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A hora e a vez de quem vem da floresta

Seminário coordenado pelo Instituto Ipê e pelo ICMBio reúne, em Brasília, as principais lideranças de comunidades de várias Unidades de Conservação da região amazônica, unidas pelo sucesso do o programa MONITORA

(*)Por Maurette Brandt, de Plurale

De Brasília (DF)

Entre os dias 4 e 6 de junho, muitas vozes da floresta, com todos os seus matizes, sons e vitalidade, se levantaram em Brasília. Não para protestar, mas para construir uma poderosa trilha de saber e prática, de dedicação e determinação. Essas foram as marcas do II Seminário de Construção Coletiva de Aprendizados e Conhecimentos – CCAC, que avaliou os caminhos, erros e acertos do programa Monitora e de sua metodologia vencedora: o Monitoramento Participativo da Biodiversidade, carinhosamente conhecido como MPB.

Centenas de monitores afluíram à cena, vindos de praticamente todo lugar: de São Paulo, de Brasília, do Médio Juruá, da Floresta Nacional do Jamari, da reserva extrativista de Cazumbá-Iracema, no Acre; de Tapajós-Arapiuns, no Pará; das montanhas do Tumucumaque, em Rondônia...

São vozes fortes, que fazem ecoar cada pequeno e grande sucesso na defesa dos territórios, os resultados expressivos do monitoramento e as ações diretas com foco na preservação de várias espécies. O estimulante diálogo, as dinâmicas e as deliberações convergem no sentido de legitimar, cada vez mais, os resultados mais que animadores do MPB. Em paralelo, histórias de vida, uma determinação inabalável em conduzir e proteger o monitoramento e seus resultados, uma força interior imbatível para defender a terra e tudo-aquilo-que-se-planta-dá.

Monitores revelam sua força no II Seminário CCAC, promovido pelo Ipê e ICMBio, em Brasília/DF - Foto: Maurette Brandt/ Plurale

A proposta do Seminário foi não só apresentar os resultados alcançados pelo programa em várias frentes, mas refletir, com todos os principais atores das transformações que o Monitora vem trazendo, sobre o presente e o futuro do programa, as responsabilidades dos monitores e o melhor modelo a seguir. Tathiana Chaves, do ICMBio, e Cristina Tófoli, do Ipê, fizeram a abertura do encontro, que teve mediação de Leonardo Rodrigues e Marcos Ortiz, do Ipê.

Figuras centrais do monitoramento participativo da biodiversidade, os monitores brilharam em sua grandiosa simplicidade. Todos, sem exceção, têm uma consciência profunda do seu papel no processo e uma disponibilidade invejável para proteger, cuidar e crescer em comunidade. Desta vez os biólogos, parceiros essenciais no contexto do programa, deram passagem aos saberes tradicionais, que são hoje parte integrante de toda e qualquer ação ou projeto de pesquisa desenvolvida no âmbito das UC.

Cibele Tarraço (Ipê), com a Edição 66 de Plurale em revista, ao lado da Repórter Maurette Brandt - Foto: Juliana Nogueira

A partir de hoje, Plurale passará a contar muitas dessas histórias, cada uma mais especial que a outra. O rio cristalino das emoções que registramos não para de correr. Vamos visitar juntos cada ponto em que ele deságua, aprendendo com seu percurso, acidentado ou não, longínquo ou apenas tortuoso. Todos são protagonistas de algo maior, que transcende distâncias ou vastidões medidas em quilômetros. Isso envolve coragem, a consciência do pertencimento e a firme vontade de preservar cada vida, cada centímetro do chão que faz respirar o mundo. Preparem-se para grandes emoções!

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DESABRAÇANDO ÁRVORES: MAIS DE 12 MIL DOWNLOADS, 10 MIL SEGUIDORES E MUITA POPULARIDADE

Com humor e muita criatividade, Fernando Lima leva a ecologia muito além dos estereótipos: com 18 podcasts disponíveis e ouvintes espalhados por várias partes do mundo, o biólogo especializado em predadores populariza a ciência e conquista uma audiência fiel e variada, que não se restringe ao meio acadêmico

Por Maurette Brandt, de Plurale

De Brasília (DF)

Mineiro da região de Carangola, com 41 anos e 16 de Ipê, o biólogo Fernando Lima – um dos integrantes da equipe do II Seminário CCAC em Brasília, entre 4 e 6 de junho - encontrou um jeito descolado de falar de tudo sobre Ecologia e Ciência. E o mais importante: está bombando nas redes sociais, cheio de fãs de todas as idades. Pensando em desmistificar temas ecológicos e científicos e evitar o estigma do ecochato, Fernando criou o DesAbraçando Árvores, uma série de podcasts cujo slogan é “Ciência levada a sério... Ou não”, que cativam pela forma divertida de abordar os temas, além de propor brincadeiras e desafios que premiam os vencedores com livros.

Fernando Lima produz podcasts sobre Ecologia e Ciência / Foto de Juliana Nogueira

- Esse negócio de abraçar árvores, etc. e tal, criou gerações de ecochatos que, em vez de ajudarem a divulgar a ciência, atrapalham por que ninguém entende a língua que eles falam – comenta Fernando. – Então eu fiquei pensando: mas a gente está divulgando ciência pra quem? Pra comunidade científica, só, não adianta. Então como é que faz pra tornar o assunto interessante para qualquer pessoa? Sim, porque eu mesmo, como biólogo, sempre tive dificuldade de contar pra minha família o que eu faço de verdade – sorri.

Personagens, quadros especiais e novidades no ar

Para mostrar como era essa dificuldade, Fernando resolveu criar a Tia Cotinha, uma personagem que é curiosa, mas não entende direito o assunto. – A Tia Cotinha foi inspirada numa tia minha – diverte-se. – Então, o objetivo é explicar qualquer assunto ligado aos temas pra personagem Tia Cotinha e conseguir fazê-la entender – conta.

Tia Cotinha é um sucesso nas redes, assim como o quadro “Que bicho é esse?”, criado em parceria com a esposa Miriam Perilli, 30 anos e também bióloga. – A gente põe no ar o som de um bicho e pergunta: que bicho é esse? A galera responde e, quem acertar, ganha livros – diz Fernando, que também é mestre em xadrez e inventou um desafio com o jogo: passou a colocar a imagem de duas peças do xadrez em cada episódio, no site, e convidar os ouvintes a adivinharem por que as colocou ali, alimentando o mistério.

Com referências da cultura pop, de filmes e séries, Fernando faz entrevistas divertidas com personalidades da ciência e da ecologia, comenta assuntos variados e faz seus ouvintes rirem bastante, enquanto descobrem que esses temas estão mais presentes no seu dia a dia do que pensavam, antes de frequentar os programas.

- Com esse clima descontraído, procuro ressaltar a dimensão humana do cientista – explica Fernando. – Além do mais, o programa não tem vínculo com nenhuma instituição. Busco exercitar minha própria percepção dos fatos e das coisas, além de explorar a jornada pessoal dos entrevistados – diz.

Rádio sob medida, em dia com o tempo ecológico

Fernando libera um novo podcast a cada quinze dias: um domingo sim, outro não. O trabalho de preparação e edição é árduo: para cada 25 minutos de programa, é necessária uma hora de edição, que envolve a montagem das entrevistas e a inserção da trilha sonora, entre muitos outros detalhes.

Cada programa dura em média 90 minutos, às vezes até duas horas, dependendo. Tem perguntas e respostas, entrevistas e informações variadas. Vou criando analogias, contando histórias e interagindo – e o ouvinte se sente como se estivesse no meio da conversa. É muito gostoso – comemora.

Fernando constata que o rádio tradicional vem perdendo muito espaço nos últimos tempos, e que o podcast veio ocupar esse vazio. – Eu penso, por exemplo, que as pessoas ficam muito tempo no carro, no trânsito, e podem ouvir enquanto esperam – explicam. – O bom do podcast é que ninguém precisa ficar olhando para uma tela. É só ouvir, com a vantagem de cada um poder escolher os assuntos que mais lhe interessam – ressalta.

Onde ouvir

Os podcasts DesAbraçando Árvores estão disponíveis nas mais diversas plataformas, como Spotify, Google Podcasts, iTunes e muitas outras. Fernando conta que a Spotify adquiriu, recentemente, as principais plataformas de distribuição de podcasts e, com isso, a disponibilidade cresceu exponencialmente. Mas quem quiser também pode ouvir diretamente no site www.desabrace.com.br.

As promissoras estatísticas de audiência dos programas dão conta de ouvintes em 23 países - e, segundo Fernando, atingem muitos brasileiros que vivem no exterior, sem contar a ótima repercussão nas redes sociais. - Recebo muito retorno desse público todo, por meio de perguntas e comentários – relata. – Sinal de que o projeto está indo bem. E se depender de nós vai continuar nessa trilha – promete.

Para conferir o clima do programa, é só acessar a matéria veiculada em março passado pelo Repórter ECO, da TV Cultura, neste link: https://www.youtube.com/watch?v=964Gf8qkehA&feature=youtu.be

(*) Plurale viajou a convite da organização do Evento.





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