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ESPECIAL Manoel de Barros: Miudezas que encantam / Por Nícia Ribas, de Plurale

Esta reportagem foi publicada originalmente em Plurale, em janeiro de 2019. Republicamos como uma homenagem aos 104 anos de nascimento do poeta Manoel de Barros, que é comemorado neste sábado, dia 19 de dezembro de 2020 e em homenagem à família, pela ocasião do falecimento da esposa do poeta, D. Stella Barros, aos 99 anos.

Por Nícia Ribas, de Plurale

Ilustrações de Martha Barros

Seja pobre, seja rico, seja velho, seja moço e até as crianças apreciam e se encantam com as poesias e os versos soltos do poeta mato-grossense Manoel de Barros, grande exaltador da natureza e do cotidiano das pessoas. Falecido em 2014, recentemente foi lançada sua obra completa pela Editora Alfaguara, sempre com capas ilustradas por sua filha, a artista plástica Martha Barros. E no dia 13 de fevereiro de 2020 foi inaugurada, em São Paulo, a exposição Ocupação Manoel de Barros, um projeto do Itau Cultural.

Mergulhada em manuscritos, fotografias, livros, cartas e muitas saudades, Martha colabora na organização cronológica da exposição, que vai incluir seus desenhos originais que viraram capas. Ela encontrou tempo para falar com Plurale: “Papai não se preocupava com datas, fica difícil pôr em ordem toda a documentação, incluindo fotos, entrevistas e a relação de obras” A exposição paulista também vai mostrar cartas de amigos, fãs e poetas contemporâneos dele, como Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade.

Oficina de transfazer natureza - 130cm x 70cm - 2016

O homem que gostava de brincar com as palavras

Considerado um dos maiores poetas brasileiros, Manoel de Barros ganhou vários importantes prêmios literários, como o Jabuti por O guardador de águas (1989) e o prêmio Nestlé de Literatura por Livro Sobre Nada (1997). Entre os internacionais, recebeu, em Portugal, o prêmio Sophia de Mello Breyner Andersen por sua Poesia Reunida ((2009), e o prêmio Banif 2012 de Criação Literária .

Filho de fazendeiro do Pantanal, o poeta nasceu e passou sua infância em Cuiabá. Adolescente, mudou-se para Campo Grande, estudando em colégio interno. Formou-se em Direito no Rio de Janeiro. Escrevia poemas desde pequeno, mas só em 1937 publicou sua primeira obra: Poemas concebidos sem pecado. Com sua linguagem simples, coloquial e poética, Manoel de Barros expressou seu amor pela natureza e as coisas simples da vida, conquistando cada vez mais admiradores.

Um desses admiradores, o escritor moçambicano Mia Couto, dedicou a ele um de seus contos: “A Manoel de Barros, meu ensinador de ignorânças”, numa alusão a O livro das ignorânças, prefaciado pelo português Valter Hugo Mãe.

Carlos Drummond de Andrade declarou, em 1986, que Manoel de Barros era o maior poeta brasileiro vivo. Antonio Houaiss, um dos mais importantes filólogos e críticos brasileiros escreveu: “A poesia de Manoel de Barros, nesta nossa conjuntura, nacional e humana em geral, é um maravilhoso filtro contra a arrogância, a exploração, a estupidez, a cobiça, a burrice – não se propondo, ao mesmo tempo, ensinar nada a ninguém, senão que a vida”.

A bióloga Maria Clara Navarrete, amiga e admiradora do poeta, lembra que a fonte de sua inspiração foi sempre o lugar de beleza espetacular em que nasceu e cresceu, o Pantanal brasileiro: “Seu olhar atento às coisas da natureza e seu gosto pela brincadeira com as palavras o levaram à realização dos seus sonhos através da poesia.”

Em Nova York, Manoel de Barros frequentou cursos de cinema e pintura no MoMA. Viajou pela américa do Sul e pela Europa e depois de um ano, voltou e conheceu sua futura esposa, Stella. Casaram-se em 1947 e tiveram três filhos: Pedro, Martha e João. Stella, aos 97 anos, vive em Corumbá, na casa da família.

A arte de Martha Barros

“Imagens são palavras que nos faltaram", dizia o poeta. Pois sua filha Martha, a “menina avoada”, como a chamava, escolheu as imagens para extravasar seus sentimentos. Ela também se inspira na natureza, ora pássaros, ora plantas e animais, criando um mundo de cores fortes com seu traço delicado. Muitas de suas telas tornaram-se capas dos livros de seu pai.

Carioca, formada em Biblioteconomia, Martha sempre trabalhou com pintura. Ela mantém seu atelier no Rio de Janeiro e atualmente dedica a maior parte do seu tempo à organização da obra do pai.

“Natureza é uma força que inunda como os desertos.”/ Manoel de Barros

“Um fim de mar colore os horizontes.” / Manoel de Barros







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