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Plurale Edição 68 - Oslo dá exemplo como cidade sustentável

Texto e Foto de Elisabeth Cattapan Reuter

Especial para Plurale

De Oslo, Noruega

A capital da Noruega é um verdadeiro exemplo de cidade sustentável. Os seus 634.293 habitantes - segundo os cálculos do último censo, de 2014 – podem usufruir de uma cidade limpa, florida que oferece muito conforto aos seus moradores.

Tive a oportunidade de conhecê-la e fiquei muito bem impressionada. Assim como as outras cidades escandinavas, Oslo é circundada por água e fica situada no final de um fiorde. E como nas outras capitais escandinavas, seus moradores adoram praticar iatismo. Não pensei que veria tão ao norte da Europa tantas marinas, iates e veleiros de todos os gostos e tamanhos enfeitar as margens do longo fiorde.

Os dias que passeei em Oslo estavam com uma temperatura de entre 30 e 32 graus centígrados, ótimo para passear ao ar livre.

Como outras cidades europeias de médio porte, Oslo investe muito em infraestrutura urbana. Ruas bem tratadas, arborizadas, parques como o que fica em volta do Palácio Real garantem uma melhor qualidade do ar que ali respiramos, um alívio de comparado a outras grandes cidades europeias, mais ao Sul, como Paris. Além do mais, o Mar do Norte garante ventos que limpam a atmosfera da cidade.

Menos plásticos - Chamou-me a atenção o empenho da Prefeitura de Oslo para motivar a colaboração dos moradores no sentido de preservar o meio ambiente. Grandes outdoors informam sobre o esforço feito para diminuir o uso de artigos de plástico pelos serviços públicos. Esse esforço atinge a coleta de lixo e até o mobiliário urbano: cestas de papel de madeira, bancos de pedra, apelo para que não se jogue chiclete no chão e que se evite o uso de copos de plástico etc.

Um maior esforço também foi realizado para melhorar os transportes públicos: estão sendo reformados e deverão em breve contar com novos vagões para metrô, bondes e trens para o subúrbio. Cartazes informativos mostram à população o que está sendo melhorado, tanto no conforto, como na frequência, tanto na velocidade como na preocupação com o meio ambiente. Sem falar na acessibilidade. Todas as paradas de trens municipais nesse final de 2019 serão dotadas de elevadores, escadas rolantes para favorecerem o uso pelos deficientes motores, carrinhos de bebês, carrinhos de compras e já se adaptarão à onda das bicicletas e patinetes elétricas que invadem a Europa. Os ônibus e os vagões de bondes serão todos equipados com rampas móveis acionados por um botão quando necessário. Com isso, os cadeirantes podem de novo usar com conforto os meios de transporte coletivos.

A frota de ônibus será equipada com energia não poluente e a previsão é que os primeiros movidos a bateria deverão começar a circular regularmente em 2020.

Em Oslo, num futuro próximo os usuários poderão transportar suas patinetes, bicicletas e outras engenhocas futuristas dentro de vagões ou compartimentos postos à sua disposição pela secretaria de transportes.

O objetivo é que o uso particular de automóveis diminua, mesmo o dos híbridos ou elétricos. A municipalidade de Oslo também gerencia o aluguel de patinetes e bicicletas elétricas e tradicionais, mas ela não tem a exclusividade do serviço. Já ônibus, metrô e bondes são públicos.

Sem motorista - A maior novidade ainda em teste é um ônibus que transportará passageiros, que será elétrico, mas sem motorista. Por enquanto ele está sendo testado na Zona Portuária transitando ao longo do cais dos navios que fazem cruzeiros provocando selfies não só de chineses como também da minha parte.

Revitalizar os transportes coletivos e incentivar o uso de veículos de dois ou mais rodas movidos à bateria é sem dúvida uma ótima ideia, para a cidade, o usuário e o clima. No entanto, a realização de boas ideias evidenciam certos problemas estruturais. Em Oslo, tornou-se evidente, o silêncio é um problema!

Habituados como estamos à parafernália da poluição sonora nas cidades achamos uma maravilha que, de repente, o barulho diminua, que o trânsito quase se silencie, mas...e como alertar aqueles que dependiam do barulho para se orientar? Como ajudar os cegos e os que sofrem de deficiência ocular?

Em maio de 2019, Oslo foi o palco de uma passeata organizada pelas instituições que apoiam os cegos alertando a população sobre os inconvenientes e perigos do silêncio.

Na Alemanha - por ocasião da Semana da Visão, que tradicionalmente se realiza em outubro e informa à população sobre as reivindicações dos que pouco ou nada veem - o assunto voltou à tona e ao mesmo tempo concretizou-se a necessidade de equipar os veículos silenciosos com o aqui se chama AVAS (Acustic Vehicle Alerting System) um sistema de alerta que evita acidentes.

É importante salientar que os protestos em Oslo foram levados a sério pela municipalidade embora tivesse que admitir que os excessos no transito silencioso serão difíceis de controlar e que, para tanto, será necessário contar com a colaboração, boa vontade e disciplina dos transeuntes.

Oslo entrou na roda das cidades mais visitas e fotografadas do norte da Europa. Virou atração turística nos cruzeiros que passam pelo norte da Europa.

Aliás, arquitetura e cultura estão em harmonia nessa agradável cidade e a ópera que é um palácio lindo de mármore e vidro vai sofrer a concorrência no ano que vem do moderníssimo Museu Munch, dedicado ao grande pintor, que vai abrir suas portas no verão europeu de 2020. A capital norueguesa almeja chegar bem equipada numa era importante, a da cidade sustentável, um empreendimento louvável que deveria servir de exemplo a outras cidades.







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