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Bradesco reúne 2 mil mulheres em evento inspirador

Empreendedoras e profissionais de destaque dialogaram sobre engajamento, empreendedorismo e diversidade no Bradesco Women #mulheresprafrente, realizado em SP

Por Sônia Araripe, Editora de Plurale

De São Paulo

Quem ainda tinha dúvidas da presença feminina como força empreendedora, teve ontem uma prova definitiva do engajamento destas profissionais. Uma ativa plateia formada por cerca de 2 mil mulheres empreendedoras - e intraempreendedoras (que são protagonistas dentro das empresas as quais trabalham) - aceitaram o convite e foram conferir e participar do mega evento Bradesco Women #mulheresprafrente. O encontro aconteceu no Golden Hall do World Trade Center, em São Paulo, em clima de superprodução.

De acordo com dados do Sebrae, as mulheres representam 51,5% dos negócios abertos no Brasil, no entanto, por conta de diversas razões, os empreendimentos femininos fecham mais do que os masculinos. E não é só isso: ainda segundo estatísticas do Sebrae, o medo do fracasso é um dos principais motivos para as mulheres não abrirem seus próprios negócios (43% para mulheres e 34% para homens). Mas como ajudar a fortalecer este público? Que problemas são enfrentados?

Este foi o "norte" do evento, que dialogou sobre várias temas conectados: diversidade, engajamento, preconceito, questões culturais, educação financeira e dificuldades para empreender. Nomes vips - engajados nesta causa - participaram da roda de diálogo, como a dona de restaurante e jurada do programa MasterChefBr, Paola Carosella; a ativista, embaixadora da Afroeducação e escritora Alexandra Loras; a Dra. Janete Vaz, cofundadora e presidente do Conselho de Administração do Grupo Sabin; a psicóloga e psicopedagoga, especialista em investimento social privado, diversidade e equidade de gênero, gestora do Movimento Mulher 360; Miriam Goldenberg; a empreendedora Gabryella Corrêa, fundadora do app voltado só para mulheres, o Lady Driver e a designer de moda afro, Ana Paula Xongani. As moderadoras foram as jornalistas Ana Paula Padrão e Cris Bartis, criadora do podcast Mamilos.

Na programação, dois grandes paineis – um voltado para comportamento e outro para negócios – foram destaques com a participação de especialistas reconhecidos em diferentes áreas, que vão debater questões relevantes na jornada das mulheres que assumem posições de lideranças ou que decidem investir em suas vocações. O evento contou ainda com as presenças do Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, e apresentações da Diretora Executiva do Banco, Glaucimar Peticov e dos economista do Banco, Fernando Honorato - Economista-chefe do Bradesco- e Ellen Regina Steter.

Da esq para a dir: A Diretora Executiva do Brdesco, Glaucima Peticov com palestrantes Alexandra Loras, Ana Paula Padrão, Janete Vaz e Paulo Rogério.

Comportamento - O painel Comportamento, mediado pela jornalista Ana Paula Padrão, reuniu no palco: Alexandra Loras, autora de vários livros, embaixadora da Afroeducação, do museu Afrobrasil, e fundadora do Fórum Protagonismo Feminino; Margareth Goldenberg, psicóloga e psicopedagoga, especialista em investimento social privado, diversidade e equidade de gênero, gestora do Movimento Mulher 360; Janete Vaz, cofundadora e presidente do conselho de administração do grupo Sabin, eleita uma das mulheres mais poderosas do Brasil (revista Forbes) e uma das melhores gestoras de empresas do Brasil (revista Valor Liderança); e Paulo Rogério, publicitário e um dos principais especialistas em diversidade racial na comunicação no Brasil, com vasta experiência no estudo sobre o mercado multicultural e da comunidade negra.

Negócios- Já o painel Negócios, mediado pela jornalista Cris Bartis, criadora do podcast “Mamilos”, trouxe para o debate: Gabryella Correa, criadora do LadyDriver, o primeiro e maior aplicativo de transporte para mulheres da América Latina; Paola Carosella, empresária, cozinheira, apresentadora de TV e diretora do projeto Cozinha e Voz, em parceria com a ONU e OIT; Ana Paula Xongani, empresária de moda afro-brasileira e criadora de conteúdo para marcas e redes próprias; e Fernando Honorato; economista e diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

“Em um tema tão contemporâneo, o Bradesco opta por não ser apenas um espectador, mas um parceiro das mulheres que reconhece seus desafios e seu papel fundamental para a evolução da sociedade e do mercado”, disse Glaucimar Peticov, Diretora Executiva do Banco. “Nossa principal mensagem com esse evento é mostrar que as mulheres não estão sozinhas e que, afinal, é somente com diálogo, reflexão e vontade genuína de evoluir que poderemos elevar a sociedade a um outro patamar”, concluiu.

Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, fez questão de prestigiar o encontro. “Queremos dar contorno prático à diversidade” , destacando que isso resulta em resultados, não só financeiros , mas também de compromisso de fazer um mundo melhor.

Diversidade - O Presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, fez questão de prestigiar o encontro. Falou sobre a relevância das mulheres não só para a Organização, mas para a economia brasileira e ainda contou como estão encarando os novos tempos. “O tempo da zona de conforto acabou. E isso é muito bom. As pessoas é que fazem a diferença . Assim nasceu o programa #aliadosporrespeito”. Contou que estão revendo até mesmo os padrões de roupas no grupo, o “dress code”, como terno e gravata e o tailleur para as mulheres . Assim , a corporação convive com esta possibilidade de vir mais casual se não houver uma reunião importante ou visita a cliente . “Queremos dar contorno prático à diversidade” , destacando que isso resulta em resultados, não só financeiros , mas também de compromisso de fazer um mundo melhor.

Os paineis foram inspiradores, com falas e abordagens práticas de quem convive de perto com as dificuldades ao empreender no Brasil. "Há um vício cultural que parece dizer para as mulheres para fazer outra coisa, que ambição não é para nós", destacou a apresentadora Ana Paula Padrão, lembrando que algumas pessoas pensam - quando o sucesso chega - ser sorte, mas, na verdade, é resultado de um intenso trabalho. Alexandra Loras advertiu haver muito preconceito e até mesmo autossabotagem entre as mulheres. "Muitas acham que não vão conseguir, não vão dar certo em seus negócios. Não pode ser assim", disse e alertou que o estereótipo da princesinha aguardando o príncipe deve ser enfrentado. Também a psicopedagoga Miriam Goldemberg destacou que há muito de pressão cultural e mitos neste enfrentamento. "Sempre falo com as empresas que tem que realmente mergulhar na diversidade e que não é só na questão sexual, mas também racial."

O publicitário baiano Paulo Rogério, também ativista e criador da aceleradora de negócios para empreendedoras negras - a Vale do Dendê - lamentou que o Brasil ainda seja racista e preconceituoso com mulheres negras da periferia. "O mercado empreendedor brasileiro hoje é principalmente feminino e negro. Há grandes ideias inovadoras de negras da periferia. Mas é muito difícil para elas terem acesso à rede, oportuinidades e financiamento." Na avaliação de Janete Vaz, cofundadora do Grupo Sabin, falta união de mulheres. "É preciso compartilhar ideias e bons exemplos."

A economista do Bradesco, Ellen Steter, falou sobre as projeções macroeconômicas do banco e traçou um cenário moderadamente otimista para a plateia, com queda de juros e apreciação do câmbio. "O comércio está com boas perspectiva."

A segunda rodada de diálogo foi moderada por Cris Bartis, do Podcast Mamilos, que pontuou para o peso de questões culturais arraigadas para as mulheres vencerem em suas carreiras. "É preciso se desfazer do conceito de supermãe, supermulher, superprofissonal...e rever o conceito também de sucesso. Para mim, sucesso é estar bem com a minha família." Esta segunda roda de diálogo foi aberta pelo Economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, citando estatísticas sobre o empreendedorismo feminino. Destacou a força dos negócios criados por mulheres, mas alertou que é preciso reforçar o conhecimento de investimentos e da área financeira. "Poucas mulheres fazem investimentos e cursos de finanças. Mas as pesquisas mostram os bons resultados das envolvidas, com melhores performances do que os homens." Paola Carosella contou que não é fácil para as mulheres - com várias jornadas (em casa, no trabalho, com filhos, pais, etc), dar conta de tantas tarefas. Foi aplaudida ao responder que sucesso "é ter as contas todas pagas no fim do mês." E arrancou risadas do público ao comentar a questão da pouca aderência - digamos assim - do público feminino dos temas financeiros. "Sempre que falo com o meu gerente do banco acho que estou em Xangai. Não entendo o que ele fala. E já começo a pensar em como melhorar a receita da batata gratinada. De cozinhar, do meu negócio, eu entendo."

Cases de sucesso - O case de sucesso do aplicativo Lady Driver - com motoristas mulheres apenas para mulheres - foi apresentado pela empresária Gabryella Correia. "Sofri assédio de um homem no outro aplicativo e comecei a pesquisar o que poderia criar focado no público feminino. Estudei, pesquisei muito e estamos com excelente captação em fundo de investimentos." Atualmente, o app funciona apenas em SP, com rede de 40 mil motoristas mulheres e já tem 1 milhão de downloads. Outro assunto também muto citado foi a importância de mentorias, da possibilidade de profissionais bem sucedidas poderem compartilhar com outras iniciantes suas experiências. A empresária de moda afro, Ana Paula Xongani, contou que já teve grandes mentoras e sugeriu que novas empreendedoras busquem mentorias. E foi aplaudida ao contar que quem veste a sua marca, veste discurso."

Adriana Carvalho, do ONU Mulheres, encerrou o evento apresentando a plataforma #heforshe e falando sobre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, cujo lema é não deixar ninguém para trás.

Cintia Ramos, da startup Diáspora Black, com foco em turismo para afrodescendentes - “O evento foi muito inspirador e impactante”

Público - A plateia aplaudiu e apovou o modelo do evento e saiu bem inspirado. Como a jovem Cíntia Ramos, 29 anos, da Diáspora Black , uma startup de turismo focada em roteiros com temática na história afrodescentene. “O evento foi muito inspirador e impactante”, avaliou. Ela contou que trabalhava antes como gestora emum grande portal global de turismo, mas ficava incomodada por ser a única Executiva negra. A Diáspora já existia e ela se uniu ao negócio . O principal roteiro da agência é viagem para o histórico Quilombo de Palmares, em Alagoas. A administradora Carolina Camargo, 25 anos, também adorou participar do #mulheresprafrente. Trabalhando em uma incorporadora imobiliária, não imaginava o que iria ouvir na manhã de palestras. "Sonho um dia abrir um café. Adorei as falas de todos. Saio daqui com várias dicas."

- Confira mais fotos do evento aqui em Plurale e veja a cobertura de #mulheresprafrente de Plurale no twitter , instragram e Facebook .





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