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PLURALE EM REVISTA , EDIÇÃO 66 - Orquestra societária: como o alinhamento de sócios e administradores pode ser decisivo para o sucesso de uma organização

Por Sônia Araripe, Editora de Plurale/ Entrevista é destaque na Edição 66 de Plurale em revista

Fotos de Divulgação

Nenhum outro tema é mais relevante no momento do que a governança corporativa. Junto com a ética e as boas práticas de sustentabilidade. Uma nova abordagem é apresentada pelas especialistas Cida Hess Loures Paranhos e Mônica Mansur Brandão no recém-lançado livro “Orquestra Societária – a Origem” (Editora Sucesso). A governança e a gestão sustentável – ou, principalmente a falta deste conjunto – parece ter impacto nos recentes casos dramáticos de empresas que falharam em seus processos de gestão e abriram espaço para acidentes tirando a vida e atingindo em cheio a biodiversidade. É o caso, por exemplo, da Samarco – empresa meio a meio de duas das maiores mineradoras do mundo, a australiana BHP e a brasileira Vale – envolvida no rompimento de barragem de rejeitos em Mariana e novamente da Vale, desta vez em Brumadinho, ambas em Minas Gerais.

O livro foi maturado antes destes tristes episódios, mas aproveitamos a conversa com as autoras para fazer a analogia da teoria para a prática. A metáfora com a orquestra de música não é por acaso. Cida e Mônica explicam que as empresas, como o conjunto musical, regido por maestro, precisam ter harmonia. Nove dos 11 capítulos tratam sobre o alinhamento entre sócios, entre sócios e administradores (conselhos de administração e diretorias executivas) e entre estes últimos. “Adotar modelos de gestão sustentáveis otimiza os resultados econômico-financeiros, sociais e ambientais das organizações. No capitalismo atual, não é possível focar apenas resultados financeiros, sendo prudente alinhar conceitos, pessoas, ideias. O desalinhamento de hoje pode se tornar risco relevante mais à frente”, advertem as autoras.

Foram feitas entrevistas com dois grandes maestros: a primeira, com o maestro João Carlos Martins, regente da Orquestra Bachiana Filarmônica SESI-SP, e a segunda, com o maestro Fabio Mechetti, regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, com maior número de integrantes. Em ambas as entrevistas, os regentes tratam de dimensões como estratégia, estrutura, processos, pessoas e sistema de recompensas dentro de uma orquestra musical, cada qual com a sua visão, e de cada visão emerge a lógica de um modelo de gestão essencial para a conquista de resultados que encantem e comovam as plateias.

Experiência e boa formação não faltam para estas duas talentosas e lindas mineiras. Cida Hess é graduada em Economia, pela PUC Minas, e em Contabilidade, pela Newton de Paiva, ambos centros de ensino de Belo Horizonte. Fez mestrado em Ciências Contábeis e Atuariais pela PUC São Paulo. A dissertação de mestrado discorreu sobre modelos de gestão e estratégia e a pergunta da pesquisa realizada foi: o modelo de gestão é fundamental à materialização da estratégia em resultados sustentáveis para as organizações? A hipótese para essa pergunta, foi confirmada: sim, isto é verdade. Foram entrevistados grupos de dirigentes organizacionais e de professores universitários para chegar à confirmação. Já Mônica Brandão é graduada em Engenharia Elétrica pela PUC Minas, com mestrado em Administração pela mesma Universidade, em Belo Horizonte. A dissertação de mestrado foi sobre governança corporativa e a influência de acionistas não controladores (minoritários) no sistema que produz as decisões estratégicas de uma companhia com ações em bolsa de valores. Baseada em uma pesquisa exploratória, a dissertação procurou identificar as principais barreiras visíveis e não visíveis a serem enfrentadas para que os minoritários possam influir nas decisões estratégicas empresariais.

Confira os principais pontos desta entrevista para Plurale.

Plurale - Como surgiu a ideia do livro?

Cida Hess - A ideia surgiu quando percebemos que estávamos produzindo um conteúdo relevante a partir da finalização do quinto artigo publicado na coluna “Orquestra Societária”, da relevante Revista RI – Relações com Investidores, e que poderia ajudar públicos corporativos a refletirem sobre as práticas de gestão de suas empresas. Nosso livro reúne os 11 primeiros artigos publicados desde março de 2014 nesta coluna. A Revista RI é a mais longeva do mercado de capitais nacional, conduzida pelo editor e amigo Ronnie Nogueira. Após mais de 40 artigos publicados, houve evolução conceitual da Orquestra Societária, explicada na introdução do livro, bem como ao final de cada capítulo, de modo que os leitores possam compreender o que foi pensado inicialmente e a evolução ocorrida.

Plurale - Qual a correlação entre a orquestra de música e a orquestra societária?

Mônica Brandão - A analogia entre o mundo empresarial e o mundo musical tem sido feita por vários autores. A metáfora musical tem sido, por vezes, usada para se referir ao trabalho das organizações. Em que nos diferenciamos então, quando usamos a metáfora de uma orquestra musical para tratar de organizações da realidade? Nos conceitos de “Modelo de Gestão Sustentável” (MGS) e de “Sinfonia Corporativa”, também presentes nas orquestras musicais. Citamos aqui entrevistas que fizemos na coluna “Orquestra Societária”, na Revista RI (onde às vezes, nos colocamos no papel de “repórteres”): a primeira, com o Maestro João Carlos Martins, regente da Orquestra Bachiana Filarmônica SESI-SP, e a segunda, com o Maestro Fabio Mechetti, regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, com maior número de integrantes. Em ambas as entrevistas, os ilustres regentes tratam de dimensões como estratégia, estrutura, processos, pessoas e sistema de recompensas dentro de uma orquestra musical, cada qual com a sua visão, e de cada visão emerge a lógica de um modelo de gestão essencial para a conquista de resultados que encantem e comovam as plateias.

Plurale – Governança é, sem dúvida, um dos temas mais falados nos últimos anos no meio empresarial. Sem governança não há empresas sustentáveis... não há governos democráticos... como vocês abordam esta questão no livro?

Cida Hess - Governança corporativa está na base da “Orquestra Societária”. Aliás, o tripé Ética-Governança-Corporativa-Sustentabilidade é básico no desenho da “Orquestra Societária”, o que é dito já na introdução do livro. Os três conceitos estão visceralmente relacionados. E neste livro, governança corporativa é a tônica, já que tratamos, em 9 dos 11 capítulos, de alinhamento entre sócios, entre sócios e administradores (conselhos de administração e diretorias executivas) e entre estes últimos.

Alinhamento, aliás, não se esgota na Alta Administração, perpassa toda a organização, mas como focalizamos esses três públicos, “Orquestra Societária – a Origem” é um livro com forte ênfase em governança corporativa, no alinhamento entre agentes acima da cúpula (entre os sócios) e na cúpula das organizações empresariais. Nossa expectativa é que o livro incite reflexões importantes em leitores preocupados com governança corporativa e, muito especificamente, com alinhamento de interesses. Sobre a importância da governança corporativa no contexto democrático, concordamos integralmente, pois transparência, prestação de contas, equidade e responsabilidade corporativa são princípios que democratizam a informação e os resultados organizacionais.

Plurale Vocês falam no livro que é possível sonhar com a Governança - quando os sócios e dirigentes da organização tiverem vontade política de adotar o que chamam de “Modelo de Gestão Sustentável” (MGS), um conjunto de princípios, valores e crenças, transpostos a práticas de administração amplamente respeitadas e aceitas pelos públicos organizacionais, fortemente embasadas em alinhamento e gestão de riscos. Parece uma utopia... conhecem casos no Brasil e no mundo realmente que seguem este modelo?

Mônica Brandão – Estamos migrando de “modelos de gestão robustos” para “Modelos de Gestão Sustentáveis” (MGS’s), que se não serão perfeitos – construções humanas são imperfeitas –, serão melhores. Como algumas empresas conseguem durar anos, décadas, quando tantas morrem a cada dia? Quem ler o livro “Built to last” (“Feitas para durar”), publicado em 1994 por James C. Collins e Jerry I. Porras, constatará que por trás dos 18 exemplos de empresas “visionárias” ali citados, há mais do que estratégias vencedoras, há modelos de gestão que chamaremos de robustos, já que os conceitos de sustentabilidade e do Triple Bottom Line (suas vertentes econômica, social e ambiental) seriam propostos pelo britânico John Elkington em 1997, na obra “Cannibals with forks” (Canibais com garfo e faca). Se os modelos de gestão dessas corporações não podem ser chamados de sustentáveis, eles têm importantes características de MGS’s, na gestão da estratégia, de processos e pessoas, por exemplo.

Um exemplo sui generis que também gostaríamos de citar no Brasil e que chamaríamos de modelo de gestão robusto é o da Semco, liderada por Ricardo Semler, autor dos livros “Virando a Própria Mesa” (1988) e “Você está Louco” (2006). O primeiro livro, em especial, teve grande sucesso em muitos países. Quando analisamos especialmente “Virando a Própria Mesa”, percebemos que Semler fez muito mais do que mudar a estratégia do negócio herdado da família: ele alterou em profundidade o desenho organizacional, na gestão da estratégia, de pessoas e processos. Atualmente, Semler é sócio e presidente do conselho de administração da Semco Partners. Pode-se dizer: mas tal portfólio de empresas é diferente do formato original familiar. Certamente, mas, entretanto, ele traz, em seu DNA, as inovações de gestão criadas por Ricardo Semler. E certamente há outros exemplos de empresas no Brasil que mereceriam ser citadas por seus modelos de gestão.

Por fim, citamos o caso do Instituto Cultural Filarmônica, que administra a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais: para essa Instituição, podemos falar em Modelo de Gestão Sustentável (MGS), já que há mais de uma década ela tem operado de forma bem-sucedida nas vertentes econômica, social e ambiental. O futuro pode não repetir o passado, pois o ambiente externo pode mudar o jogo, mas estamos diante de um exemplo de vontade política de fazer uma orquestra musical se viabilizar, de um caso de longevidade com reconhecimento do público mineiro. Aliás, imaginamos que a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e a Fundação Osesp também se enquadram neste mesmo modelo de gestão, ou similar.

Plurale - Por que vale a pena administrar por meio de um MGS?

Cida Hess – Adotar modelos de gestão sustentáveis otimiza os resultados econômico-financeiros, sociais e ambientais das organizações. No capitalismo atual, não é possível focar apenas resultados financeiros, sendo prudente alinhar conceitos, pessoas, ideias. O desalinhamento de hoje pode se tornar risco relevante mais à frente. Desalinhamentos entre sócios, entre sócios e administradores e entre esses últimos podem criar riscos consideráveis. O mesmo pode ser dito sobre o desalinhamento entre a estratégia e a gestão de processos e pessoas, por exemplo.

Adicionalmente, é preciso trabalhar nos riscos, identificá-los, qualificá-los, quantificá-los e mitigá-los. Riscos mal geridos podem destruir uma organização. Citemos aqui dois exemplos, do mercado de capitais estadunidense, os casos Enron e Worlcom. A Enron, em especial, chegou a ser a empresa mais admirada dos EUA. Estes dois exemplos ilustram, no pior sentido possível, o que pode acontecer com organizações que não cuidam de seus riscos. Os dois casos entre outros culminaram em uma forte intervenção do Estado para melhorar a qualidade do mercado de capitais: a Lei Sarbanes-Oxley (SOX), de 2002.

Por fim, não podemos deixar de lado as questões socioambientais. Não é por acaso que um amplo conjunto de nações firmou, em 2015, o Acordo de Paris, substituto do Acordo de Kyoto a partir de 2020 (infelizmente, os resultados de Kyoto foram modestos) e no âmbito do qual centenas de países se comprometem a fazer um esforço sério para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE´s), de maneira que o aquecimento global não se torne perigoso para a humanidade – o risco disso acontecer é real, conforme alertam cientistas. Tampouco é por acaso que a ONU criou, em 2015, a Agenda 2030, com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS’s), dos quais o primeiro é erradicar a miséria no Planeta. Os requisitos socioambientais criam, aliás, grandes oportunidades de novos negócios para muitas organizações.

Plurale - Um CEO é um maestro essencial na orquestra societária?

Mônia Brandão – Sem dúvida, mas não apenas ele. A organização, na “Orquestra Societária”, é constituída de maestros em cadeia, cadeia esta que vai do conselho de administração, quando essa instância existir, até os coordenadores de pessoas nas instâncias operacionais. O CEO tem desafios específicos; entre os quais, ser ponte, elo de ligação entre o conselho de administração e o restante da empresa. E ele é um dos principais responsáveis pela consistência do modelo de gestão. Por que? Por ser ele, em nível executivo, a principal liderança em gestão. Assim, ele é um dos mentores e o principal guardião do modelo de gestão, mas não trabalha sozinho, pois fazer a gestão acontecer dentro de um modelo adequado é papel de todos os dirigentes e demais gestores.

Plurale - E qual o papel dos "músicos" – os colaboradores?

Cida Hess – Eles são uma das partes fundamentais da “Orquestra Societária”, um dos vértices da chamada Estrela de Galbraith, proposta pelo professor Jay R. Galbraith para representar a arquitetura de uma organização (estratégia, estrutura, processos, pessoas e sistema de recompensas). Um dos stakeholders mais importantes de uma organização. Assim como sem os músicos, é impossível ter uma orquestra musical, sem as pessoas, não é possível ter uma organização que se comporte, em boa medida, como uma “Orquestra Societária”. Aliás, nem é possível ter organização, na maioria dos casos. As pessoas devem ser objeto de grande preocupação das organizações de todos os tamanhos. Seus desempenhos determinam o desempenho da organização, para o bem ou para o mal. Alinhar os interesses das pessoas que atuam em uma organização, seja qual for o nível hierárquico, aos interesses dos sócios é um dos mais relevantes desafios de governança corporativa.

Plurale - Que avaliação fazem de casos recentes como as crises provocadas pela Vale no rompimento de duas barragens, uma em Mariana e outra em Brumadinho, ambas em Minas, deixando um rastro de centenas de mortos e a biodiversidade seriamente atingida? Foi uma crise provocada pela falta de governança?

Mônica Brandão – Esta pergunta cria uma oportunidade excelente de refletirmos sobre os dois casos, Mariana e Brumadinho, à luz da “Orquestra Societária”. Nossa mais recente coluna da Revista RI foi precisamente sobre essas duas tragédias. Procuramos, com base no conceito de “Modelo de Gestão Sustentável” (MGS) e em seus 20 fundamentos, por nós identificados em recente edição da RI, levantar questões sobre o que teria conduzido, especialmente no âmbito da Vale S/A, aos dois desastres.

Nossa análise aponta a possibilidade de falhas em cinco fundamentos do modelo de gestão corporativo. O ocorrido pode estar relacionado a fundamentos como ética – à luz do Código Brasileiro de Governança Corporativa, no que tange à sua concepção sobre o princípio da responsabilidade –, governança corporativa, alinhamento, sustentabilidade e gestão de riscos. E sem dúvida, a governança tem um papel crucial nesse contexto, pois os sócios e dirigentes da Empresa certamente lidam com os outros quatro temas citados em suas esferas respectivas.

Plurale - Que lições estas crises recentes deixam para outras empresas?

Cida Hess – Empresas precisam gerar resultados econômico-financeiros – afinal, o sistema econômico é o capitalismo –, mas com equilíbrio, retornando-se aqui ao conceito de “Sinfonia Corporativa”. Afinal, eventos desastrosos podem ter efeitos devastadores sobre as finanças empresariais e, no limite, destruir a empresa. No caso da Vale, acreditamos que esta tem recursos e condições de mudar seu modelo de gestão, para evitar novos eventos similares a Mariana e Brumadinho; até porque, mesmo para uma organização com recursos, a ocorrência de sucessivos desastres terá limites.

Sobre o rompimento da barragem de Mariana, Vale, BHP Billiton (sócia da primeira na Samarco) e Samarco se comprometeram, no bojo de um acordo envolvendo várias partes (governos de Minas Gerais, Espírito Santo e entidades do governo federal), com um programa de 42 ações reparatórias, as quais estão sob responsabilidade da Fundação Renova, criada para esse fim. Bilhões de reais terão sido gastos nesse programa, ao término de 15 anos. E ainda existe o processo jurídico na esfera criminal, cujo andamento tem sido especialmente lento, mas que poderá criar mais penalizações de grande monta em anos futuros. Talvez o caso de Brumadinho tenha desdobramentos similares e outros decorrentes dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de senadores, criada para apurar as causas do ocorrido.

Contudo, nem toda organização terá condições de lidar com as consequências de um desastre, que pode ser físico ou mesmo decorrente de más decisões empresariais. Assim, acreditamos que as reflexões das empresas devam envolver, fundamentalmente, seus princípios éticos e suas práticas de governança corporativa, sustentabilidade e gestão de riscos. A principal lição das recentes crises talvez seja repensar esses elementos e revisar em profundidade o modelo de gestão organizacional no que tange aos mesmos (uma lição em dois tempos).

Plurale - Como enxergam a sustentabilidade nas empresas no Brasil hoje? É mais difícil para uma pequena e média empresa seguir este modelo do que para uma grande empresa?

Mônica Brandão Sob o prisma das grandes empresas, a percepção é que o caminho a percorrer ainda é longo. Isto porque é preciso diferenciar entre o discurso da sustentabilidade e a prática efetiva da sustentabilidade. Há grande diferença entre dizer “somos sustentáveis” e a organização ser sustentável, na prática. Ter um discurso com foco em práticas sustentáveis somente será positivo se a mentalidade vigente e as práticas forem correspondentes ao que se diz. Temos dúvidas sobre tal sincronização, especialmente quando tomamos conhecimento sobre escândalos surpreendentes, envolvendo grande descaso com acionistas. Pode parecer pessimismo, mas não é, é apenas o reconhecimento da etapa atual de um longo processo de evolução das organizações, no Brasil e no mundo.

Já uma empresa de pequeno porte certamente não criará uma superintendência de sustentabilidade, ou gerará reportes de sustentabilidade detalhados, ou mesmo participará de grandes indicadores de sustentabilidade. Ao mesmo tempo, se a sustentabilidade for trazida ao dia a dia das empresas de qualquer tamanho, estas poderão adotar boas práticas. Exemplifiquemos com o combate ao desperdício: qual empresa não pode fazer algo a respeito? Em tempo, o maior tamanho e poder de fogo de uma organização nem sempre favorecerão a velocidade das mudanças.

Plurale - Quais são os dilemas enfrentados?

Cida Hess A nosso ver, um dos principais dilemas é cultural e tem a ver com internalização conceitual. Exemplifiquemos o dito indagando: em que medida as grandes organizações realmente internalizam conceitos como ética, governança corporativa, sustentabilidade e gestão de riscos? Outro dilema tem a ver com a dicotomia clássica de governança corporativa: priorizar os interesses dos sócios versus equilibrar interesses de vários stakeholders, sem deixar de rentabilizar sócios em patamares adequados.

Em nossa visão, as mudanças no ambiente institucional serão fundamentais para mudar as organizações. Quando as regras do jogo exigem que as organizações e as pessoas se comportem de determinada forma, sob risco de penalização financeira ou mesmo criminal, cremos que isso altera o nível dos dilemas nas organizações. A dúvida não mais reside entre fazer ou não fazer o que, em tese, deveria ser feito (mas não é), mas entre assumir o risco de ser penalizado ou não.

Plurale - Quais são os próximos passos em relação à Orquestra Societária. Haverá novos livros?

Cida Hess Estamos finalizando a “Orquestra Societária – a Origem” em inglês, na versão digital, e seu lançamento deverá ocorrer ainda neste ano. E após, nos dedicaremos a um livro focado no Modelo de Gestão Sustentável (MGS) e em seus fundamentos. Este é um projeto de prazo mais longo, para até o final de 2020. Estamos muitos entusiasmadas com esses novos projetos, os quais consideramos de curto e médio prazos.

Mônica Brandão – Sobre o primeiro projeto, ele necessita de especial atenção com a versão para o inglês, que está sendo cuidadosamente trabalhada. Por que essa atenção especial? Porque tratamos, no livro, de raciocínios elaborados, que precisam ser transpostos para leitores de vários cantos do mundo e isso não é trivial. Quanto ao segundo projeto, estamos elaborando seu planejamento inicial e ele será baseado nos 20 fundamentos que tornam um modelo de gestão sustentável.







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1 comentário | Comente

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Roberto |
Muito interessante o livro. Os conceitos ali explicados são úteis não apenas para empresas privadas, mas também organizações culturais, associações, empresas estatais.