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ESPECIAL CORONAVÍRUS

A economia. Pelas pessoas.

Por Luiz Antônio Gaulia , Colunista de Plurale (*)

Escrevo este texto com mais dúvidas do que certezas, não tenho bola de cristal e minhas experiências anteriores não trazem referências similares ao que estamos vivendo neste momento. Mas, algumas reflexões me parecem necessárias para sairmos dessa crise, sem mergulharmos em outra calamidade muito maior na sequência.

Precisamos de álcool em gel, precisamos de leitos hospitalares, vitaminas, medicamentos, luz elétrica para abastecer clínicas e hospitais. Precisamos garantir água e a entrega de alimentos aos doentes em tratamento, aos que estão de quarentena e aos saudáveis. Precisamos que muitas pessoas trabalhem, para que nós estejamos seguros em nossas casas.

Pense comigo. Precisamos que o álcool que o fabricante de gel necessita venha de longe, do campo, trazido por caminhão ou comboio oceânico, em navio de carga. Um material hospitalar como uma aparentemente simples luva plástica, descartável, depende da produção nas refinarias e antes delas da produção de óleo, para depois serem beneficiados e transformados em luvas. Daquelas compradas ali na farmácia da esquina. Esses materiais precisam ser embalados corretamente e entregues por todas as cidades do país. Precisamos de embalagens, então! E de uma enorme logística de entrega.

Se vamos ficar em casa, dependemos do gás de cozinha que começa pelo funcionamento de grandes operadoras das malhas de gasodutos, dependentes do trabalho de pessoas, como nós, desde as plataformas em alto mar. Muito antes de termos o conforto de acender a chama e cozinhar um chá quentinho. Uma cadeia industrial de trabalho e valor que simplesmente não pode parar. Como fazer?

Algumas empresas simplesmente não podem deixar de funcionar pois são como uma espinha dorsal industrial da nação. Imagina uma siderúrgica cujo alto-forno precisa manter-se aquecido e operacional durante 24 horas ininterruptas, pois caso essa gigantesca máquina pare, ela provoca a parada de todo uma usina e com ela a demissão de milhares de empregados e com isso a falência imediata de uma cidade inteira?

Usinas hidrelétricas e suas equipes de monitoramento local, nas instalações, outro exemplo. Imaginem uma pane no sistema de energia nacional num momento destes. Isolamento para eles, home office, como se faz?

E as redes de televisão e de notícias? Os estúdios com jornalistas ao vivo e de plantão trazendo as informações e trabalhando dia e noite para divulgarem fatos e dados para a população? Centenas de pessoas juntas para levar ao ar o noticiário ao longo do dia...

Tudo isso sem mencionar a economia informal e incontrolável. Micromercados como o de venda de álcool em gel, de procedência duvidosa, que já existe pelas ruas das cidades. Restaurantes fechados? Venda de quentinhas e entregas correndo soltas pelas ruas! O mercado vai dar um jeito de funcionar e a sobrevivência pessoal vai ser a mola propulsora. Contudo, um colapso econômico profundo poderá causar muito mais estragos, caos social e mortes do que a doença em si mesma. O funcionamento dos mercados faz parte das nossas vidas e, se num decreto cabe de tudo, só na escassez iremos compreender o quanto a economia pesa no dia a dia das pessoas.

(*) Luiz Antônio Gaulia é Diretor da Race Comunicação, Mestre em Comunicação e Sustentabilidade pela PUC-Rio, especialista em Comunicação Empresarial. Trabalhou com marcas e empresas de grande porte como CSN, Light, Votorantim, Alunorte, Vale, O Boticário e Ajinomoto.

#saúde

#superação







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2 comentários | Comente

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Luiz Gaulia |
Exato! Um abraço grande e #FocoNaCura, vamos vencer essa!

Fernando Thompson |
Prezado Gaulia, ótimo artigo. Temos que valorizar aqueles que saem de casa todos os dias, mesmo diante de um quadro de pandemia, para garantir os serviços essenciais. E aqui vão os meus aplausos a todos eles.