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Norte da Itália em plena Ipanema

Por Nícia Ribas, de Plurale

Fotos de Divulgação e de Nícia Ribas

A Chef carioca Ana Lúcia Aleixo recebeu, em maio deste ano, em Rimini, Itália, o Attestato di Benemerenza instituído pela Assembleia Legislativa da Região Emilia-Romagna, cuja capital é Bolonha, pelo seu empenho cultural e sua incansável atividade para tornar conhecida aquela região italiana no Brasil. Ana e seu irmão João Carlos Aleixo inauguraram seu primeiro restaurante em 1980, o Paparelle, em Copacabana. Hoje eles mantêm a tradição da legítima gastronomia do norte da Itália no Anna Ristorante e no Artigiano, ambos na Avenida Epitácio Pessoa, em Ipanema.

Em 2014, os irmãos já tinham sido agraciados pela Accademia Italiana della Cucina, com o prêmio Giovanni Nuvoletti, pela valorização da boa mesa tradicional da região Emilia-Romagna. Em 2010 foi a vez da jovem Júlia, filha de Ana, que desde os seis anos dizia que queria ser chef e aos 13 tirou o primeiro lugar num concurso de gastronomia na Itália, com um risoto de abobrinha, flores de abobrinha e fonduta de parmegiana. Júlia participou representando o Pomodorino, outro restaurante da família, fechado recentemente.

Três gerações unidas pela gastronomia - Anna Aleixo, 95 anos, a fundadora do negócio familiar; a Chef Ana Lúcia Aleixo, que hoje toca os dois restaurantes com o irmão, João Carlos, e a filha de Ana Lúcia, Júlia, que, desde os seis anos dizia que queria ser Chef, e aos 13 tirou o primeiro lugar num concurso de gastronomia na Itália, com um risoto de abobrinha, flores de abobrinha e fonduta de parmegiana. Foto - Divulgação

Eles herdaram o gosto pela culinária da mãe Anna Aleixo, 95 anos, que sempre fez tudo em casa, desde pães, biscoitos e massas, mas não deixava criança entrar na cozinha. “Ela queria que nós estudássemos para ter um futuro melhor”, diz Ana Lúcia, que se formou em Economia na PUC/RJ, mas depois fez vários cursos e estágios na Itália, tornando-se exímia cozinheira e muito mais. Sua avó, Maria Marchi, veio ainda criança para o Brasil, em 1888, emigrante da região Emilia-Romagna, berço de produtos famosos no mundo todo, como o queijo parmigiano e o presunto de Parma e de pratos de tradição como o molho à bolonhesa e a lasanha. Daí a inspiração para a prática da gastronomia da região em seus restaurantes.

Nos restaurantes da família Aleixo, os ingredientes são sempre frescos - “Recheamos as massas na hora – tagliatelle, tortellini, garganelli, fazemos os molhos na hora, não temos nada congelado”, assegura a Chef Ana Lúcia. Foto - Divulgação.

Nada congelado, tudo fresco

De seu escritório, estrategicamente localizado ao lado da cozinha do Anna Ristorante, a Chef Ana Lúcia comanda o funcionamento dos dois restaurantes – o Artigiano é vizinho, na bela casa onde morou Leila Diniz. Com o brilho no olhar de quem ama o que faz, ela se orgulha de comprar produtos diretamente do produtor, na Ceasa, e preparar cada prato na hora. “Recheamos as massas na hora – tagliatelle, tortellini, garganelli, fazemos os molhos na hora, não temos nada congelado”. As flores de abobrinha são colhidas na casa de sua mãe, Anna, na Tijuca, e servidas empanadas, recheadas de mozzarella de búfala e aliche.

É ela quem elabora os cardápios, buscando sempre atualização e aperfeiçoamento. Quando viaja, frequenta o maior número possível de restaurantes italianos, sempre atenta às novidades. Assim como Anna fazia na cozinha de casa, Ana Lúcia faz tudo nos restaurantes, desde os pães, massas, massas folhadas, molhos e os famosos amaretti, um biscoito de amêndoas maravilhoso, que ela ofereceu, recém-saído do forno, à repórter da Plurale, acompanhado de um curto. Ela coordena o trabalho de 80 empregados, entre cozinheiros, garçons, ajudantes nos dois restaurantes.

Receitas da família que passam de geração a geração, como os deliciosos biscoitos de amêndoas. Foto - Divulgação.

O dedo e o bom gosto de Ana Lúcia também estão na escolha das louças e cristais utilizados no dia-a-dia. Pratinhos antigos de cerâmica inglesa, talheres e copos são garimpados em feiras de antiguidade e leilões e levados para as mesas de seus clientes, servindo delícias como as sobremesas artesanalmente preparadas. Da Itália, ela trouxe artefatos próprios para a confecção de massas, como o rolo de ravioli listado.

Ana Lúcia gosta de garimpar porcelana em feiras de antiguidade. Foto de Nícia Ribas - Plurale.

Enquanto os restaurantes da Zona Sul carioca alteram os preços do cardápio constantemente, ela e o irmão, que também é economista, conseguem manter os mesmos valores há anos, o que lhes valeu o cobiçado título de Bom e Barato. Um dos recursos para isso é o fato de não aceitarem cartões de crédito. “Somos uma empresa familiar, com uma estrutura pequena”, diz Ana Lúcia, uma profissional multifuncional que atua com fervor em todas as áreas - executiva, administrativa e financeira. Uma mulher moderna, que procura passar para as três filhas essa maneira independente e auto sustentável de viver no mundo de hoje, sem perder os valores dos seus ancestrais.







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2 comentários | Comente

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Salvador Cacciola Neto |
Bella arte famigliare in cuccina . Non possiamo dimenticare di come nostre nonni facevano per noi. Auguri!!

Najla Cacciola |
Adorei a matéria! Muito bom saber a história por trás de restaurantes tradicionais. Parabéns !!!