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Educação

A retratação com o meio ambiente começa na escola

Por Victória Rosa Cruz e Gabriel Assunção (*)

Especial para Plurale

É ingenuidade pensar que vamos resolver o problema da urgência climática. Grandes cientistas com publicações reconhecidas pelo IPCC, Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, garantem que se pararmos as máquinas de todo planeta agora não há como impedir o aquecimento excessivo da Terra. Mas, este acesso ao conhecimento científico tangível faz toda a diferença quando se idealiza uma readaptação da vida humana em meio ao caos, na esperança de permanecemos merecendo a vida de nossa espécie.

Dos avanços brasileiros na educação rumo ao despertar do sono profundo de ingenuidade, atualmente é previsto na Base Nacional Comum Curricular de 2017 conteúdos relativos ao impacto da vida humana para a vida do planeta, assim como na reforma de 2018 para o ensino médio. Contudo, a verdade é que os estudantes desta geração ultrapassam a sala de aula para adquirir conhecimento, aliás, é uma geração que mais leva provocações para sala de aula, que absorve algum conteúdo inédito.

Eu, Gabriel, enquanto professor de Biologia, cumpri um estágio, em 2018, em uma escola federal do Rio de Janeiro. Neste período, acompanhei por um ano letivo o sétimo ano do ensino fundamental, em que é previsto o estudo dos temas Biodiversidade e Conservação. Porém, o que presenciei foi um foco extremo na parte de Diversidade da Vida, enquanto a parte relativa aos Biomas Brasileiros tornou-se apenas um trabalho de pesquisa para casa. Vale lembrar que no planejamento do ano letivo é pensado um bimestre justamente para temática Biomas Brasileiros. A inquietação que fica é: De que adianta um aluno de 13 anos decorar o nome de diversos grupos de animais e plantas?! De fato, nada, se antes ele não for ensinados sobre o contexto dessas formas de vida, e sobre a preservação e conservação dessa diversidade que está presente justamente nos Biomas.

O nosso grande questionamento enquanto jornalista e pesquisador é o quanto desses espaços de construção de conhecimento estão preparados para acolher e debater a urgência climática, que passa diretamente por questões relacionadas a conservação e preservação. Os estudantes são pressionados e desafiados a vencer uma maratona chamada prova do ENEM, que, aliás, somente nos anos de 2001 e 2008 trouxe algum tema ligado a meio ambiente como proposta de redação. Justamente no ápice da reflexão de tantos conteúdos e tantas vivências ao longo da vida escolar, pouco se provoca a pensar sobre a nossa própria existência no planeta. Ainda vale lembrar que nas datas citadas acima, o Exame Nacional do Ensino Médio não era obrigatório para ingresso em uma universidade.

A geração Greta Thumberg prova que de nada vale a escola que forma um excelente robô de vestibular, essa geração tem sede de conhecimento e engajamento. O grande diferencial do tal profissional do futuro, formado na escola do presente, será justamente as habilidades comportamentais, como a empatia e a cooperação. E quem serão esses jovens talentos universitários bem treinados que não estudaram nesses primeiros espaços de reflexão o privilégio de ser uma espécie que existe graças a tantas outras formas de vidas incríveis?!

Mais que dispostos a questionar os modelos atuais de educação, acreditamos que atividades escolares dinâmicas, criativas, colaborativas e tangíveis aos problemas ambientais diários de uma cidade como o Rio de Janeiro são capazes de plantar a sementinha nessas mentes brilhantes que podem despertar e contribuir para uma mudança radical de hábitos. De tantas soluções mirabolantes, a mudança pode começar com a simples e divertida adesão do Guia da Pessoa Preguiçosa para Salvar o Mundo (ONU), mas o grande desafio é despertar a coragem de cada aluno para questionar de fato a urgência do tema que é determinante para o “Nosso Futuro Comum”, como já se atentava lá nos anos 80.

(*) Victoria Roza Cruz é jornalista e pós-graduanda em Meio Ambiente pela Coppe/UFRJ. Idealizadora e apresentadora do Impacta Rio, programa de entrevista que vai ao ar na Antena 1 Rio. Colunista e apresentadora no Observatório da Comunicação Institucional.

Gabriel Assunção é formado em Licenciatura em Ciências Biológicas pela UFRJ e cursa Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Zoologia do Museu Nacional da UFRJ. A ênfase do projeto de pesquisa é a diversidade de aracnídeos da Mata Atlântica carioca.







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2 comentários | Comente

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Carina Lima |
Falou e disse!! Importantíssimo texto principalmente nos dias de hoje nos quais questões sobre o meio ambiente são rotuladas como “ideológicas” e afastadas do conhecimento geral.

Lena |
Texto que nos leva à reflexão quanto a nossa inércia e negligência a respeito do tema supracitado . É urgente darmos o primeiro passo!Com medidas simples , porém eficazes como o texto inteligentemente sugere!Após uma leitura atenta e responsável do artigo ,cabe a nós a decisão de continuarmos inertes ou de nos posicionarmos imbuídos de coragem frente ao problema da urgência climática.