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Vida saudável & Consumo Ético

#AsPlantasDaSaúde: As receitas do "Pajé Branco"

Com o professor-doutor da USP Sylvio Panizza aprendi mais do que o segredo das plantas, seus princípios ativos e a grandeza do conhecimento fitoterápico, mas também receitas de como preparar e manipular essas plantas para delas o que possuem para os tratamentos mais diversos.

Por Marcos Gomes, Especial para a Revista Publicittà

Eu me orgulho de ter conseguido reunir ao longo de mais de dez anos de convivência quase diária mais de 6 mil receitas de dicas caseiras de saúde, cosmética e utilidade doméstica a respeito de mais de 300 plantas. E me orgulho da fonte de onde recolhi as receitas, o saudoso professor-doutor Sylvio Panizza, grande divulgador da fitoterapia no Brasil.

Durante dez anos fiz uma série de plantas medicinais para uma revista e era ao saudoso professor Sylvio Panizza que eu recorria, pois cheguei a trabalhar na USP, onde ele lecionava, fui aluno especial de cursos seus e almoçava em sua casa nos fins de semana. Até hoje sou amigo de sua viúva, Maria Helena, e de seu filho, Sérgio, farmacêutico talentosíssimo divulgador do que a fitoterapia tem de bom.

Acho que o professor Sylvio Panizza, meu orientador no livro As Plantas da Saúde, que escrevi durante dez anos e atualizo anualmente, foi o último pajé branco, lembro do carinho com que ele estudava teses de etnofarmacologia e reconhecia a evidencia das propriedades da medicina da natureza que ele estudava.

“Vocês lembram que Cristo curou um cego aplicando terra umedecida com cuspe?”, perguntava o professor Sylvio em sala de aula, no Departamento de Botanica da Universidade de São Paulo. Ele mesmo respondeia: “Pois as bactérias da terra e as enzimas da saliva curam infeções oculares por causa de suas propriedades antibióticas.” Essa visão acurada do uso correto de cada planta e remédio e da explicação de seu funcionamento sempre me impressionou no professor amigo.

Seguindo seu próprio conselho, combino alopatia com fitoterapia, tomo remédios para hipertensão e cheguei a tomar aciclovir para combater infecção de herpes labial. Usei aciclovir quando notei o surgimento de pequenas lesões nos cantos dos lábios, mas já combinei com aplicação de tintura de guaçatonga e espinheira-santa. Lesões sumiram e nunca mais voltei a ter crise de herpes, como preventivo passo guaçatonga. Hoje, tem muito urologista recomendando extrato de Tribulus terrestris como repositor hormonal para homens, pois essa planta é precursora de testosterona, fornece moléculas para o próprio organismo fabricar testosterona natural.

O livro explica direitinho que não substitui as consultas médicas e se restringe a dar dicas sobre uso medicinal das plantas com muitas pitadas em culinária e cosmética (tem ótimos cremes hidratantes de rosa e pepino, por exemplo), traz uma introdução e um dicionário com trezentas plantas e respectivas receitas recolhidas do receituário popular e avaliadas pelo olhar da ciência de um renomado professor da Universidade de São Paulo, saudoso Sylvio Panizza.

As Plantas da Saúde mostra também como as plantas estão escondidas nos medicamentos, o acido acetilsalissílico produzido por plantas como salgueiro ou sabugueiro acabou tendo sua formula isolada e patenteada e agora é feito de macromoléculas de petróleo. Mas pude comprovar ao longo dos meus mais de 60 anos de vida que as plantas funcionam e sua atuação é mais duradoura. Chá de insulina realmente permite reduzir dosagem de remédio para diabetes e até eliminá-lo do tratamento, que deve ser acompanhado periodicamente. Chá de valeriana acalma os nervos e a euforia dos bipolares, das moléculas da raiz dessa planta é que foi isolado o ingrediente ativo do remédio alopático Torval, por exemplo. Como acontece com todos os remédios, sempre transcrevi as advertências do professor Sylvio, de que as plantas medicinais não são inócuas e podem fazer mal. Por isso no fim do livro, além de um dicionário de sintomas e plantas indicadas para tratamento éu pus uma tabela de estudos toxicológicos que alerta principalmente para o perigo do uso de plantas medicinais e remédios em geral pelas mulheres gravidas.

Recomendo para quem gosta de tratamentos naturais e dietas alternativas.

A partir das receitas de como manipular as plantas, que aprendi com o professor-doutor Sylvio Panizza, o “Pajé Branco” , busquei outras fontes, outras formas de preparar o que, associado ao tratamento médico e até o uso de fármacos, pode ser um “santo remédio” como diziam os antigos que plantavam ervas e sabiam de seu potencial de cura, ainda que sem o conhecimento, em profundidade, do mesmo.

Algumas receitas, portanto:

ABÓBORA – também chamado jerimum, o fruto da aboboreira (Cucurbita moschata, que produz frutos compridos, e suas variedades, Cucurbita duschesne, também chamada abobrinha-verde, e Cucurbita maxima, ou abóbora-moranga, de formato redondo) é muito rico em fibras, o que recomenda seu uso na alimentação diária para combater hemorróidas, varizes, arteriosclerose e diabetes. O uso de fibras na alimentação torna as fezes mais moles e volumosas, estimulando a função intestinal, o que previne diverticulites, úlceras e até câncer de cólon, além de combater o colesterol, pois aumenta a excreção de gordura. Pelos mesmos motivos, seu uso também é indicado para quem faz regime de emagrecimento. As fibras também contêm bioflavonóides, que bloqueiam os receptores de hormônios estimulantes do câncer. Outra comprovação científica: o fruto possui esteróis, que são transformados em vitamina D no organismo e estimulam a diferenciação celular (as células malignas são indiferenciadas). As sementes são vermífugas. A ingestão freqüente de abóbora também combate infeções nas vias urinárias. Possui bioflavonóides, que bloqueiam os receptores de hormônios estimulantes do câncer. É muito versátil na cozinha, podendo ser usada em doces (cremosos ou cristalizados) e salgados: cozidos, refogados, saladas e acompanhamento para carne-seca e frutos-do-mar. Como a da batata, a “massa” da abóbora cozida pode ser misturada com farinha de trigo para fazer deliciosos bolos e pães. Em saladas, combinam com salsa, manteiga e molho branco.

Pasta de sementes de abóbora contra vermes: seque ao sol ou em forno fraco as sementes de uma abóbora japonesa (pequena e arredondada, de casca verde-escura). Descasque as sementes com uma faca e soque, num pilão, 1 colher (sopa) de sementes descascadas até virarem pasta. Coma em jejum pela manhã durante vinte dias seguidos.

Chá antivermes: toste 1 colher (sopa) de sementes e ferva-as num copo americano de água durante 15 minutos. Tome em jejum pela manhã durante vinte dias (podendo alternar a cada semana com a pasta de sementes de abóbora).

Chá contra hemorragia uterina: ferva 1 xícara (café) de pedúnculos picados (cabinhos das flores) em 1 xícara (chá) de água por 2 minutos, deixe amornar tampado e tome até 3 xícaras (chá) por dia nas crises.

Expectorante e vermífugo: descasque as sementes e misture-as com açúcar mascavo e água até formar um xarope grosso. Tome às colheradas. As sementes torradas podem ser usadas como aperitivo, mas deve-se evitar temperá-las com sal, que as torna mais danosas à saúde do que úteis por causa do aumento da pressão arterial e da irritação da mucosa gástrica provocada pelo abuso do sal. Para funcionarem como vermífugas, as sementes devem ser ingeridas diariamente (1 xícara de café pelo menos) durante cerca de pelo menos 15 dias.

Tratamento contra solitária: comer só sementes de abóbora o dia inteiro para a solitária sair ou fazer a seguinte papa contra tênias: socar 50 gramas de sementes de abóbora sem casca com 3 colheres (sopa) de mel e um copo americano de água onde se deixou a casca de meio limão previamente de molho por uma noite. Beber, depois de ter ficado 12 horas em jejum. Depois de seis horas, tome uma colher de sopa de óleo de rícino. As tênias devem sair inteiras. Repita no dia seguinte.

Flores de abóbora fritas: as flores da abóbora possuem mucilagens protetoras das mucosas gástrica e respiratória e podem ser servidas cruas em saladas ou em cozidos. Também podem, esporadicamente, ser empanadas e servidas fritas. Para isso, basta temperá-las a gosto, colocar uma tira de queijo mozzarela dentro de cada flor e passá-las numa massa feita com dois ovos batidos com ¼ de colher (chá) de sal, uma xícara (chá) de água e 1 e ¼ xícara (chá) de farinha de trigo. Frite em óleo quente por poucos minutos, até dourar. Depois coloque em papel absorvente para retirar o máximo possível do óleo. Essas flores também podem ser usadas para fazer geléias e, temperadas com cravo e canela, doces cristalizados e sorvetes.

Cambuquira (sopa de brotos de abóbora): pique meio quilo de brotos tenros e frutos novos da abóbora e cozinhe com 4 ou 5 espigas de milho pequenas cortadas em fatias grossas com os sabugos, 250 gramas de carne em cubinhos, um ramo de alecrim e temperos a gosto.

Quibebe: descasque e corte em cubinhos um pedaço de abóbora madura e cozinhe num refogado e alho, cebola e sal, acrescentando 2 folhas de louro e um maço amarrado de cheiro-verde (salsa e cebolinha). Apague o fogo e retire o louro e o cheiro-verde quando os cubinhos estiverem cozidos, começando a se desmanchar.

Pão de abóbora caseiro: você vai precisar de 1 kg de farinha de trigo, 1 prato fundo de abóboras cozidas e amassadas, 2 ovos, com as claras em neve, 2 colheres (sopa) de manteiga, 1 colher (chá) de sal e 1 colher (sopa) de açúcar, 2 xícaras de leite morno, 2 tabletes de fermento Fleshman (ou 2 colheres de sopa de fermento granulado). Bata a manteiga com o leite e o fermento, acrescente a abóbora, as duas gemas e a farinha de trigo com as claras em neve aos poucos. Deixe a massa crescer no ponto (20 minutos no calor ou até 1 hora no frio). Divida a massa, faça os pães e asse em fôrma untada, levando ao forno quente pré-aquecido por cerca de meia hora.

Doce de abóbora: cozinhe 2 xícaras (chá) de abóbora cortada em cubinhos com meia xícara (chá) de água, duas colheres (sopa) de mel e 4 cravos, até formar um creme espesso Apague o fogo, acrescente 2 colheres (sopa) de suco de limão e retire os cravos. Sirva frio em tacinhas, guarnecido com coco ralado e 1 ameixa preta cozida, sem caroço.

E de lambuja aqui vai uma receita que está num blog muito legal a apenas um clique aqui.

HIPÉRICO – o Hypericum perforatum ou erva-de-são-joão é uma erva tradicional europeia. Além de seu uso medicinal, que vem desde a Antiguidade, contam as lendas que era queimada dentro das casas na Idade Média para afastar os demônios. Possui óleos essenciais (que aparecem como pequenas manchas nas folhas) com ação cicatrizante, analgésica, antibiótica e vermífuga. Tradições populares milenares indicam as folhas e as flores dessa planta para tratar feridas, úlceras, reumatismo e dores ciáticas, além de curar asma e inflamações do aparelho respiratório e do digestivo. Na Itália e em Portugal, as mães de antigamente o usavam em pequenas doses para tratar a incontinência urinária das crianças e para eliminar vermes. Moças a usavam como regulador de menstruação. Atualmente estão sendo pesquisadas suas propriedades antidepressivas, pois comprovou-se que ele possui substâncias estimulantes que agem de forma semelhante ao sal do prozac vendido nas farmácias, o que indica seu uso para depressão e coadjuvante nos regimes de emagrecimento. Tem ação antiácida, sendo indicado para casos de úlcera e gastrite.

Para tratar feridas: misture duas xícaras (chá) de azeite de oliva com 1 xícara (chá) de vinho branco. Acrescente 1 xícara (chá) de flores e folhas secas e deixe macerando por quatro dias e quatro noites. Depois, aqueça em banho-maria em recipiente destampado por duas horas. Coe num pano, espremendo bem. Guarde em recipiente escuro e tampado. Aplique com gaze, nos locais afetados.

Remédio para o fígado: despeje 1 colher (sopa) rasa de folhas e flores de hipérico e 1 colher (sopa) rasa de folha de babosa recém-picada numa xícara (chá) de água fervendo. Tampe, deixe amornar e tome em seguida. Alivia dores de cabeça de origem digestiva.

Contra asma: despeje, sobre 1 xícara (chá) de água fervendo, 1 colher (chá) rasa dos seguintes ingredientes secos: folhas e flores de hipérico, folhas de orégano e folhas de hortelã. Abafe, coe e tome adoçado com mel.

Antidepressivo: ferva 1 colher (sopa) de folhas picadas em 1 xícara (chá) de água por 2 minutos, deixe esfriar tampado e tome pela manhã e à noite.

Chá composto calmante (receita européia): você vai precisar de 1 colher (sobremesa) rasa de cada um dos seguintes ingredientes secos: galhos floridos de hipérico, flores de camomila, flores de tília, flores de lúpulo, flores de maracujá e raízes de valeriana, além de 1 colher (sopa) de folhas de erva-cidreira. Misture todos os ingredientes menos a raiz de valeriana e ferva em 2 xícaras (chá) de água, deixando amornar tampado. Paralelamente, ferva a raiz de valeriana em 1 xícara (chá) de água por dois minutos, deixando amornar tampado. Coe os dois tipos de chá e misture, voltando a aquecer antes de usar. Guarde na geladeira e tome 3 xícaras (chá) ao dia, no intervalo das refeições e ao deitar. Esse chá combate a insônia e a ansiedade.

Para conhecer as demais receitas, o livro, editado pela Paulinas, pode ser comprado no seguinte link: As Plantas da Saúde – Guia de tratamentos naturais.







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santos |
Estou muito feliz em testemunhar que  estou totalmente curado do vírus do herpes. foi uma grande surpresa para mim depois de ser enganado várias vezes tentando ser curado.