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Papinhas orgânicas - do campo ao supermercado, todo cuidado é pouco

Texto e Fotos por Nícia Ribas, de Plurale

De São José do Rio Pardo (SP)

Já faz 45 anos que a Nestlé fabrica papinhas e a partir deste ano passa a oferecer o produto inteiramente orgânico. “Nossas papinhas não têm conservantes nem açúcar e agora também são feitas com produtos orgânicos; é a melhor opção para quando os pais não conseguem eles mesmos prepararem o alimento de seus filhos”, disse a gerente de marketing Lívia Reinert ao apresentar a nova marca NaturNes.

Gerente de Marketing das Papinhas NaturNes, da Nestlé Brasil, Lívia Reinert - “Nossas papinhas não têm conservantes nem açúcar e agora também são feitas com produtos orgânicos."

Para garantir a origem saudável dos ingredientes, o técnico em agricultura João Roque de Araujo, há 13 anos no cargo, identifica pequenos produtores ao redor da fábrica de São José do Rio Pardo (SP) e faz parcerias. Em contato constante, ele leva orientação e novas tecnologias que facilitem e incrementem a produção de legumes e frutas: “Fomentamos o plantio, mantendo uma boa relação com as famílias que estão no campo e assim conseguimos qualidade e tempo recorde: o processo leva 48 horas desde a colheita até o produto final, garantindo o frescor dos alimentos”.

João mantém 26 pequenos produtores – desde cinco hectares – cadastrados, que lhes fornecem 10 matérias primas. “Alguns já estão conosco há 30 anos e recebem informações e ajuda para melhorar seu plantio”, diz ele. Tratores compartilhados, adiantamentos para comprar sementes e a adoção de aspersores mais eficientes que ajudam a reduzir o consumo de água são apenas alguns resultados dessa boa relação. Além disso, ele faz parcerias com universidades em busca de inovação e treinamento em boas práticas agrícolas.

Desde maio estão sendo vendidos nos supermercados quatro sabores de papinhas orgânicas - banana, uva+ banana, maçã, e goiaba+banana, da NaturNes.

Desde maio deste ano mamães e papais já encontram nas gôndolas de supermercados as papinhas orgânicas em quatro sabores: banana, uva+ banana, maçã, e goiaba+banana, da NaturNes. Confiam na marca mesmo sem terem tido a oportunidade de conhecer cada etapa da fabricação do produto, como demonstrou a gerente geral da fábrica, Alexandra Filgueiras, com o entusiasmo de quem faz o que ama.

Cuidado redobrado com higienização e controle de qualidade.

Ela e sua equipe, devidamente uniformizados - com jalecos, botas, toucas, óculos, luvas e até protetor de barba, recebem os produtos orgânicos em ambiente livre de qualquer impureza e cuidam da higienização, descasque, corte e seleção nas esteiras até as misturas e o cozimento. O cuidado também está no envase, desde os testes, higienização e esterilização dos vidrinhos e das tampas, até a colocação dos rótulos e as embalagens para transporte. “Quem faz o teste final das nossas papinhas é a mãe quando ao retirar a tampa, ouve o famoso “ploc”, prova de que estava embalado a vácuo e por isso mantém a validade de um ano sem conservantes”, diz Alexandra.

Agrotóxico zero, uma parceria boa com a Nestlé

Ninguém merece ingerir veneno, muito menos os bebês. Em tempos de liberação de agrotóxicos no Brasil, cresce a procura por produtos orgânicos. Na Ceagesp – Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, onde circulam diariamente cerca de 50 mil pessoas, o box Terra – Frutas Orgânicas, da família de Luciana Dias da Silveira Carboni, faz sucesso. Sua dedicação aos orgânicos começou há 25 anos, quando por recomendação médica, para combater um problema no fígado, ela passou a comer apenas produtos naturais, sem nenhum tipo de veneno.

A fazendeira Luciana Dias da Silveira Carboni e sua família vendem produtos orgânicos - sem nenhum tipo de agrotóxico - para a produção das papinhas.

Além das frutas produzidas em diversos sítios da família de Luciana, recentemente, eles se tornaram o primeiro produtor parceiro da Nestlé no projeto Papinhas. Perto dali, na localidade de Monte Azul Paulista, numa área de 15 hectares, a família planta a batata doce que é utilizada nas papinhas.

O cuidado começa no preparo do solo: “Se você não quer ficar doente, você cuida da saúde do seu corpo, não é? O solo é um organismo vivo e também precisa de cuidados, como a compostagem com esterco de gado, galinha, seres vivos verdes e pó de rocha – fosfato natural de Araxá.”, explica Luciana. O respeito à vida da safra também é importante. “Periodicamente, fazemos a análise do solo em laboratório, é como o exame de sangue que nós fazemos preventivamente”, completa.

Durante todo o ano, Luciana, seu marido Josenil e seu irmão, João Dias, fornecem batatas doces que viram papinhas na fábrica de São José do Rio Pardo. Segundo eles, se não tiver qualidade no campo, não terá na papinha. As poucas batatas que apresentam lesões causadas por insetos também são utilizadas após análise e corte das partes lesionadas, trabalho manual feito na fábrica. Todo rejeito é reaproveitado na compostagem.

Luciana dá a maior importância para o “fazer com amor”. Diariamente, no seu box da Ceagesp, ela entra em contato com mais de mil famílias de produtores rurais, dando dicas e ajudando-se mutuamente na luta contra os agrotóxicos. Na Associação de Agricultura Orgânica, que reúne sítios em torno de São Paulo, eles fazem diversos cursos, aperfeiçoando o plantio.

Dona Dita, mãe de Luciana, mora no sítio há 50 anos, entre árvores frutíferas, galinhas, perus, vacas e porcos. Cozinheira de mão cheia, ela recebe visitantes cada vez que o Prefeito de Turvínia quer mostrar a força da agricultura familiar na região. Quando seu marido faleceu, há quatro anos, tentou ir morar com a filha em São Paulo, mas não aguentou as saudades do sítio e voltou. Lá ela vive feliz na companhia de uma cunhada, a Cida, saudável aos 92 anos. Ninguém faz um nhoque de batata doce orgânica como o da dona Dita. “Não leva trigo, é só a batata amassada, que eu levo à geladeira antes de enrolar e cortar”, explica ela.

(*) Plurale viajou em grupo de jornalistas a convite da Nestlé Brasil







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