Atenção

Fechar

Artigos e Estudos

PLURALE EM REVISTA, Ed 36 - Gestão: a chave para o Terceiro Setor

Por Maria Elena Johannpeter (*)

Este artigo é destaque na Edição 32 de Plurale em revista que está circulando As recentes manifestações que se espalharam pelo Brasil, evidenciaram a força da mobilização e o poder que ações coletivas podem exercer sobre a sociedade. São atitudes riquíssimas, que estão impulsionando a busca por direitos palpáveis e valores intangíveis e que contribuirão para a resolução de problemas em diferentes âmbitos.

O Terceiro Setor é um grande exemplo de que o espírito de coletividade é a chave para se atingir o bem comum. E o trabalho da ONG Parceiros Voluntários prova isso a cada novo projeto que desenvolve, ao permear os valores internos, que fazem despertar nas pessoas o seu verdadeiro valor, o que as torna mais ativas e socialmente transformadoras do mundo ao seu redor. Neste sentido, as metodologias e os cursos de capacitação que está realizando com o intuito de transmitir as experiências e os conhecimentos, mostram a importância da função que cada um exerce dentro das organizações, o que gera efeitos positivos sobre o conjunto.
Com uma metodologia personalizada, desenvolvida de acordo com as demandas das organizações, o programa tem obtido resultados bastante positivos. Um exemplo aconteceu, recentemente, no Rio de Janeiro, quando levou a experiência em voluntariado e seus cursos a cinco das 32 comunidades pacificadas da cidade. Durante quatro meses, a instituição formou consultores e treinou 110 lideranças de 55 organizações da sociedade civil das comunidades do Borel, Formiga, Andaraí, Pavão – Pavãozinho e Cantagalo.
Trabalho semelhante foi desenvolvido na Bahia, onde 50 representantes de 23 entidades foram capacitadas no curso Educando para a Transparência. Com foco na qualificação da gestão e no crescimento sustentável, o curso possibilitou a reflexão do papel de cada liderança dentro das instituições, além do intercâmbio de informações entre elas. Na etapa presencial, que totalizou 80 horas, foram repassados conceitos sobre o Terceiro Setor, prestação de contas, relacionamento com os diversos segmentos da sociedade, aspectos jurídicos e tributários e práticas contábeis. Na próxima etapa, semi-presencial, os gestores implementarão, em conjunto com a equipe, as ações para a melhoria dos processos internos. Na terceira e última etapa do curso, as instituições receberão visitas técnicas dos consultores que realizam procedimentos de diagnósticos, de planejamento e de acompanhamento. O monitoramento vai permitir a orientação do planejamento, auxílio no desenvolvimento de planos de ações, análise de problemas e tomadas de decisões. O Curso Educando para a Transparência tem um período de abrangência de 11 meses.

A não adequação das instituições às metodologias de profissionalização impede o desenvolvimento das suas próprias ações, ao passo que dificulta sua candidatura a novos financiamentos, por exemplo. Por isso, há uma urgência em preencher esta lacuna, o que acaba se tornando um círculo vicioso, pois se para a ONG é um desafio conquistar patrocinadores, logo não irão dispor de recursos para o cumprimento de sua Missão, que é o compromisso com o seu público interno. Daí a importância de se buscar, cada vez mais, o compartilhar de experiências entre elas e do papel da Parceiros Voluntários, se consolidando como uma ONG especializada na assessoria de outras ONGs.

Embora a Parceiros Voluntários crie metodologias específicas para as demandas de cada organização, é fundamental ressaltar a importância da rede colaborativa formada entre as diferentes entidades. A capacitação administrativa não anda sozinha, ou seja, não é capaz de solucionar todas as necessidades que surgem em uma instituição. É preciso ter conhecimento sobre processos mais adequados a serem aplicados, e isso é possível através do diálogo entre as ONGs. É uma forma de aprender com os acertos e/ou com os erros de outra entidade. Assim, encurta-se caminhos.

O consistente trabalho de capacitação da ONG Parceiros Voluntários é, também, uma resposta e um apoio às empresas, fundações e patrocinadores, que precisam saber o destino e o resultado do capital investido nas instituições e o quanto a comunidade beneficiada está evoluindo. É a maneira mais efetiva encontrada para colaborar com o desenvolvimento profissional de outras organizações. Mais do que uma entidade engajada em disseminar a cultura do voluntariado, hoje a Parceiros Voluntários é uma Organização que se dedica à assessoria de outras Organizações. É importante lembrar que estas ações só são possíveis a partir da colaboração de investidores que acreditam que o trabalho colaborativo é a melhor forma para passar adiante conhecimentos preciosos para o desenvolvimento das entidades, multiplicando os resultados e os impactos sociais.

O Brasil encontra-se em um contexto de mudanças, é inadmissível que as organizações permaneçam enraizadas em processos amadores, que impeçam a sua evolução. Se não acompanharem o desenvolvimento da sociedade, pecam no cumprimento de seu compromisso de buscar respostas eficientes para as demandas do seu beneficiado, no que diz respeito ao atendimento das políticas públicas e de projetos que contribuam para o desenvolvimento local, o bem-estar coletivo e uma melhor qualidade de vida.
É o Terceiro Setor em um novo patamar. Sua profissionalização é indispensável para o país, pois consolida o seu papel de complementariedade às ações governamentais e o seu compromisso e apoio para o atingimento dos Oito Objetivos do Milênio.

(*) Maria Elena Pereira Johannpeter é colunista de Plurale, colaborando com artigos sobre sustentabilidade. É Presidente (Voluntária) da ONG Parceiros Voluntários. www.parceirosvoluntarios.org.br







Veja também

0 comentários | Comente

 Digite seu comentário

*preenchimento obrigatório



Ninguém comentou essa notícia ainda... Seja o primeiro a comentar!