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PLURALE EM REVISTA, EDIÇÃO 50 / Por amor a quatro patinhas

Por Isabel Capaverde, de Plurale

Fotos de Divulgação

A causa rende muito bem uma série de reportagens. Ganha cada vez mais ativistas. Famosos - como as apresentadoras de TV Luisa Mell e Penelópe Nova - e anônimos. Gente apaixonada capaz de dedicar à vida aos animais que chamamos de domésticos. Também como não proteger nossos melhores amigos? Estamos falando de cães e gatos que segundo dados do IBGE, em pesquisa realizada em 2013, estão em grande número nos lares brasileiros. Em 44,3% dos domicílios do país há pelos menos um cachorro, com um total estimado de 52,3 milhões de cães. Já os gatos povoam 17,7% dos domicílios, num total de 22,1 milhões de felinos. Há mais cães do que crianças nas casas brasileiras. Mas essa situação de acolhimento com tutores responsáveis, não é a realidade da maioria dos bichos. Ainda há um longo caminho de conscientização, respeito e leis mais severas contra os maus tratos aos animais. Na web, pelas redes sociais, proliferam páginas de ONGs de norte a sul do Brasil, que sobrevivendo de doações, resgatam e cuidam dos que estão pelas ruas, promovem campanhas sobre a importância da castração, da adoção ao invés da compra e lutam por leis e políticas públicas de proteção. Ativistas que ainda enfrentam o preconceito dos que acham que enquanto houver crianças e idosos em situação de miséria e sofrimento no mundo, a luta pelos animais não merece a mesma atenção.

No Sul - É na Região Sul, onde se concentra mais cães de estimação, com 58,6% dos domicílios com um ou mais cachorros que encontramos a ONG 101 Viralatas, criadora de um evento diferente em prol dos cachorros que abriga: os Passeadores Voluntários. Localizada em Viamão, cidade da Grande Porto Alegre (RS), a 101 Viralatas abriga cerca de 400 cães. Administrada por Rogério Trindade Chiocheta, a ONG nasceu da paixão se sua mulher, Aline, pelos cachorros. Também foi dela a ideia de convidar voluntários pelas redes sociais, para passear com os cachorros até uma praça que fica próxima a ONG. “Começamos com os passeios em 2013. No primeiro vieram 40 voluntários. No segundo 20. Até que a história ganhou a mídia e a repercussão foi tanta que tivemos 600 voluntários passeadores inscritos. O movimento fechou a rua, mas os vizinhos não reclamaram. Até mesmo porque, realizamos um passeio por mês”, conta Rogério.

O esquema é organizado de forma que parte dos voluntários da ONG - que hoje tem de 30 a 40 voluntários fixos - fiquem no canil preparando os cães e outra parte os conduza até os passeadores que saem em grupos de 15. Para angariar fundos, a ONG vende as guias por 10 reais e mantém no dia dos passeios, uma pequena feira com produtos com a logo da Viralatas. “Não existe um perfil determinado para os passeadores. De promotor de justiça a estudante. Jovens e casais. Vem todo tipo de gente e de todas as idades. Os passeios não estimulam tanto a adoção como gostaríamos, mas a satisfação dos cães em poder sair dos canis, correr e brincar não tem preço”.

Foi exatamente isso que motivou Lucas Moraes, 31 anos, Assistente Administrativo Financeiro, a participar do passeio. “Fiquei motivado pela ideia dos cães terem contato com o ambiente externo da ONG, onde é possível a convivência com outros cães, além dos companheiros de canil. Considero também a importância do peludo em se habituar com o uso da guia, reduzindo as chances de devolução após a adoção, pois, infelizmente, muitos adotantes não possuem a paciência necessária”. Ele e a namorada depois de dois eventos como passeadores, viraram voluntários da Viralatas. “No primeiro passeio que fomos, foi muito difícil entregar o cãozinho na hora de ir embora. Porém, essa tristeza, se transformou em interesse em ajudar a ONG a desenvolver o trabalho. O apadrinhamos, felizmente com um final feliz, pois ele já está em um lar, e hoje somos voluntários”. Em casa Lucas é tutor do Conde, cão que adotou aos nove meses.

Passeio voluntário - Quase a mesma história conta Katiele Radünz, 28 anos, arquiteta. Moradora de Porto Alegre ouviu falar da ONG e o namorado leu uma reportagem na internet sobre o Passeio Voluntário. Resolveram se inscrever. Tutora de um cão que adotou adulto de outra ONG protetora, ela caiu no choro ao devolver Feijão, nome do cachorro que foi passear com ela. “Não podia adotar o Feijão, pois já tinha um cachorro, mas a partir daí vi que poderia fazer um pouquinho mais”. Katiele passou a visitar Feijão, o levou para ser castrado e conseguiu um lar para ele. “Hoje ele mora com um casal de amigos e está muito feliz”.

Sensibilizada pela situação dos animais durante as enchentes na região serrana do estado do Rio de Janeiro, em 2011, Celina Muller (FOTO) criou o Projeto Amicão e Amicat, em Nova Friburgo (RJ). A tragédia que matou famílias inteiras desalojou e desabrigou milhares, deixou muitos cães e gatos abandonados a própria sorte. Celina lembra que após alguns meses como voluntária no salvamento e acolhimento dos animais, o galpão que estavam utilizando, localizado em área urbana, começou a causar transtornos pelo barulho e movimentação das equipes de veterinários. “Terminados os primeiros socorros, os trabalhos emergenciais, muitos veterinários voltaram para suas casas, vários animais não conseguiram um novo lar e ficaram por lá. A equipe se apegou aos animais e como eu já tinha alguns cães em casa e espaço, improvisamos um gatil e levamos todos para lá criando o Projeto Amicão e Amicat”. Celina é reconhecida e respeitada na cidade. Seu projeto é o único a promover feiras de adoção e conta com um grupo de amigos voluntários que ajuda nas campanhas de vacinação, castração, vermifugação, ração, roupinhas para frio, remédios. Teve a ideia de reunir os protetores, para ficarem mais coesos e fortes, numa cooperativa, a CPA - Cooperativa de Trabalho de Proteção Animal de Nova Friburgo. “Somos a primeira do gênero no Brasil. Conseguimos apoio da Universidade Federal Fluminense – UFF Campus Friburgo. Integramos o Programa Sustenta-Vida. Temos feitos ações nos bairros com animais de rua”.

Ativismo em Niterói - Lentamente o poder público começa a dar mais atenção à causa animal. Marcelo Pereira da Costa, diretor de Proteção Animal da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade de Niterói (RJ), comemora algumas vitórias no seu município. Nos últimos dois anos, Niterói ganhou uma política sólida de adoção de animais através da campanha “Adotar é o bicho!” que já realizou mais de mil adoções de cães e gatos. Além disso, aprovou uma lei que permite aplicar multas em quem cometer crimes contra animais na cidade. Niterói aumentou o combate à venda de animais, que já durava anos em uma praça pública, a fiscalização contra maus tratos e o número de castrações. Recentemente abriram um chamamento público para parceria com mais clínicas veterinárias o que ajudará a realizar mais castrações. Em agosto, inauguraram o primeiro ParCão da cidade, espaço para cães, mesmo local em que haverá campanhas de adoção e o Projeto Cãoterapia. Criaram diversos programas educacionais com distribuição de material informativo e em outubro foi lançada a primeira cartilha educacional para a rede municipal de ensino. Fizeram parcerias com todas as delegacias da cidade para atendimento diferenciado de denúncias de maus tratos aos animais. “Não apenas em Niterói, mas em várias cidades brasileiras tivemos avanços significativos nas leis de proteção animal. Há mais ativistas em ação, mas precisamos que muitos deles saiam do mundo virtual e ajudem no mundo real. E dialoguem entre si. Temos que ter bancadas de proteção animal nas câmaras legislativas pelo país inteiro e uma legislação federal mais completa e com penas maiores”, enfatiza Marcelo.

Como todos os demais protetores de animais, Thaisa Calvente, diretora da Associação Focinhos de Luz, localizada em Sepetiba, bairro da zona oeste no Rio de Janeiro (RJ), tem um sonho. “O sonho é a utopia de um mundo em que os animais sejam respeitados e não precisemos mais de instituições para sua proteção. Aqui nós temos alguns projetos para que os animais que estão nas ruas tenham uma vida melhor e mais digna como a construção de casinhas nas praças dos bairros e a manutenção de comedouros e bebedouros nas ruas e praças, começando pela nossa porta”, fala. A Focinhos de Luz presa muito pela organização. Conta com 20 voluntários e uma pequena equipe de seis profissionais remunerados, entre eles um veterinário. Abrigam cães e gatos e mantém a instituição através de doações e da venda de produtos na lojinha virtual no site da Focinhos. Para comprar o terreno onde construíram as instalações de canis e gatis, há quatro anos, Thaisa conta que rodaram a sacolinha, fizeram a famosa vaquinha entre os amigos. Também promovem feiras de adoção e no final do ano festas de Natal para os abrigados.

Mão amiga - Já que o sonho dos protetores ainda está longe de se realizar, outra iniciativa que merece ser replicada é a da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) que dentro do seu Programa Mão Amiga, de causas sociais, decidiu incluir entre as ações a causa animal. A ideia partiu de Adriana Beltrão, que integra a equipe da Superintendência de Comunicação e é voluntária do Programa, e foi aceita pela diretora executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes. Durante o ano o Programa promove três campanhas de doações destinadas respectivamente a crianças, idosos e animais. As doações são feitas pelos próprios funcionários e as instituições que as recebem são escolhidas depois de serem previamente visitadas pelos voluntários da CNseg, para que suas reais necessidades sejam avaliadas. “O objetivo do Mão Amiga é mobilizar, chamar atenção, provocar reflexão. Poderíamos ter eleito outro segmento para ajudar. Mas achamos que vale a pena chamar atenção sobre o abandono dos animais. Hoje existe um grande descaso e desprezo pela vida, seja ela humana ou animal. É preciso chamar as pessoas para essa responsabilidade. Temos que resgatar valores esquecidos”, acredita Solange Beatriz.

Abraçando a causa

Os que tiverem vontade de adotar ou apadrinhar cães e gatos, ser voluntário nos passeios e ações ou começar a lutar como ativista há muitas organizações não governamentais e protetores de animais pelo Brasil inteiro. Seguem os contatos dos ouvidos por Plurale.

No RS:

  • Associação 101 Viralatas

https://www.facebook.com/ONG101viralatas

https://instagram.com/101viralatas

http://www.101viralatas.com.br

No RJ:

  • Focinhos de Luz
  • https://www.facebook.com/focinhosdeluz
  • Projeto Amicão e Amicat
  • http://www.amicaoamicat.com/






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