Atenção

Fechar

Destaques

PLURALE, ESPECIAL ÁGUA/ Chovendo no molhado

Por Jetro Menezes, Colunista de Plurale(*)

Falar da crise da água na atual conjuntura é mais fácil que tirar a chupeta da boca da criança. Vários especialistas já deram seu diagnóstico e entre eles estão, além dos fenômenos meteorológicos, as emissões elevadas de CO2, o desmatamento das florestas, o mau uso do solo e a falha na gestão dos recursos hídricos que estimularam os cenários vividos recentemente. Vale ressaltar, a baixa participação e a falta de credibilidade dos Subcomitês de Bacias Hidrográficas. Ainda temos que lembrar outras questões importantes como os pouquíssimos programas de reuso de água, as baixas iniciativas para a captação de águas pluviais e o mais importante e nem tanto comentado, os programas de educação ambiental, os treinamentos e a capacitação das pessoas para o uso mais adequado dos recursos hídricos nas cidades e nas empresas.

Considerando que esta é a única certeza que temos, o ideal é nos preparar, pois situações como essa serão cada vez mais frequentes dadas as mais variadas pesquisas sobre clima, segundo o meteorologista Gilvan Sampaio, especialista no assunto e pesquisador do INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Outro professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo Augusto José Pereira avalia que o próximo período de estiagem pode ocorrer já em 2019 e pode ser ainda mais impactante. Com base em levantamentos históricos do IAG, ele argumenta que desde 1930 sempre houve períodos de seca em São Paulo variando de 4 a 11 anos. Agora, nos resta planejar a gestão da água para os próximos anos sabendo que este cenário poderá se repetir.

Portanto, o que nos resta diante desse quadro de grave crise da água?

Entendo que devemos capacitar os nossos gestores municipais, os estudantes universitários, as empresas e principalmente os agricultores para encontrar alternativas mais sustentáveis de uso da água na agricultura. Por outro lado, devemos criar mecanismos de redução do desperdício em todas as áreas onde a água é usada. Também acredito que as prefeituras devem contratar profissionais técnicos capacitados para atuarem na gestão dos recursos hídricos nos seus municípios. Inclusive, buscar parcerias com instituições de ensino superior e de cursos profissionalizantes nas áreas de meio ambiente, para atuarem nesta área de interesse coletivo.

A educação ambiental serve para todos os setores e pode contribuir para a minimização do desperdício e do uso racional da água. Desde que seja desenvolvido por profissionais com conhecimento técnico em meio ambiente.

Na educação ambiental alguns temas importantes devem ser abordados, como: uso da água de chuva e a instalação de cisternas em propriedades particulares e nos órgãos públicos; criar debates constantes sobre a questão da água; tratar da questão da captação nas bacias vizinhas e o que isso pode acarretar e principalmente, como fazer uma gestão adequada para que no futuro as cidades estejam preparadas para enfrentar as crises ambientais inevitáveis.

Portanto, considero que a educação ambiental, com enfoque em treinamento e capacitação de quadros técnicos das empresas e das prefeituras, ainda é a melhor saída para o enfrentamento da crise ambiental.

Como as questões de meio ambiente é um processo cíclico, talvez essa seja a hora e a vez da educação ambiental para o treinamento e capacitação dos mais variados setores da sociedade.

(*) Jetro Menezes é colunista de Plurale, colaborando com artigos sobre Sustentabilidade. Gestor e auditor ambiental, especialista em Saneamento Ambiental e docente superior. Consultor ambiental nas áreas de resíduos sólidos. Foi coordenador do Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura de São Paulo, ex-diretor de Meio Ambiente da Prefeitura de Franco da Rocha e Coordenador de Programas de Projetos na Secretaria de Obras, Serviços e Habitação na Prefeitura de Mairiporã. Professor na Oficina Municipal nas áreas de resíduos sólidos e coleta seletiva.

Leia mais: http://www.palestra-ambiental.com







0 comentários | Comente

 Digite seu comentário

*preenchimento obrigatório



Ninguém comentou essa notícia ainda... Seja o primeiro a comentar!