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Tragédia em Brumadinho

"Lira itabirana", por Carlos Drummond de Andrade - Seria uma profecia??

Da Redação de Plurale

O poeta/escritor Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira (MG), onde a #Valecomeçou a sua história.

Este poema abaixo, de 1984, jamais foi publicado ...

Parece profecia .

LIRA ITABIRANA

I
O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

II
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!

III
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.

IV
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?





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1 comentário | Comente

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Antonio Thereza Filho |
Resposta ao Drummond (35 anos depois) O rio já foi doce A Vale está podre de rica A pergunta que fica, que o tempo nos trouxe: Vale a pena? Vale a pena, se a alma é pequena? Fernando Pessoa já disse que não. Mariana, Itabira, querem tirar a tua beleza Te trocar por dinheiro, lucro e ambição. Vale a pena? Outrora, o metal foi o ouro Que arrancaram do nosso Brasil Para onde levaram o nosso tesouro? Ninguém sabe, ninguém viu! Ontem foi o ouro Hoje ainda tem o ferro Amanhã que será? Só choro e berro? O choro da mata O berro do macaco Sedentos por água Por alguém que os salve. Vale a pena? Acorda Brasil varonil Teu destino não é ser servil Feito mera colônia global Rejeitar qualquer tipo de lama Seja tóxica ou de qualquer outra fama Para enfim ser potência mundial. Enquanto isso vamos aguardar Que um herói de coragem dê jeito Que nos salve destas barragens Que nos livre desse rejeito. Pois é, meu caro Drumond A rapadura ainda é doce Mas não é mole não! www.facebook.com/poetaantoniothereza