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PLURALE EM REVISTA, EDIÇÃO 42/ Estudo de caso: Gestão de Recursos Hídricos no Grupo Boticário

Por Malu Nunes, Gerente de Sustentabilidade do Grupo Boticário

1. CENÁRIO: HISTÓRICO DO PROJETO E CONTEXTUALIZAÇÃO

A degradação e escassez dos recursos hídricos apontam para um aumento dos custos e possível interferência no rendimento da operação em unidades fabris. Segundo diagnóstico divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA), há sérios riscos de o Brasil ter problemas com o abastecimento de água em 2015. A previsão é de que 71% da população urbana do país sejam afetados, um total de 125 milhões de pessoas. Com o objetivo de minimizar o impacto desse cenário, o Grupo Boticário, empresa que controlas as unidades de negócio O Boticário, Eudora, quem disse, berenice? e The Beauty Box, aumentou as iniciativas de sustentabilidade relacionadas à água, com o reúso de água nas torres de resfriamento da fábrica, em São José dos Pinhais (PR), e captando e tratando a água da chuva para utilização no Centro de Distribuição (CD) de Registro (SP).

As iniciativas estão alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa. O Grupo Boticário acredita que a redução do impacto de suas atividades no meio ambiente é essencial para o crescimento sustentável dos negócios. Por isso, a empresa definiu três frentes de atuação que englobam todos os seus processos: Matérias-primas e Embalagens, Canais de Venda e Ecoeficiência. Neste último tópico, a redução do consumo de água tem grande destaque, já que é muito necessária para a fabricação de produtos do Grupo.

2. iniciativas

A empresa tem por objetivo reduzir o consumo de água potável em todas as instalações do Grupo Boticário e minimizar a utilização de recursos naturais, por meio de processos e tecnologias mais inteligentes. Isso garante procedimentos industriais e logísticos cada vez mais eficientes que promovam a conservação de recursos naturais.

Um dos projetos para alcançar esta meta iniciou em 2012 e envolve o aumento da utilização de água de reúso, direcionando este recurso para utilização nas torres de resfriamento na fábrica de São José dos Pinhais. Esses equipamentos transferem o calor residual dos processos fabris à atmosfera e, para funcionarem, utilizam a evaporação da água para remover o calor e resfriar o fluido de trabalho. Esta água é destinada ao uso industrial, para arrefecimento de ambientes ou para o resfriamento de equipamentos.

Outro projeto foi o de viabilizar o aproveitamento da água da chuva no Centro de Distribuição de Registro (SP) e, assim reduzir o impacto da captação de água do poço artesiano que há no lugar. Desde sua inauguração, o local já trata seu efluente por meio de uma Estação de Tratamento de Esgoto Compacta e, com o uso da água da chuva, o CD dá mais um passo rumo aos princípios de Ecoeficiência estipulados pelo Grupo Boticário.

3. DESAFIOS E SOLUÇÕES

Desde 2008, a fábrica de São José dos Pinhais já possui um sistema de reúso de água para utilização nos banheiros e também na higienização e limpeza de pisos. O efluente gerado pelo local é tratado pela Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) e, parte dele, vai para uma Estação de Tratamento de Água de Reúso (ETAR). O sistema dessa estação é composto por filtros de areia, carvão, tanques de acumulação e cloração, distribuição de água, conjunto de bombas com inversores e sistema de automação.

Em 2012, o Grupo Boticário teve o desafio de atualizar esse sistema para utilizar a água de reúso na reposição das torres de resfriamento. Os equipamentos foram substituídos por um modelo mais moderno que traz mais segurança operacional, pois o esquema de resfriamento é isolado do circuito de evaporação. A empresa também integrou o processo de ozonização ao sistema, implantando lâmpadas UV que degradam o ozônio e reduzem a carga orgânica do efluente tratado. Assim, o padrão de qualidade recomendado pelo fabricante da torre de resfriamento foi atingido em 2013, quando a atualização foi finalizada. Há intenção de replicar este projeto para todas as unidades fabris do Grupo Boticário.

Já no Centro de Distribuição, a cobertura do galpão foi modificada para captar 50% da água da chuva, que é encaminhada até uma cisterna enterrada (pulmão) de 300 m². Lá, a água é filtrada por areia e carvão ativado, além de receber radiação ultravioleta e dosagem de cloro automaticamente. Após o tratamento, essa água vai para uma caixa elevatória, onde é bombeada para uma caixa elevada de 20 m³ para distribuição geral. Caso a caixa esteja cheia, a água volta a circular na cisterna. Todo sistema é automatizado por CLP (Controlador Lógico Programável) e interface de IHM (Interface Homem Máquina) para operar 24 horas, nos sete dias da semana.

4. RESULTADOS ALCANÇADOS

O Grupo entende que uma das contribuições para o meio ambiente é o desenvolvimento de processos produtivos cada vez mais inteligentes, que permitam o crescimento da organização por meio da utilização consciente dos recursos naturais e da redução do uso de matérias-primas em suas operações e em toda a cadeia de valor. O conceito “beleza é o que a gente faz”, portanto, é pautado na sustentabilidade, o que evidencia uma conduta inspiradora também no que se refere às relações humanas e ao meio ambiente. Isso expande o significado de beleza para além da estética.

Ao longo da execução dos projetos, os colaboradores foram envolvidos por campanhas de divulgação interna. Isso aumentou a conscientização deles em relação ao uso da água e desenvolveu o sentimento de pertencimento a uma empresa preocupada com a preservação dos recursos hídricos.

Com as iniciativas para a redução do uso da água potável, o Grupo Boticário deixa de extrair este recurso da bacia hidrográfica da região. Outro benefício é a redução de custos e impactos ambientais, tornando os processos da empresa mais sustentáveis.

Hoje, 40% da quantidade de água de reposição das três torres de resfriamento na fábrica de São José dos Pinhais vêm do reúso, um total de 1000 m³ por ano. Com isso, o Grupo Boticário reduziu 425 m³ do consumo de água potável em 2013. O novo sistema também permite que 68% do efluente tratado na unidade retornem como água de reúso nos vasos sanitários, mictórios, jardinagem e limpeza de piso. Até o final de 2014, essa porcentagem deve atingir 95%, um total de 29.200 m³ de água por ano, volume esse que poderia abastecer 134 famílias de quatro pessoas, anualmente. No CD em Registro, 23% da água consumida em 2013 provêm da captação de chuva, que é utilizada em vasos sanitários, jardinagem e limpeza.

A indústria inteligente encara a biodiversidade como um de seus mais importantes ativos e contribui para a sua conservação. Isso porque tem plena consciência que o equilíbrio e a estabilidade dos ecossistemas são imprescindíveis para os diversos setores da economia e, consequentemente, ao desenvolvimento do país. A efetiva relação entre “indústria e biodiversidade” também sustenta o sucesso e a permanência das empresas no mercado.





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