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Congresso GIFE/ Investir R$ 12 milhões e obter R$ 33 milhões de ganhos é um bom negócio? Isto é o Social ROI

Por Nélson Tucci, de Plurale / De São Paulo

Uma empresa investe R$ 12 milhões em um determinado projeto, na região Norte do país. Faz duas escolas, centro de saúde, compra ambulância, constrói biblioteca, monta cursos de capacitação profissional e aproveita 80% da mão-de-obra local. E mais: fomenta projeto de saneamento básico e dá um “gás” na modernização da gestão pública, uma vez que esta terá um real incremento de receita. O case tem nome e endereço: Projeto Primavera Sustentável, criado pela Votorantim na cidade de Primavera, interior do Pará, onde vivem 10.000 pessoas, 50% das quais abaixo da linha da pobreza. O projeto ilustrou um dos momentos do Congresso GIFE, principal encontro sobre investimento social do Brasil, com apoio da Revista Plurale e Plurale em site.

Rafael Gioielli do Instituto Votorantim foi um dos participantes do painel “Retorno Financeiro do Investimento Social: Metodologias pra Medir Impacto para o Negócio e para a Sociedade”. O case baseou-se na construção de uma fábrica de cimento, com produção de 1,5 milhões de toneladas/ano, absorvendo 300 colaboradores, em uma região pobre, que tem IDH de 0,57 e renda per capita familiar de R$ 81,30.

A Agenda de desenvolvimento local envolveu o tripé empresa/instituto, poder público e sociedade. Gioielli mostrou a metodologia de cálculo (tendo por base o tradicional fluxo de caixa descontado), explicando que das Entradas contabilizou-se 42,3% de ganhos dos custos evitados, 50,2% de savings e 7,5% de valor adicionado. As saídas registraram investimentos, horas de equipe, despesas logísticas, custos de administração e custos de capital. Ao final, as entradas foram de R$ 33 milhões e as saídas de R$ 12 milhões. Com isto, o ROI é de 4,4 vezes, o payback de 6 y e a taxa de retorno de 59%. “Os valores ainda estão em processo de validação”, comentou o representante do Instituto Votorantim, aduzindo em seguida: “Mas também não calculamos, por impossibilidade, todos os ganhos futuros com educação por exemplo”.

Cristina Fedato (GIZ/EMM) e Paula Fabiani (IDIS) explicaram o trabalho da rede e as temáticas desenvolvidas em 2015 e as projeções para 2016, que serão mais duas: em junho e outubro, dentro de articulações locais. Companhias engajadas como Adidas, Siemens, Grupo Boticário (com quatro projetos, sendo dois de logística reversa que impactam no consumo de recursos), Odebrecht, CPFL, AES e o Instituto Votorantim foram também comentados. “Mesmo depois de se fazer tantas contas, os resultados qualitativos é que chamam a atenção. Esse é o grande ganho na mudança do mindset”, ponderou Cristina Fedato.

Paula Fabiani, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), entidade parceira do Charities and Foundation (Inglaterra) comentou o Social ROI, que considerao triple bottom line e avalia resultados. “É a combinação de medidas quanti e qualitativas”, resumiu. Annelise Vendarimini (GVCes) também esteve nos debates falando sobre fluxo de caixa descontado. “Há 12 anos temos tentado encontrar a conexão com o mercado financeiro”, disse ela, ao valorizar o processo de diálogo entre as pessoas das áreas financeira e a de sustentabilidade.

Leitura

“Políticas públicas de leitura à luz do Inaf 2015” foi um outro painel do primeiro dia. De acordo com o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), que contempla pessoas entre 15 e 64 anos, os analfabetos caíram de 12% (em 2001) para 4% (2015). Já os analfabetos funcionais recuaram de 39% para 27%, no mesmo período. O índice de proficiência, medido a partir de 2015, chega a 8% da população pesquisada.

A partir do ano passado, o Inaf passa a ser dividido em 5 categorias: analfabetos, rudimentar, elementar, intermediário e proficiente.

Em relação à leitura literária (a pesquisa pergunta sobre os últimos três meses), o índice registrou o seguinte:

- 42% dos pesquisados lêem livros religiosos (com alta predominância da Bíblia;

- 40% jornais;

- 31% revistas;

- 19% livros (romances e ficção)

De acordo com o Inaf 2015, as culturas religiosas são pulverizadas entre todas as camadas pesquisadas, mas romances e ficção concentram-se nas pessoas mais letradas.

O Congresso Gife reúne as principais lideranças de investidores sociais do país, além de dirigentes de organizações da sociedade civil, acadêmicos, consultores e representantes de governos. Neste ano o evento acontece na Fecomércio de São Paulo e vai até amanhã, dia 1° de abril, com extensa e rica programação.







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