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Nescau anuncia a substituição e eliminação de canudos plásticos

Marca da Nestlé também se associou ao Projeto Tamar pela preservação de tartarugas marinhas, lançando o projeto #jogajunto

Por Nícia Ribas, de Plurale

Da Praia do Forte, BA

Um "casamento festivo" nas areias da Praia do Forte (BA) pode ter sido o marco de uma nova era na luta pela preservação da natureza. O noivo, Nescau da Nestlé, contraiu núpcias com a tartaruga-marinha, do Projeto Tamar. Brincadeiras à parte, a união da mega multinacional com a instituição que há 38 anos cuida do meio ambiente brasileiro e garante a sobrevivência de cinco das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no Planeta, tem mesmo que ser celebrada. Foi em clima de festa o encontro do dia 5 de fevereiro entre diretores da Nestlé, coordenadores do Projeto Tamar, representantes da mídia e a comunidade.

"Estamos felizes porque uma grande empresa lembrou-se de nós, só existimos porque acreditam na gente", disse o coordenador nacional do Projeto Tamar, Guy Marcovaldi ao saudar o projeto #JogaJunto, uma parceria inédita com a marca Nescau para reduzir o plástico e melhorar a saúde do mar e seus habitantes.

Na ocasião, a diretora de bebidas da Nestlé, Fabiana Fairbanks, não escondia sua satisfação ao anunciar a parceria e aproveitou para expor a meta global da sua Empresa de buscar impacto ambiental neutro em todas as suas operações até 2030: "Uma série de ações, a partir deste mês de fevereiro, ajudarão a conscientizar consumidores sobre o descarte correto das embalagens e a redução do plástico existente em nossos produtos". Além do apoio financeiro a projetos de pesquisas do Tamar, a Nestlé investirá em comunicação e embalagens sustentáveis. Todos ganham com esse casamento: "Poder contar com o Tamar, reconhecido pelo seu importante trabalho de preservação, é fundamental para nós".

Três pilares

Tudo começou porque a Nestlé queria retirar o canudinho plástico da embalagem da caixinha do Nescau, contribuindo para a redução de plástico nos mares. Foi aí que entrou a tartaruga marinha, uma das maiores vítimas do lixo. Num primeiro movimento, a marca Nescau lançou a campanha #jogapradentro em todas as embalagens, estimulando os consumidores a empurrar o canudo para dentro da caixa, garantindo a reciclagem. "Como é muito pequeno, o canudinho acabava se perdendo e indo para o lixo comum", explicou Fabiana.

Num segundo movimento, embalagens especiais levaram para dentro das casas dos consumidores essa questão da reciclagem correta e redução de plástico. Algumas caixinhas passaram a ter canudo de papel reciclado e outras simplesmente não tinham canudo. "Estimulamos o consumidor a ter boas ideias e dar sugestões para substituição do canudo, como por exemplo, o uso de macarrão furadinho, copinhos sanfonados, etc"

Uma terceira ação foi no sentido de fomentar a inovação aberta na comunidade, lançando o desafio ao público. Qualquer pessoa pode através do site da Empresa, até o dia 7 de abril, enviar projetos que, se considerados inovadores, poderão ser adotados e colocados em prática pela marca. Para Fabiana, o canudo é apenas a ponta do iceberg. Muitas ações estão a caminho no sentido de promover uma mudança de hábito na população.

As tartarugas agradecem

Desde setembro, as tartarugas marinhas estão desovando, em pleno verão, quando as praias ficam lotadas. Por isso, o Projeto Tamar trabalha a todo vapor nessa época do ano, com monitoramento constante e coleta de dados para pesquisa.

Ao receber os convidados para o lançamento do Projeto #Joga Junto, o biólogo do Tamar, Gonzalo Rosta, apresentou sua equipe, que acompanhou uma visita ao museu, onde vivem indivíduos das cinco espécies existentes no Brasil. A maior tartaruga chega a medir dois metros e pesar 900 quilos, alcançando 1 mil metros de profundidade, em busca de algas marinhas e águas vivas para sua alimentação. Durante a visita, a bióloga Taís fez a soltura de uma tartaruga da espécie cabeçuda, que estava há três meses em tratamento no Tamar. "Agora ela está pronta para voltar ao seu habitat", disse. Com a ajuda de um grupo de crianças, também foram soltos uma infinidade de filhotinhos para encanto de todos os presentes, que emocionados, aplaudiram.

Nina Marcovaldi, filha de Guy, o coordenador nacional do Tamar, nasceu quase junto com o Projeto e é uma entusiasta da preservação dos oceanos. Ela informou aos visitantes que a principal ameaça à tartaruga marinha é a pesca incidental e a segunda é o plástico: "As mudanças são difíceis, mas de pouco em pouco podemos conseguir". Em todas as praias monitoradas pelo Tamar, ocorrem programas de sensibilização, educação ambiental e valorização cultural com moradores locais e a comunidade.

Desde1980, o Projeto Tamar protege as tartarugas marinhas no Brasil. A Petrobras é sua patrocinadora oficial. São alvos de suas pesquisas e cuidados cinco espécies que ocorrem no país, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). O Tamar protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 26 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

Já noite, ao deixar o local do encontro, caminhando pela areia da Praia do Forte, um grupo de convidados foi surpreendido pela presença de uma tartaruga que acabara de desovar e voltava tranquila para o mar. Uma cena de arrepiar. Parecia mesmo que ela estava ali para agradecer o esforço Nescau+Tamar.

(*) A repórter de Plurale viajou em grupo de jornalistas a convite da Nestlé Brasil.





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Lúcia Cherem |
Parece pouca coisa, mas começando com o canudinho, a gente pode mudar muita coisa. Adorei o texto. Conta tudo com esperança e alegria. Estamos precisando...