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A velocidade de transmissão como arma

Por Alexandre Arraes, Colunista de Plurale (*)

A velocidade da transmissão do coronavírus é a sua principal arma de ataque. A velocidade de transmissão de informação científica é a nossa principal arma de defesa.

As informações sobre as melhores práticas em saúde pública e que estão obtendo os melhores resultados nos países em que foram alcançados mais cedo pela Covid-19 chegam praticamente online para todo o mundo.

A rapidez da comunicação dos resultados dos trabalhos científicos que estão sendo desenvolvidos ao mesmo tempo em que a doença avança em diferentes fases pelo mundo, indiscutivelmente, é a principal arma contra a pandemia.

Comunidades científicas de países que estão na fase de mitigação ou já a superaram, como é o caso da Coreia do Sul e Singapura, ensinam as práticas que adotaram e que apresentaram melhores resultados no enfrentamento da doença.

Assim, países como o Brasil, ainda na fase de contenção da pandemia, podem tomar iniciativas já amparadas em dados científicos recentíssimos produzidos por quem acabou de passar pelo que passaremos em 45 dias, segundo a previsão de epidemiologistas, quando entraremos na fase de mitigação em que haverá grande número de doentes e pacientes mais críticos.

É importante que a população confie e obedeça as determinações dos órgãos públicos que estão conectados com a comunidade científica internacional.

Tratamentos miraculosos, rede de mentiras virtuais, desobediência às recomendações de isolamento social e uso político eleitoral da situação são ameaças que precisam ser denunciadas e combatidas. Podem complicar muito o controle da doença no Brasil, cuja parcela importante da população tem até dificuldade de acesso à água de boa qualidade para lavar as mãos.

A sensibilização de toda a população através de campanhas educativas com linguagem clara e direta é urgente e fundamental. É enorme o potencial de contaminação das pessoas que moram em áreas favelizadas, em habitações precárias, com alta densidade demográfica, sem acesso a saneamento adequado e onde há percentual maior de portadores de tuberculose, outras doenças crônicas e imunodeprimidos.

No Rio de Janeiro o risco pode ser maior pois áreas favelizadas da cidade, que hoje ocupam 22% do território municipal, onde teoricamente haveria chance de disseminação mais rápida da doença, se confundem com bairros onde há alta concentração de moradores idosos, como é o caso de Copacabana.

É importante e fundamental que observemos as medidas restritivas de circulação e isolamento social, evitando todo e qualquer tipo de reunião, observação de distância física quando o contato presencial for indispensável e o fechamento de estabelecimentos onde ocorram naturalmente concentrações de pessoas. Essas medidas somadas aos cuidados obsessivos com a higiene, principalmente lavagem das mãos, podem evitar que muitos idosos, doentes crônicos e imunodeprimidos sejam acometidos.

Não há remédios para combater a COVID-19. Evitar a velocidade de transmissão e diluir o número de casos ao longo do tempo até que parcela significativa da população tenha sido imunizada é a única forma de combater a pandemia até que uma vacina seja desenvolvida.

*Alexandre Arraes é médico e vereador.







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