói a Macaé.
A localização estratégica contribuiu, nos primeiros séculos da colonização, para a formação de um importante polo comercial. Mas é na implementação do cultivo de cana de açúcar que a ocupação humana ganha força, com aterramentos que tornavam o local mais habitável. “Nas baixadas, o processo de ocupação e de expansão urbana foi gradativamente drenando, aterrando e impermeabilizando o solo em um movimento de descida do homem do morro para o pântano”.
Era apenas o início da ocupação que transformaria o Rio de Janeiro em uma metrópole que hoje compreende 16 muncípios, cuja expansão tem reflexos em grande parte da costa do estado, sobretudo nas áreas de baixada em direção a Macaé e Rio das Ostras.
É nas regiões inundáveis, em poças e brejos, que vive um peixe que desenvolveu uma estratégia diferenciada de sobrevivência. Seu ciclo de vida se desenrola na estação chuvosa, quando acasala e põe os ovos no substrato que em breve secará. Assim que voltarem as chuvas, ainda que se passem anos, os ovos eclodirão e o ciclo se repetirá em tempo acelerado, para garantir essa circunstância ideal. Por essa razão, são conhecidos como “peixe das nuvens”. E estão ameaçados de extinção.
As transformações drásticas registradas no cenário, das planícies inundáveis à urbanização, são destacadas no contexto histórico em “A expansão urbana do Rio de Janeiro e o peixe das nuvens”. Secar, drenar e aterrar essas áreas vem cobrando um preço enorme da rica biodiversidade da Floresta Atlântica fluminense, ameaçando centenas de seres, como o peixe das nuvens, que integram e garantem a manutenção de ecossistemas fundamentais para a sobrevivência não só de animais e plantas, mas do próprio homem. A história da ocupação é complementada pela ecologia do pequeno peixe, de notável beleza e resiliência incomparável. Além disso, aborda-se a relação do homem com a paisagem, a sua transformação em valor econômico e o consequente distanciamento da natureza.
Nos “brejos anuais” (áreas que só inundam na época das chuvas) do estado do Rio de Janeiro, havia 13 espécies de peixe das nuvens. Duas estão extintas.
Uma está desaparecida desde 2000, e as demais estão em perigo de extinção. “Falar dos pequeninos peixes das nuvens é falar um pouco de nós, de quanto somos nocivos a nós mesmos, destruindo o meio que fez parte de nosso processo evolutivo”, concluem os autores, enfatizando a urgência de proteção dos ecossistemas.
SERVIÇO
A expansão urbana do Rio de Janeiro e o peixe das nuvens
Lançamento: 17 de dezembro
Horário: 19h
Local: Blooks Botafogo (Praia de Botafogo, 316)
AUTORES: CLAUDIO EGLER, DALTON NIELSEN, FABIO ORIGUELA DE LIRA, PAULO GUSMÃO
FOTOGRAFIA: MARCO TERRANOVA
EDITORA: Andrea Jakobsson Estúdio
104 PÁGINAS
ISBN: 978-65-5086-001-1
A publicação deste livro foi possível graças ao patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Ecology Brasil, e contou com o apoio da Gitec Brasil.
Lei Municipal de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro