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O Bom Senso e a Infraestrutura

Por Rudolf Höhm , Colunista de Plurale

O que teria o bom senso a ver com a infraestrutura?

Espero poder responder a esta pergunta neste artigo.

Bom senso, será que tem o mesmo significado para todas as pessoas? Dizem que Napoleão Bonaparte escolhia os seus generais pelo critério do bom senso. Como o bom senso envolve uma serie de qualidades e sabedorias, ele elegeu dois sensos que, segundo suas convicções, quem os possuísse muito provavelmente teria em geral o bom senso em tudo mais que fizesse ou decidisse. O primeiro deles refere-se ao senso de proporções. Ou seja, não fazer de um copo de agua uma tempestade ou vice-versa, não dar importância aos centavos quando os milhões escapam entre os dedos. O segundo diz respeito ao senso de oportunidade. Saber avaliar a ocasião adequada para cada ação. Ou seja, interromper uma reunião importante com um assunto sem relevância, criticar uma pessoa na frente de outros, são exemplos. A minha experiência liderando pessoas demonstrou que, realmente, pessoas que possuem estes dois sensos desenvolvidos são pessoas que têm de um modo geral um bom senso bem apurado, sabendo adequar as regras e costumes a uma realidade e ponderando adequadamente suas consequências .

Pois bem, tanto na gestão da vida privada como da vida pública, o grande desafio que se apresenta, vide a situação atual do nosso País, é o de definir adequadamente as prioridades. Desafio este que se torna cada vez mais desafiante na medida em que os recursos se tornam cada vez mais escassos. É ai que entra o bom senso, saber estabelecer as prioridades corretas e adequadas aos recursos disponíveis e avaliando as possíveis consequências. É evidente, sem precisar apelar para o bom senso, que as prioridades básicas serão sempre as principais: educação, saúde , moradia e segurança. Na minha opinião a infraestrutura do Pais merece um destaque maior e não pode ser relegada a um segundo plano. Mesmo para satisfazer as prioridades básicas a infraestrutura é fundamental. Na educação, construindo escolas e meios de transporte principalmente nas áreas mais remotas. Na saúde, construindo postos de saúde, hospitais, transporte para os doentes. Como ter uma saúde eficiente sem saneamento básico e distribuição de agua potável ? Será que esta é uma prioridade da maioria dos nossos municípios, investir nesta área? Com relação ao saneamento, além da questão da saúde pública temos a questão da poluição generalizada causando danos significativos ao meio ambiente. Sem dúvida uma das maiores preocupações na preservação do equilíbrio ecológico dos nossos ecossistemas. A infraestrutura também é fundamental na questão da oferta de moradias e na questão da mobilidade urbana permitindo uma distribuição melhor das regiões residenciais evitando aglomerações insustentáveis como temos hoje.

Nunca seremos um país competitivo internacionalmente com a infraestrutura atual. Estamos competindo com países como a Alemanha que acaba de inaugurar uma autoestrada eletrificada na qual os caminhões com tração elétrica podem ser carregados em pleno movimento, não necessitando parar para carregar suas baterias. Somente para dar um exemplo da distância que nos separa.

A infraestrutura é a alavanca do desenvolvimento, seja na área dos transportes, da energia, do saneamento ou das telecomunicações. Isto é, ela é a base para que as atividades econômicas, tanto em agropecuária, indústria ou serviços, possam prosperar competitivamente.

Qualquer investimento em infraestrutura traz, além do beneficio auferido com a sua finalidade intrínseca, um beneficio de extrema importância que é a geração de empregos que por sua vez é altamente relevante para outras prioridades básicas como a educação e a segurança.

Dada a quantidade de áreas que necessita de investimento, das geografias onde eles sejam mais relevantes e da otimização dos benefícios decorrentes, é fundamental que tenhamos o bom senso entre todos aqueles responsáveis pela definição das prioridades para que os recursos disponíveis, sejam eles públicos ou privados, possam ser canalizados para o que realmente importa para o desenvolvimento do nosso País e para a melhoria da condição de vida do nosso povo.

Por falta de bom senso temos muita dificuldade de fazer uma reunião de condomínio capaz de resolver os problemas comuns dos condôminos. Se temos dificuldades no condomínio, me pergunto o que será do município, do estado e do País. Rezo para que tenhamos juntos mais bom senso e que possamos dar mais importância à nossa infraestrutura.

(*) Rudolf Höhn é Colunista colaborador de Plurale e Sócio-Diretor da E-Hunter. Foi presidente da IBM no Brasil.





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