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ESPECIAL CORONAVÍRUS

ESPECIAL PLURALE - CORONAVÍRUS - Case de como lidar com a crise

Foto da Agência Brasil

Por Fernando Thompson, Jornalista/ Comunicador - Especialista em Gerenciamento de Crise

Especial para Plurale

Quer saber como se faz gestão de crise? Segue as falas do ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Ele fala claro, joga limpo, abre o jogo, manda a real, sem ser alarmista. Ao falar sobre a necessidade de apartar os netos dos avós (que são mais suscetíveis ao coronavírus) ele emociona, passa empatia. Faz um chamamento à união nacional, prega o federalismo e diz: vamos ter 20 semanas duras pela frente.

Gestão de crise não é para qualquer um. Precisa ter vivência, rapidez de raciocínio para saber o que não fazer. O maior erro dos gestores é sair fazendo muitas coisas, ao mesmo tempo. Na verdade, gestão de crise e fazer menos, para fazer bem.

Vejamos o caso de Mandetta. Ele fala todos os dias, mas não toda hora. Ele tem um briefing diário em Brasília, que consolida as informações numéricas e técnicas, sempre no fim da tarde. Mesmo quando o ministro está em viagem a alguma cidade afetada pelo Coronavírus, sua equipe faz o encontro de prestação de contas. Todos os dados são repassados, e não há perguntas sem respostas.

Mandetta faz mais do que isso. Ele senta-se na mesa com governadores de estados de oposição, para falar das medidas de ajuda. Na fala do ministro, não há espaço para interpretações políticas, não existem palavras de duplo sentido. Mandetta não altera o tom da voz nem mesmo quando diz que a crise ainda vai piorar antes de melhorar.

Eu já vivi e gerenciei muitas crises. E posso dizer que é difícil ser transparente 24h por dia. E quando isso envolve a vida de milhões de pessoas, tudo fica mais difícil. Não há como o governo vencer essa crise de comunicação. Teremos erros, e quando as mortes dos doentes começarem a crescer em uma escala geométrica, Mandetta será cobrado a entregar o que ele não tem: serviços de qualidade a 200 milhões de brasileiros. Mas o ministro é um ótimo operador, ele lembra Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central. Franco foi um dos pais do Plano Real e enquanto esteve no BC comandou o enfrentamento à crise do ataque especulativo contra a moeda brasileira, no fim da década de 90 do século passado.

"A defesa da moeda não conta com a ajuda de lobbies nem grupos de pressão. O trabalho de se evitar a tributação do pobre através (sic) da inflação traz benefícios a maiorias silenciosas e desorganizadas, cuja voz se faz ouvir apenas ocasionalmente, no momento das eleições", disse Franco à Folha naquele janeiro de 1999, quando deixou o BC.

Que o ministro da Saúde tenha mais sorte na sua batalha contra os grupos de pressão, que das sombras atiram, no meio dessa imensa crise que assola o Brasil. Sorte do País que tem um Mandetta para pilotar a “mesa de operações da crise”. É para virar case de estudo.







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Luiz Gaulia |
Fernando, seu texto vai para minha aula EAD de hoje na ESPM on line. Abraços e #saude