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Voluntariado também é um bom negócio

Por Giuliana Preziosi é Colunista de Plurale (*)

Nos últimos anos a sustentabilidade vem ganhando papel de destaque nos negócios. Somente o olhar econômico não garante a perenidade de uma empresa frente às transformações que estamos vivendo no mundo atual. Considerar aspectos sociais, culturais e ambientais é cada vez mais necessário e passa a ser valorizado. E em meio às diversas demandas que surgem frente a um posicionamento como este, o voluntariado, por sua vez, se configura como uma ferramenta cada vez mais adequada para engajar diferentes públicos de interesse, nas mais diferentes causas.

Claro que quanto mais alinhado à identidade corporativa, mais contribuirá com outros projetos ou ações da organização, deixando de ser parte de algo para compor o todo. Para tanto, estruturar um programa de voluntariado deve levar em conta os interesses de todos os envolvidos: empresa, funcionários e sociedade. E com isso proporcionar benefícios mútuos.

A empresa ganha com melhoria de clima interno, motivação de funcionários, aproximação com a comunidade e melhores índices de engajamento interno. O funcionário, por sua vez, com o desenvolvimento de habilidades e competências profissionais e pessoais, além da satisfação que reflete em emoções positivas, contribuindo para sua felicidade. E, a comunidade, com troca de experiências, capacidade de ampliar seu escopo de atuação e aumento de sua visibilidade por meio de parcerias.

Ao estimular programas de voluntariado estimula-se o desenvolvimento humano, algo fundamental para competitividade num mundo cada vez mais transformado pelas tecnologias. Algumas lideranças corporativas já despertaram para isso e sabem que são as pessoas que farão a diferença num mercado onde a tecnologia será uma commodity. Tanto é que, ano passado, o investimento em programas de voluntariado empresarial chegou perto de R$ 12 milhões.

Pesquisas como Perfil do Voluntariado Empresarial no Brasil III – CBVE e Além do Bem revelam que 85,5% das empresas concordam que a prática do programa de voluntariado empresarial melhora a imagem institucional; 90,3% acreditam que as ações voluntárias melhoram a relação da empresa com a comunidade; e 71% concordam que o voluntariado contribui para os objetivos estratégicos da empresa. Também são relatados benefícios internos como o maior engajamento dos funcionários na empresa; percepção por 89% dos gestores de diferentes áreas de que o voluntariado empresarial forma um profissional melhor. Os estudos mostram ainda que 62% consideram o programa de voluntariado um grande diferencial para escolha de um emprego.

Ciclo de prosperidade

Ações de voluntariado podem iniciar um poderoso ciclo que promove a saúde não apenas do destinatário e do funcionário voluntário, mas também da empresa e da comunidade em geral. A Psicologia Positiva mostra que quanto mais emoções positivas no dia a dia, melhor o humor e menor o estresse, o que potencializa o sistema imunológico.

Assim, é importante que as empresas percebam o conjunto de benefícios do incentivo ao voluntariado para que os exemplos se multipliquem e ganhem novos adeptos, uma corrente que potencializa a relação de ganha-ganha. Vide aquelas que inovaram, unindo robustez e criatividade. Caso das gincanas sociais como o Voluntários Mais no Bradesco ou o Rally Social da B3; além de programas de mentoria como na AMBEV, CNI e EY, para citar alguns exemplos. A lista vai longe.

É claro que muitas ainda esbarram no como fazer, mas é uma evolução natural do voluntariado. Por isso, a gestão dos programas empresariais deve ser adaptada aos novos tempos: ser bem estruturado com metas e objetivos definidos, ter diretrizes e até uma política estabelecida. O importante, contudo, é desenvolver um projeto cujos benefícios sejam concretos e visíveis para todos os envolvidos.

(*) Giuliana Preziosi é sócia da consultoria Conexão Trabalho, graduada em Comunicação Social com especialização em Planejamento Estratégico pela Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), MBA em Gestão da Sustentabilidade e mestranda pela Fundação Getúlio Vargas. Atuou na área de Sustentabilidade e na criação de Programas de Voluntariado de grandes companhias e é membro organizadora do Grupo de Estudos de Voluntariado Empresarial.







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