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Tudo o que você precisa saber sobre a semana do clima

Instituições socioambientais atuarão em conjunto em evento que acontece em Salvador entre os dias 19 e 23 de agosto, como preparativo para a COP25 do Chile

Esta semana, Salvador estará no epicentro das discussões sobre o combate às mudanças climáticas, com a realização da Latin America and Caribbean Climate Week (LACCW), de 19 a 23 de agosto. A Semana do Clima antecede a esperada reunião do clima da ONU, a COP 25, que será em dezembro, no Chile. São esperados intensos debates em torno da transição energética, precificação de carbono, mobilidade urbana, cidades sustentáveis entre outros. Oito instituições não-governamentais disponibilizam essa semana seus porta-vozes para antecipar essas discussões e esclarecer dúvidas de jornalistas para a cobertura do evento, dão entrevistas e boas sugestões de pautas.

Por que esse evento é tão importante?

Os efeitos da ação do homem na questão das mudanças climáticas e da ameaça ao planeta é consenso por mais de 97% dos cientistas e evidenciado por tempestades e secas extremas em todas as partes do mundo. Países, ONGs e empresas se mobilizam para reagir e evitar uma deterioração irreversível do equilíbrio térmico. Por isso, no Acordo de Paris, na COP21, estabeleceu-se uma meta (1,5ºC) para limitar o aumento da temperatura global em relação aos níveis da era pré-industrial. Foi um grande avanço em prol do planeta. Na COP24, no ano passado, avançamos na formalização das regras de implementação do acordo que entra em vigor em 2020. Mas há ainda pontos em aberto que dependem de definição brasileira. E as discussões em Salvador podem dar diretrizes do posicionamento que será levado à próxima COP25, que acontece no Chile em dezembro.

Ah, mas eu não cubro sustentabilidade...

A atual crise climática consiste no principal vetor de riscos e oportunidades para a economia e a sociedade. Essa avaliação é confirmada pelo Relatório Anual de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial, baseado em um levantamento junto a lideranças políticas e de negócios do mundo inteiro, apontando que o risco climático está no topo das preocupações de investidores, pesquisadores e tomadores de decisões. Além disso, 24 milhões de novos empregos podem ser criados globalmente até 2030, se forem implementadas as políticas certas para promover uma economia mais verde, segundo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em 2019, impactos gerados por eventos climáticos extremos, desastres naturais e por falhas na adoção de medidas de mitigação e de adaptação figuram entre os dez maiores riscos apontados.

Estimativas apontam que o total de ativos em risco em todo o mundo, em decorrência das mudanças climáticas, possa alcançar a cifra de US$ 43 trilhões até o fim do século. Entre os riscos, o aumento de custos de produção, a preferência do consumidor por produtos menos carbono intensivos e o aumento da competitividade devido à adoção de alternativas tecnológicas nos processos produtivos.

Meio ambiente a uma hora dessas?

Os principais periódicos internacionais estão de olho no que vem sendo discutido em torno da Amazônia, sim, mas não se trata só disso. Estarão em Salvador CEOs, CFOs, e dirigentes de grandes empresas, instituições públicas e privadas, além das autoridades não só ligadas ao meio ambiente, mas ao Ministério da Economia e Ministério da Agricultura de diversos países da América Latina, além do Brasil, claro.

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Instituto Arapyaú

O Brasil é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta. Diferente da maioria dos principais emissores do mundo desenvolvido, a maioria das emissões (70%) vem do uso da terra e da mudança destes usos. Por outro lado, o Brasil possui a maior floresta tropical do planeta e detém 25% do Carbono estocado nelas. Os biomas e florestas brasileiras contêm a maior biodiversidade e a maior parcela de água doce do mundo. Diante da relevância da agenda de uso da terra, o Instituto Arapyaú irá abrir o side event apresentando o contexto climático global e o papel de projetos inovadores formados em rede para o cumprimento das NDCs do Brasil. O evento seguirá com a apresentações de cases de sucesso relacionados às principais metas brasileiras nesta agenda: desmatamento ilegal zero, com apresentação do MapBiomas e do MapBiomas Alerta; e a restauração de 12 milhões de hectares de florestas, com apresentação do Caminhos da Semente. Haverá ainda uma discussão final sobre os desafios para o cumprimento das NDCs brasileiras diante do contexto atual.

CDP

A mudança climática é um desafio real e material para todos, inclusive para os negócios. Um grupo das maiores empresas do mundo, que representa cerca de US$ 17 trilhões em capitalização de mercado, avaliou os riscos climáticos para seus negócios em quase US$ 1 trilhão. Os principais cientistas e governos climáticos do mundo concordam que é essencial limitar o aumento da temperatura média global idealmente abaixo de 1,5°C. Diante disso, o CDP América Latina estará no primeiro dia da Climate Week em um workshop sobre Metas Baseadas na Ciência (SBTi), iniciativa que apoia as empresas a alinhar suas metas de reduções corporativas de GEE ao orçamento global de carbono. Seguiremos em um próximo painel trazendo o tema TCFD (Task Force on Climate-related Financial Disclosures) conduzido pelo Banco Mundial, que abordará os riscos financeiros sobre a perspectiva climática e da América Latina.

CEBDS

O impacto das mudanças climáticas nos negócios vem exigindo ações concretas das empresas, que investem em novas tecnologias e em eficiência energética para mitigação de gases de efeito estufa. Em estudo divulgado na COP 24, (que está sendo atualizado este ano em parceria com a WWF), o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) – que representa 60 grandes empresas, com faturamento equivalente a 45% do PIB do País - apontou que empresas investiram US$ 85 bilhões entre 2015 e 2017 para reduzir suas emissões, com projetos como de eficiência energética, por exemplo. Em sua Agenda CEBDS por Um País Sustentável, o CEBDS apresentou ao novo governo brasileiro 10 propostas para acelerar o ritmo da transição para uma economia de baixo carbono, das quais seis estão relacionadas à energia. Uma delas conta com estudo para implementação do mercado de carbono no País. Na Semana do Clima, discutiremos efetivamente a implementação deste mercado, bem como os avanços da precificação interna de carbono nas empresas em worskhop sobre o artigo na segunda (19), painel sobre precificação de carbono no mesmo dia, e outro sobre mudanças climáticas na terça (20).

Coalizão Clima Floresta e Sociedade

O Brasil tem uma enorme responsabilidade com o planeta. Segundo maior produtor agrícola do mundo, o país tem papel central na garantia da segurança alimentar, provendo alimentos para uma população em crescimento. Por outro lado, é peça-chave para superar a crise climática, ao promover a agricultura de baixo carbono e o fim do desmatamento. Por isso, unir produção agropecuária com conservação ambiental é o objetivo da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura - movimento que reúne mais de 200 representantes do agronegócio, das entidades de defesa do meio ambiente e da academia. A Coalizão Brasil tem se dedicado a apoiar a agenda de implementação do Acordo de Paris e o desenvolvimento de uma economia agroambiental de baixo carbono no país. O movimento estará presente na Climate Week Salvador para acompanhar e analisar a posição do governo brasileiro e dos demais atores da agenda de clima, florestas e agricultura.

iCS

Na Semana do Clima o mote é a ação. Empresas, estados, municípios e organizações da sociedade civil poderão discutir as oportunidades e desafios de como lidar com a situação de crise climática em que nos encontramos, trabalhar para aumentar a ambição coletiva na redução de emissões de gases de efeito estufa e na adaptação aos impactos da mudança do clima que já são sentidos em vários níveis. É crucial avançarmos desde já na implementação de medidas práticas e políticas públicas que, ao mesmo tempo, respondam aos nossos desafios de desenvolvimento e promovam a descarbonização da economia brasileira.

IEMA

Depois do desmatamento, o setor de transporte é um dos principais emissores de gases de efeito estufa no Brasil. Na área de energia, ele foi responsável por jogar na atmosfera 209 milhões de toneladas de CO2e ou 48% do que foi emitido em 2017. Uma maneira de combater o aquecimento global seria aumentar eficiência do transporte no Brasil e manter uma matriz energética de menor impacto ambiental para abastecer esse fluxo. "É preciso melhorar o transporte público e investir em modais mais inteligentes no transporte de cargas", diz David Tsai, pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). Ou seja, dentro das cidades, o transporte público de qualidade que atenda a maior parte da população é um caminho. E, na questão de cargas, sair do rodoviário que utiliza derivados do petróleo como combustível.

WRI BRASIL

A economia global já começa a mover o mundo em direção ao futuro de baixo carbono e o Brasil é um dos países com maior potencial para se tornar um dos líderes dessa nova economia. Um clima equilibrado significa crescimento econômico e estabilidade – acesso a energia limpa, transporte sustentável, saúde, etc. Estimativa conservadora feita pelo New Climate Economy mostra que uma ação arrojada pelo clima no âmbito global geraria US$ 26 trilhões a mais em benefícios econômicos até 2030 em comparação a manter tudo como está. Seriam 65 milhões de novos empregos ligados a essa nova economia de baixo carbono. "O conhecimento gerado em nosso território já demonstrou o potencial econômico de diversas soluções sustentáveis para o Brasil. Encontros como a Semana do Clima em Salvador potencializam sinergias entre os setores público e privado e a sociedade civil para que esses novos empregos sejam gerados no país, aliando desenvolvimento ao combate às mudanças climáticas", afirma Rachel Biderman, Diretora Executiva do WRI Brasil.

WWF

O WWF-Brasil vai participar da Semana do Clima com dois painéis sobre Soluções Baseadas na Natureza (SBN ou NBS, em inglês) e vai promover, junto com o UNFCCC, Prefeitura de Salvador, Salvador Hall e a empresa Coelba um painel artístico, grafitado por alunos de escolas públicas com a temática de mudanças do clima. Juntas, as atividades buscam promover as vantagens da economia verde e incentivar que os jovens estejam cada vez mais conscientes da temática de clima, participando das discussões.

“O relatório do IPCC divulgado na semana passada deixa ainda mais clara a relação entre uso da terra e mudanças do clima. Porém, não é preciso parar de produzir para reduzir os efeitos nocivos ao clima. As chamadas Soluções Baseadas na Natureza permitem a restauração do meio ambiente fornecendo benefícios aos ecossistemas e à população. Elas nos mostram que produção e restauração podem e devem andar juntas”, comenta a analista de conservação do WWF-Brasil, Renata Camargo.







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