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Seminário alerta para possibilidade de desabastecimento em Poconé

De Poconé (MT)

A possibilidade de desabastecimento de Poconé foi o centro do debate realizado durante o III Seminário Cidades Sustentáveis com o tema “Nos caminhos do Rio Bento Gomes”. A inciativa do Sesc Pantanal reuniu alunos, moradores, profissionais e Sindicato Rural, no último dia 28, para falar da urgente necessidade de ação para conservar a principal fonte de abastecimento da cidade.

Apesar de o Pantanal ser conhecido como a maior planície inundável do mundo o cenário é preocupante para Poconé nos quesitos quantidade e qualidade da água, afirma o professor do curso de engenharia sanitária da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Programa de Pós-graduação em Recursos Hídricos, Ibraim Fantin da Cruz.

“O Rio Bento Gomes não tem água subterrânea para manter o fluxo de água durante a seca e é nesse período também que a qualidade da água cai. Por isso, na época de estiagem o rio se torna uma lagoa. Quando falamos sobre segurança hídrica consideramos três aspectos: quantidade, qualidade e acesso. Diante disso, é possível perceber que a segurança hídrica da cidade é mínima e o risco máximo”, alerta.

Se não houver ações de intervenção para minimizar os problemas do rio, a bacia do Rio Bento Gomes tem alta probabilidade de não conseguir atender as necessidades básicas da população, pois os aquíferos de Poconé são pouco produtivos e não suprem a demanda de água.

Por isso, entre as alternativas para o problema, o professor aponta a criação de um comitê da Bacia do Rio Bento Gomes, a proteção das nascentes e da mata ciliar, reuso de água, ações estruturantes como construção de reservatórios, proteção das nascentes e da mata ciliar.

“Existe a necessidade de um planejamento a curto prazo para garantir a segurança hídrica em caso de crises e pensar nas fontes alternativas. Para isso, a população e o poder público podem colaborar. Isso é o que chamamos de gestão integrada dos recursos hídricos. A gestão integrada engloba a todos, pois o compromisso é de todos que usam água. E é importante fazer isso antes que ela falte”, ressalta.

O engenheiro sanitarista José Álvaro da Silva, integrante da equipe técnica que elaborou o Plano de Saneamento de 111 municípios de Mato Grosso, incluindo Poconé, José Álvaro, aponta que é muito importante dar continuidade à mobilização social para falar sobre ambiente e preservação de recursos hídricos, por ser uma das ações que o plano de saneamento indica que seja feito ao longo dos 20 anos para universalizar o saneamento.

“O plano de saneamento aborda vários problemas de abastecimento entre eles com o manancial hídrico e lençol subterrâneo pobre. Somado a isso, a superfície do rio, aparentemente, está descaracterizada e, quando isso acontece, tira a proteção superficial do solo. Por isso a indicação é mesmo para a criação urgente de um comitê com a participação de todos os envolvidos”.

Para a superintendente do Sesc Pantanal, Christiane Caetano, o seminário foi um passo importante para começar a falar sobre o tema que é essencial para toda a população de Poconé. “O alerta é grave e envolve um elemento essencial para a vida de todos, que é a água, bem como a sobrevivência de um rio. O primeiro passo já foi dado, agora é preciso a integração da sociedade e do poder público para que não cheguemos ao limite de uma crise hídrica”.







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