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Ecoturismo

Guia destaca possibilidades e vantagens do turismo sustentável

Documento aponta como esse tipo de atividade está tendo um papel importante no Camboja, Ilhas Faroé e Vietnã; Brasil também tem exemplos de iniciativas semelhantes

Por Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil

Documento aponta como esse tipo de atividade está tendo um papel importante no Camboja, Ilhas Faroé e Vietnã; Brasil também tem exemplos de iniciativas semelhantes

O Camboja é um país tipicamente turístico devido principalmente à sua natureza paradisíaca e sua arquitetura mística, mas a passagem de viajantes pela região pode às vezes deixar um rastro de destruição ambiental, sem nem ao menos trazer grandes benefícios para a população. Porém, o inglês Andrew Booth viu, em uma visita de férias com a família, a possibilidade de desenvolver no país um turismo mais sustentável, e criou no Camboja a ABOUTAsia, agência de turismo que visa oferecer a seus visitantes uma viagem feita sob medida que forneça experiências típicas do país e ao mesmo tempo melhore a vida das crianças cambojanas através da educação.

Esse e outros exemplos de turismo sustentável estão presentes na terceira edição do Guia para o Turismo Sustentável (The Guide to Sustainable Tourism) da revista britânica Green & Blue Tomorrow, voltada para investimentos éticos e sustentáveis e responsabilidade social. Lançado neste mês, o guia apresenta dicas de atitudes e roteiros para quem quer fazer uma viagem mais ecológica e socialmente correta.

O documento contou com o auxílio de líderes no segmento de viagem e turismo sustentáveis, como o Conselho Global de Turismo Sustentável (GSTC), a Associação de Operadoras de Turismo Independentes (AITO) e a Associação das Agências de Viagens do Reino Unido (ABTA), e detalha como experiências de viagem podem entrar em equilíbrio com as necessidades das pessoas e do planeta.

Segundo dados do guia, 71% dos membros do portal de viagens TripAdvisor disseram em 2012 que planejavam fazer uma viagem mais ecologicamente correta nos 12 meses seguintes, e 30% afirmaram que escolheriam um destino para viajar por ser considerado ecologicamente correto.

Além disso, 46% dos respondentes de uma pesquisa da Nielsen Wire estão dispostos a pagar mais por produtos e serviços de companhias de viagem socialmente responsáveis, enquanto 93% dos leitores da Condé Nast Traveler, revista de turismo de luxo, acreditam que as companhias de viagem deveriam ser responsáveis por proteger o meio ambiente.

“É quase um pré-requisito hoje que as companhias de viagem tenham credenciais responsáveis. É meu objetivo fazer os visitantes pensarem um pouco sobre seu lugar no mundo”, afirmou Booth, que destina 100% dos lucros da ABOUTAsia para melhorar a educação no Camboja.

As Ilhas Faroé são outro exemplo de como o turismo sustentável pode ajudar a desenvolver um local. O território, dependente da Dinamarca, tem uma população de menos de 50 mil habitantes, e a maioria de seus jovens procura uma educação e empregos melhores fora das ilhas. Para se ter uma ideia, a população da região chegou a diminuir 40% nos últimos anos, o que não reservava um futuro muito promissor seus moradores.

Por isso, em 2001 foi criada uma associação para revigorar as atividades turísticas das ilhas, e colocar um fim no declínio populacional. O chamariz para o turismo foi justamente o fato de que o território é tranquilo e pouco badalado.

“As pessoas vêm para as Ilhas Faroé pela tranquilidade, pela vida na aldeia e para se sentirem anônimas”, comentou Olga Biskopstø, diretora da associação. Atualmente, o número de turistas nas ilhas é de 40 mil por ano, e está crescendo.

Além dos exemplos de nações que estão obtendo benefícios do turismo sustentável, o guia também indica que buscar um turismo responsável também traz vantagens para o visitante, principalmente aquele que busca experiências mais autênticas e de acordo com a realidade local.

A jornalista Francesca Baker afirma que o ideal é buscar consumir e praticar as atividades executadas pelos nativos. Isso, além de apresentar ao viajante os verdadeiros hábitos da região, gera a economia de uma série de recursos, uma vez que o que será consumido e feito está a um alcance mais próximo.

Baker exemplifica que nunca teria tido a oportunidade de provar pasta de arroz no Vietnã ou timpana (espécie de empadão típico) na ilha de Malta se não tivesse praticado um turismo mais sustentável, fora do percurso dos roteiros turísticos tradicionais.

Alternativas nacionais

Quem optar por fazer turismo dentro do Brasil também tem a possibilidade de fazer escolhas mais sustentáveis. Em setembro de 2013 entrou no ar o site da ONG Garupa, que se propõe a ajudar projetos de turismo sustentável no país.

O site é uma plataforma de financiamento colaborativo (crowdfunding) que une iniciativas de associações que visam atrair turistas para projetos de conservação da natureza e de populações tradicionais.

Entre eles estão o programa de visitação dos micos-leões-dourados, no estado do Rio de Janeiro, e a viagem-oficina de cerâmica pelo Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Os projetos arrecadaram quase R$ 40 mil em apenas dois meses, alcançando a meta estipulada para serem implementados.

Atualmente, está aberto para contribuição o projeto Comida Caseira e Ingredientes Orgânicos, na cidade de Agronômica, Santa Catarina, que tem como objetivo arrecadar fundos para o restaurante da Família Pires, que serve comida colonial e movimenta a economia dos produtores locais.

Outro exemplo de iniciativa de turismo sustentável em terras brasileiras é um projeto do Sebrae Mato Grosso do Sul em parceria com a Prefeitura Municipal de Bonito e a Associação Bonitense de Hotéis, que começou em 2013.

Até o momento, foram desenvolvidas ações socioculturais para evidenciar aos empresários da região o conceito exato de sustentabilidade, e para 2014 serão desenvolvidas consultorias em gastronomia para o desenvolvimento de novos pratos e uma cartilha de Boas Práticas de Sustentabilidade para Meios de Hospedagem.

“Queremos estimular a implantação de processos de excelência em sustentabilidade e contribuir para consolidar Bonito como um destino referência nesse sentido”, declarou Adelino da Costa Marques, gestor do projeto, ao jornal Folha de Campo Grande.

A iniciativa tem levado desenvolvimento à rede hoteleira do município, referência internacional em ecoturismo, e beneficiado produtores rurais da região. “Antes a gente produzia, mas não tinha onde entregar tudo. Hoje, aumentamos renda e produção”, disse Milva Moraes, produtora de orgânicos.







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