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Brasil a um passo de criar o Programa Nacional de Reservas de Surfe

Alternativa está focada na conservação das praias e melhorar a qualidade de vida no litoral brasileiro

Por Ana Carolina Maia, Especial para Plurale

Foto de William Zimmerman

Em junho deste ano, no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro, vários surfistas, ambientalistas e demais interessados estiveram reunidos em um workshop para debater a construção do Programa Brasileiro de Reservas de Surf, na semana em que é comemorado o Dia Mundial dos Oceanos. A proposta dessa turma engajada é contribuir com a gestão da costa brasileira.

Durante o workshop vários temas ligados à preservação dos oceanos foram apresentados, bem como assuntos pontais: Proposta de Criação do Programa Brasileiro de Reservas de Surf, experiências internacionais, funcionamento e gestão, Governança baseada em ecossistemas, etc...

Onde tudo começou?

A história de Reservas de Surfe pelo mundo teve início na Austrália. Inspirada em uma inciativa na praia de Bell Beach, no ano de 2005 quando foi criada a 'National Surfing Reserves Australia', que por meio de um trabalho colaborativo e voluntários de surfistas, cientistas e ambientalistas deram inicio a nominação legal dessas zonas costeiras com picos icônicos de surfe da costa australiana.

Posteriormente, a ONG americana Save the Waves criou um programa internacional de reservas de surfe, nomeando 11 delas ao longo dos últimos 10 anos. Entre elas, há 3 na América do Sul. Uma em Punta Lobos, no Perú, outra em Huanchaco, também no Peru e a outra, na Guarda do Embaú, Santa Catarina, no Brasil.

As Reservas Mundiais de Surf (RMS) buscam preservar os “picos de surf”, verdadeiros santuários naturais. O objetivo dessa modalidade de conservação é proteger as ondas do mar, contribuir para a proteção dos atributos locais, ambientais, incentivar o engajamento comunitário, a educação, o ativismo socioambiental, o reconhecimento da cultura do surf no país, além de definir legalmente a zona de protegida do surf break.

Projeto em construção no Brasil

Assim como a Guarda do Embaú foi reconhecida em 2016 como Reserva Mundial de Surf, há outros locais no Brasil que estão buscando essa qualificação, como Florianópolis SC e Saquarema, no Rio. O Brasil tem potencial para um bom número de Reservas, contudo o programa mundial só reconhece uma por ano no mundo e pode demorar muito para termos outra RMS no País”, explicou Mauro Figueiredo, coordenador do Grupo de Trabalho que busca criar no Brasil o Programa Brasileiro de Reservas de Surf - PBRS.

Um dos motivos que impulsionou a iniciativa do PBRS é que novas Reservas de Surf sejam reconhecidas no país. Para isso é necessário um engajamento e parcerias entre os diversos atores locais envolvidos. Uma vez criada a reserva, deve-se fazer um planejamento para atuar no local.

O desafio é unir pessoas e instituições interessadas em promover a conservação dessas praias. O envolvimento da comunidade é fundamental para qualificar o local, esse um dos critérios para a criação de uma Reserva de Surf. “Soma-se tudo isso a qualidade das ondas e aos aspectos culturais, econômicos e ambientais. Sem a mobilização da comunidade não há Reserva de Surf”, destaca Figueiredo.

A Praia da Guarda do Embaú

A Guarda é uma vila com cerca de 1000 habitantes localizada no munícipio de Palhoça, litoral sul, distante 47 km capital Florianópolis. A economia sobrevive em grande parte, do surf, da pesca e do artesanato.

O título de Reserva Mundial de Surf é mais uma camada de proteção à região – no caso, principalmente em relação à onda e o ecossistema marinho. Parte da Guarda compreende o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, o maior do estado catarinense. Lá, também fica a Área de Proteção Ambiental (APA) do Entorno Costeiro e, na orla, a APA da Baleia Franca.

Os surfistas descobriram o local na década de 70 e desde então a Guarda vem atraindo surfistas e turistas do mundo e assim conquistou fama internacional, a beleza estonteante a natureza ainda preservada é um dos atrativos da vila.

Segundo o gerente da RMS da Guarda, Marcos “Kito” Gungel, o comitê gestor local com suporte da STW em parceria com diversos setores da sociedade tem focado sua ações no planejamento estratégico realizado em 2017, com destaque para a pesquisa Surfonomics (objetiva estimar o valor econômico que as ondas e o turismo de surf proporcionam para o local), análise da água do Rio da Madre e a realização de oficinas socioambientais comunitárias, com o objetivo encontrar o modelo ideal de esgotamento sanitário para a localidade. Com o exemplo da Guarda, pode-se ver in loco que a gestão das reservas vai além da preocupação com a manutenção da qualidade da quebra da onda em si, devendo atuar sobre todos os fatores que envolvem o meio ambiente e a cultura surf deste setor costeiro.

O acesso à Guarda do Embaú por ser feito de duas maneiras: De avião, o aeroporto Internacional de Florianópolis, Hercílio Luz e de carro, pela BR-101

Critérios de escolha

Para que possam ser reconhecidas pelo World Surfing Reserves, as praias devem se destacar em quatro critérios pré-estabelecidos pela organização.

São eles: A qualidade e consistência da onda ou zona de surf, a cultura do surf local e contributo para cultura do surf global, as características ambientais e o apoio da comunidade local são os critérios do programa.

Próximos passos do PBRS

O Programa Brasileiro de Reservas de Surf (PBRS) é uma iniciativa dos institutos Aprender Ecologia e Ecosurf que vem contando como apoio Instituto Linha D’água e Fundação SOS Mata Atlântica. Para que o Programa seja lançado e sejam criadas novas Reservas no Brasil, é preciso um grande número de parcerias, seja com o poder público, setor empresarial e o terceiro setor. Sem a mobilização da comunidade não há Reserva de Surf. João Malavolta, do Instituto Ecosurf, destaca que um programa de comunicação é fundamental, tanto no âmbito do Programa, quando das futuras Reservas Nacionais de Surf.

Segundo Fabricio Almeida, Diretor do Instituto APRENDER Ecologia, o importante nesse momento é tirar o planejamento do papel. Umas das estratégias do PBRS é criar um mecanismo financeiro para ajudar a fomentar projetos necessários para a implementação das Reservas.·.

Cada região pode se beneficiar de formas diferentes, o grande benefício comum a todos os locais é realmente a organização e o despertar da consciência da comunidade para a viabilização de políticas públicas já existentes e que devem ser aplicadas na zona costeira.

Novos workshops estão previstos para acontecer nos próximos anos um pré- lançamento do Programa Nacional de Reservas de Surf. Regiões nordeste e sul irão receber os workshops regionais.

Com o Programa Brasileiro de Reservas de Surf haverá uma grande oportunidade para que parte significativa da comunidade se organize e se mobilize ao encontro das necessidades cada vez mais evidentes da proteção de ecossistemas costeiros

O mar está pra onda

O surf é um dos principais esportes nacionais com atletas de destaque em nível internacional com campeões em diversas categorias da World Surf Legue e da International Surfing Association. A modalidade chega a movimentar diretamente uma economia de 7 bilhões de reais somente no segmento de surfwear e equipamentos (pranchas, roupas e acessórios).

O esporte é um dos que mais cresce no país, estima-se que existam pelo menos três milhões de pra????cantes, contudo esse número pode chegar, atualmente, até 7 milhões de surfistas espalhados pela costa do Brasil.

Os benefícios ao meio ambiente são vários: Preservação ambiental, Valorização de áreas protegidas, inclusão de padrões de qualidade.

Ficou interessado? Abaixo os links dos sites com todas as informações

Reservas de Surf no Mundo

  1. Malibu, Califórnia (EUA)
  2. Ericeira (Portugal)
  3. Manly Beach (Austrália)
  4. Santa Cruz, Califórnia (EUA)
  5. Huanchaco (Peru)
  6. Bahia de todos os Santos, Baja (México)
  7. Punta de Lobos (Chile)
  8. Gold Coast (Austrália)
  9. Guarda do Embaú, Palhoça (Brasil)
  10. Ponta Borinquen (Porto Rico)
  11. Malibu ( Estados Unidos)






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