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Pacto do Rio : coalizão em torno do desenvolvimento sustentável da cidade

Por Sônia Araripe, Editora de Plurale

Junte uma economista com reconhecimento internacional pela atuação nos setores financeiro privado e público, uma filósofa de grande visibilidade, um executivo de Comunicação com trajetória de sucesso em Comunicação e Marketing empresarial e vários outros especialistas em diferentes áreas, como Terceiro Setor, Comunicação , etc. Esta mistura aparentemente improvável certamente renderia um diálogo do melhor nível intelectual. Mas, em tempos hipermidiáticos e supercontectados, rendeu muito mais: acaba de nascer uma coalizão formada por profissionais de diferentes áreas em prol do desenvolvimento sustentável do Rio de Janeiro e na integração entre asfalto e favela. Ontem, em um encontro bem informal e pragmático, no tom que o grupo pretende dar ao trabalho que começou a desenvolver no fim de 2014, foi apresentado a alguns formadores de opinião o modelo de governança do novo Pacto do Rio - por uma Cidade Integrada.

"Acreditamos que é possível sim trabalhar por um pacto baseado em articulação de redes para o Rio de Janeiro. Será o primeiro neste formato para uma megalópole latino-americana", explicou Eduarda La Rocque, presidente do Instituto Pereira Passos, a economista que após trilhar carreira de sucesso no mercado financeiro aceitou os desafios do setor público, já tendo ocupado a Secretaria de Finanças do Município do Rio e mais recentemente partiu para a área de dados e social, no comando do IPP. Ao apresentar mais detalhes de como irá trabalhar a rede colaborativa, a filósofa Viviane Mosé comparou o Pacto do Rio com um sistema de irrigação. "Já há muitos trabalhos voltados para comunidades em curso de excelente qualidade. O que pretendemos construir são as canaletas para irrigar esta rede", explicou. Marco Simões, ex-vice-presidente de Comunicação e Marketing da Coca-Cola Brasil, reforçou que não há mais tempo para esperar apenas dos políticos o compromisso de resolver as carências de uma cidade do porte do Rio de Janeiro em termos de desenvolvimento sustentável. "Não podemos mais acreditar que é possível terceirizar esta missão. A hora é esta de nos unirmos, trabalharmos em rede e cobrarmos retornos dos poderes constituídos", resumiu.

Seis meses desde o lançamento - Lançado em dezembro de 2014 e incubado no Instituto Pereira Passos (IPP), o Pacto do Rio está completando os primeiros seis meses de atuação. Novos parceiros e conquistas fizeram parte do trabalho do Pacto neste período entre o lançamento e a estruturação.

Eduarda explicou que o Pacto do Rio é "uma iniciativa única, que inaugura um modelo de governança também inédito: descentralizado, sem hierarquias e orgânico". A governança do Pacto parte do seguinte princípio: sempre há eficiência quando as ações são feitas de forma conjunta e quando as informações são compartilhadas. O compartilhamento de informações e a atuação conjunta formam, portanto, o princípio básico do modelo de governança.

Pela proposta do Pacto - tendo como princípios combater a desigualdade e focar seus esforços na geração de oportunidades para jovens, no desenvolvimento sustentável da cidade e na integração entre asfalto e favela - a ideia será atuar em conjunto a partir da construção de uma rede de informações qualificadas e compartilhadas.

Projetos serão avaliados por especialistas e receberão um selo, certificando que aquela iniciativa merece receber apoio e investimentos. Não é só: o Pacto também terá um fundo para apoiar iniciativas relevantes e em uma fase posterior também rede de voluntários, Cariocas em ação. "Será possível doar horas e não só do asfalto para as comunidades e vice-e-versa, mas também dentro das comunidades", explicou Eduarda.

Participou também do evento o recém-empossado presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Paulo Manoel Protássio. "Adotamos o Pacto na nossa agenda de trabalho prioritária e já cedemos espaço na nossa sede para a instalação do grupo de trabalho", anunciou. Também fazem parte do Pacto e estiveram ontem no evento, Rique Nitzsche, da D-Think e Zeca Borges, do Disque-Denúncia.

Saiba um pouco mais sobre o novo Pacto do Rio.

Setores

O Pacto do Rio reúne vários setores da sociedade. Cada um dos seis segmentos possui 15% da estrutura de capital do Pacto do Rio, totalizando 90%, restando para o IPP, primeiro idealizador e incubador do Pacto, os outros 10%.O novo modelo de governança vai nortear o relacionamento entre os setores. Cada novo sócio do Pacto será alocado em um dos seis segmentos de acordo com seu propósito e atividade.

Como é formado o Pacto do Rio

O Pacto do Rio: por uma cidade integrada, será composto por seis segmentos da sociedade.

Os seis segmentos

- Setor público -Executivo em suas três esferas) , Legislativo e Judiciário

- Setor privado - Empresas, Bancos e Associações

- Organismos internacionais - Instituições e Fundações internacionais

- Terceiro Setor - Organizações sem fins lucrativos

- Setor de Pesquisa - Universidades Públicas e Privados e Institutos de Pesquisa

- População - Cidadãos (beneficiários) e Investidor social (indivíduos não-governamentais e Associações)

Parcerias

São parceiros do Pacto hoje o Ministério das Cidades (Secretaria Nacional de Habitação), o Centro de Operações Rio, a Coordenadoria de Relações Internacionais da Prefeitura do Rio, a d.Think, Accenture, Binder, Agência3, Approach, CasaDigital, Noo, Instituto Igarapé, FBDS, Instituto Light, ISER, Fundação Itaú Social, Conselho Estratégico de Informações da Cidade, Rio Como Vamos, SDSN e a Bloomberg Associates.

Além destas, novas parcerias estão em andamento e negociação. Um dos novos nomes que acaba de se juntar ao Pacto é a Associação Comercial do Rio de Janeiro que anunciou o Pacto do Rio como uma de suas principais plataformas na gestão do novo presidente, Paulo Protásio, empossado ontem.

Além dos sócios, a estrutura de governança é formada pelo Conselho Pacto do Rio.

Conselho

O Conselho Pacto do Rio possui hoje seis membros efetivos:

Rique Nitzsche

Professor do MBA da ESPM RJ e professor convidado de MBA da FGV. Responsável por cursos intensivos sobre criatividade e inovação. Autor do livro "Afinal, o que é design thinking?”, autor de artigos sobre inovação e estratégia para revistas e sites nacionais e estrangeiros. Design thinker transdisciplinar, com 114 prêmios em design, responsável por projetos inovadores desde 1993 através do design thinking. Consultor estratégico de organizações governamentais e empresas multinacionais com projetos instalados em diversos países.

Marco Simões

Marco Simões é jornalista e administrador de empresas, atua como conselheiro e diretor executivo da SDSN-Brasil. Ele também serve no Conselho da Cidade do Rio de Janeiro, no Conselho Deliberativo do Akatu, no Conselho Consultivo da ABERJE e no Conselho Administrativo do grupo Attitude S.A. Foi Vice-Presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil. Anteriormente, Marco Simões teve posições de responsabilidade em empresas como o Grupo Abril, SuperVia, Accenture e BrasilConnects, tendo atuado como Diretor-Executivo, Comercial, de Comunicação ou de Marketing ao longo de mais de 20 anos.

Pedro Strozenberg

Doutourando em Direito Público na Universidade de Burgos, trabalhou na ONG Viva Rio onde contribuiu para a idealização de programas como serviço Civil Voluntário, Desarmamento e o Balcão de Direitos. Atuou na Ouvidoria Geral da Petrobras, no Programa de Proteção a Testemunhas (PROVITA) e foi colaborador em iniciativas de Segurança Pública e Direitos Humanos no Brasil. Publicou o livro "Balcão de Direitos: Resoluções de Conflitos em Favelas do Rio de Janeiro". Se especializou no tema de Mediação Comunitária, e co-coordena o Centro de Mediação Comunitário do Morro do Chapéu Mangueira e Babilônia (CEMECO). Atualmente assumiu a Secretaria Executiva do Iser.

Viviane Mosé

Viviane é poetisa, filósofa, psicóloga, psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas.

Mestre e doutora em Filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou a tese de doutorado “Nietzsche e a grande política dalinguagem em 2005 pela editora Civilização Brasileira”. Escreveu e apresentou, em 2005 e 2006, o quadro Ser ou não ser, no Fantástico, da TV Globo. Atualmente, é sócia e diretora de conteúdo da Usina Pensamento, comentarista do programa Liberdade de Expressão, na Rádio CBN.

Eduarda La Rocque

Eduarda La Rocque é presidente do Instituto Pereira Passos (IPP) desde agosto de 2012. Reconhecida por sua gestão à frente da Secretaria Municipal da Fazenda, contribuiu para o saneamento financeiro da cidade por meio do projeto Nota Carioca e da obtenção de um empréstimo de US$ 1 bilhão junto ao Banco Mundial, tornando o Rio um polo seguro de negócios após três upgrades de agências internacionais de avaliação de risco. Doutora em economia pela PUC-Rio, foi assessora da diretoria de BNDES, sócia do banco BBM e fundadora da empresa de tecnologia RiskControl.

Junia Santa Rosa

É Economista, especialista em Ciências Sociais e em Gestão Urbana e Mestre em Gestão das Cidades. Foi Diretora de Informações Técnicas da Secretaria Municipal de Planejamento da Prefeitura de Belo Horizonte, Diretora de Planejamento Regional e Setorial da Secretaria de Planejamento e Coordenação Geral do Governo do Estado de Minas Gerais. Atuou como Diretora de Planejamento e Coordenação da Secretaria Municipal de Planejamento da Prefeitura de Belo Horizonte e foi Assessora Especial da Secretaria Municipal de Coordenação de Política Social da Prefeitura de BH. Foi Professora de Metodologia Científica da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Itaúna/MG) e de Planejamento Urbano do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da FUMEC/BH. Na Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades ocupou o cargo de Assessora do Departamento de Urbanização de Assentamentos Precários, e é hoje Diretora do Departamento de Desenvolvimento Institucional e Cooperação Técnica e Secretária Nacional Substituta de Habitação.







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