Atenção

Fechar

Artigos e Estudos

PLURALE EM REVISTA - EDIÇÃO 63 - Saúde: melhor prevenir do que remediar

Por Solange Beatriz Palheiro Mendes

Desde o tempo dos nossos avós, já se dizia que é melhor prevenir do que remediar. Normalmente, a frase é usada em sentido figurado, em situações nas quais uma simples precaução pode evitar grandes dissabores. Quando o assunto é saúde, o sentido é mais do que próprio: evitar a doença é mesmo muito melhor do que obrigar o paciente a tomar um remédio amargo.

A população brasileira está se exercitando mais, consumindo mais frutas e hortaliças e menos refrigerantes e também fumando menos. É o que aponta a pesquisa Vigitel do Ministério da Saúde. Mas, ainda assim, uma parcela importante da população está com excesso de peso (54%) ou obesa (19%). Portanto, insistir na adoção de hábitos saudáveis é essencial para reverter esse cenário. Afinal, 80% dos ataques cardíacos prematuros (antes dos 70 anos) e derrames podem ser evitados com alimentação saudável, atividade física regular, controle do consumo de álcool e abandono do cigarro. Bastam 30 minutos de atividade física diária para uma pessoa deixar de ser sedentária. O consumo mínimo diário recomendado para uma alimentação saudável é de cinco porções de frutas e vegetais.

Campanhas de promoção à saúde e de prevenção à doença ganham cada vez mais espaço na agenda de empresas empregadoras de todos os setores, incluindo as operadoras de planos de saúde. É uma tendência irreversível que pode, sim, resultar em mais saúde e menos doenças, proporcionando mais qualidade de vida aos colaboradores e reduzindo o absenteísmo no trabalho.

Uma pesquisa realizada em 2017 pela consultoria Mercer Marsh Benefícios com 690 empresas do país, que juntas empregam 1,7 milhão de colaboradores, mostrou que os investimentos das companhias em programas para melhorar a saúde e o bem-estar dos seus funcionários cresceram 21% no período de dois anos, de R$ 224,15 para R$ 271,21 por funcionário. De acordo com o estudo, 38% das empresas ouvidas pretendiam aumentar seus investimentos em saúde e qualidade de vida nos dois anos seguintes, contribuindo para diminuir o absenteísmo e, em consequência, induzindo a melhoria da produtividade.

As ações já realizadas por elas tiveram diversas abordagens. Por exemplo, 21% das 690 companhias realizam mapeamento de perfil de saúde e casos crônicos, das quais 73% fazem mapeamento anual; 17%, bianual; e 10%, semestral. Em relação a atividades físicas, 56% das empresas têm convênio com academias; 46% possuem grupos de corrida; 31%, planos de atividade física; 23% oferecem academia dentro da companhia; e 20% dão subsídio para academia. Além disso, 41% das empresas promovem alguma ação voltada para a saúde emocional dos funcionários.

Parceria entre operadoras e empresas

Muitas dessas ações são realizadas em parceria com seguradoras ou operadoras de planos de saúde. Por sinal, diversas empresas da Saúde Suplementar vêm promovendo programas nesse mesmo sentido, ajudando a melhorar a qualidade de vida de seus beneficiários e a reduzir os gastos com tratamentos. Como sabemos, o maior problema do setor hoje está no ritmo de crescimento dos custos promovido pelo aumento do valor dos procedimentos médicos conjugado com a frequência cada vez maior da utilização. Nesse contexto, ações que ajudem a reduzir e a racionalizar o uso dos procedimentos, por meio de maior conscientização dos beneficiários, serão sempre bem-vindas.

Operadoras e seguradoras associadas à Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) oferecem aos seus beneficiários um conjunto de iniciativas de incentivo à saúde e ao bem-estar para estimular hábitos de vida mais saudáveis e prevenir doenças, além de controle de doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, osteoporose e outras.

Nesses casos, por exemplo, há uma associada que monitora seus beneficiários com doenças crônicas. Essa operadora disponibiliza uma equipe de assistência médica multidisciplinar via telefone, e-mail e visitas domiciliares para atestar a saúde do beneficiário e, ao mesmo tempo, capacitá-lo para manter sob controle suas doenças. Essa maior aproximação entre plano e beneficiários dá resultado.

Após um ano de acompanhamento, houve evolução no cuidado pessoal para 20,8% dos participantes e aumento da adesão às consultas médicas para 10% deles. Cerca de 30% dos inscritos tiveram melhora na predisposição para a prática regular de exercícios físicos e para uma alimentação mais balanceada. Já 26% dos fumantes apresentaram mais disposição para deixar o hábito, e 40% adotaram medidas para prevenir a depressão. Em dezembro último, eram mais de 12 mil beneficiários sendo acompanhados nesse programa.

Esse tipo de intervenção também resultou na melhora de indicadores clínicos, com evolução nas taxas de colesterol, redução da pressão arterial entre os hipertensos (de 20,3% para 18% das pessoas) e melhora no controle de peso: para 56,3% dos participantes com diabetes e IMC (índice de massa corporal) abaixo do peso ideal e para 38,2% dos que tinham IMC acima do ideal. Por fim, a percepção geral sobre a própria saúde melhorou para 16,4% dos participantes.

Já outra associada está focada na gestão empresarial dos benefícios de saúde dos colaboradores. A operadora busca atuar de forma preventiva sobre os maiores fatores de risco da população segurada, difundindo informações acerca de saúde, aumentando o bem-estar das pessoas e, portanto, a produtividade da empresa.

O programa envolve diversas ações: screening (rastreamento) direcionado, com mensuração de glicemia, colesterol, IMC, pressão arterial e circunferência abdominal; check-up executivo, para detecção precoce de doenças, melhoria dos indicadores de saúde individuais e redução das faltas no trabalho; imunização (vacinas); educação em saúde, mediante palestras de profissionais especializados sobre temas como saúde da mulher, alimentação saudável, tabagismo e estresse; GDC (gerenciamento de crônicos), com o objetivo de identificar e acompanhar os colaboradores com patologias crônicas; Gestantes, para acompanhar a gravidez, estimular os exames pré-natais, prevenir riscos e orientar os cuidados com o bebê e o aleitamento materno; e Programa de Abandono do Tabagismo, que inclui consultas médicas e realização de exames, prevenindo doenças e reduzindo o agravamento de doenças causadas pelo tabaco.

Outra iniciativa para estimular o beneficiário a ter mais cuidado com sua saúde foi a criação de ambientes preparados para programas de prevenção e de promoção da saúde. Trata-se de unidades específicas de atendimento multidisciplinar baseadas em atenção primária, que contam com equipes compostas por médicos de família, enfermeiros, agentes de saúde, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. O programa atende hoje mais de 125 mil pacientes em diversas cidades do país.

Por outro lado, há operadora investindo em prevenção desde cedo. Hoje, a obesidade infantil é um grave problema de saúde no país. Diante desse quadro, uma associada à Federação realiza uma série de ações com objetivo de conscientizar a sociedade brasileira sobre a epidemia da obesidade no país – atualmente, um terço das crianças brasileiras está acima do peso. Nos quatro anos da iniciativa, o movimento incluiu campanhas de comunicação e o lançamento de um portal com conteúdo técnico sobre como lidar com a doença. No ano passado, a ação firmou uma parceria com o Unicef para promoção da saúde e da alimentação saudável, por meio do Programa do Unicef Brasil.

Cuidados à saúde na terceira idade

A sociedade brasileira está envelhecendo rapidamente. O mais recente estudo do IBGE estimou que a proporção de idosos na população brasileira deverá ultrapassar a de crianças e adolescentes a partir de 2040. Em 2060, um quarto da população (25,55%) terá mais de 65 anos. Essa realidade já é sentida pelos planos de saúde.

A participação de beneficiários de planos de assistência médica a partir de 60 anos passou de 23,2%, em dezembro de 2007, para 29,7% em 2017. Nos últimos três anos, a faixa dos beneficiários acima de 80 anos foi a única que apresentou crescimento: 62%. Em todas as demais, houve queda.

Diante desse quadro irreversível, as operadoras estão se preparando para atender uma sociedade longeva. E essa assistência não se limita ao cuidado tradicional com a saúde. Por vezes, pessoas do nosso dia a dia também podem fazer a diferença na promoção à saúde. Nesse sentido, uma operadora realiza um programa voltado à capacitação de porteiros de prédios para o cuidado com a saúde de idosos. Esse profissional é preparado para atuar de maneira tanto preventiva quanto proativa na resolução de problemas do cotidiano da terceira idade, como em questões fundamentais de segurança, autonomia e mobilidade.

Outra iniciativa desenvolvida e estimulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão regulador do setor, é o projeto ‘Idoso Bem Cuidado’, que propõe um modelo inovador de atenção aos idosos. Uma operadora associada à FenaSaúde implementou esse projeto voltado para segurados a partir de 65 anos na capital paulista, no ABC e no Rio de Janeiro. São mais de 6.500 idosos sob acompanhamento do programa, que inclui monitoramento presencial, central de urgência 24 horas, rede de apoio e emergências médicas, entre outros benefícios. Com esse acompanhamento e o apoio coordenado, 79% das intercorrências foram solucionadas no próprio domicílio, e a taxa de internação nos últimos seis meses até fevereiro deste ano foi em média de 0,67%, contra 1,41% nessa faixa etária.

Essas ações são apenas alguns exemplos importantes de como a cultura da prevenção às doenças vai se disseminando rapidamente entre os próprios beneficiários, empregadores e operadoras de planos de saúde, com resultados mais do que palpáveis. O velho ditado - melhor prevenir do que remediar – está mais atual do que nunca.

(*) Solange Beatriz Palheiro Mendes é presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde)





Ir para lista de artigos e notícias


Veja também

0 comentários | Comente

 Digite seu comentário

*preenchimento obrigatório



Ninguém comentou essa notícia ainda... Seja o primeiro a comentar!