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Mulheres Brasileiras residentes de Nova Iorque: solidariedade e criatividade

Por VIVIANE FAVER , Especial para Plurale

De Nova Iorque

A cidade de Nova Iorque registrou um novo recorde no número de 12.305 infecções por Coronavirus, na manhã dessa segunda-feira, segundo o Governador Andrew Cuomo. O estado de Nova York é o mais atingido do país, à frente do estado de Nova Jersey, Califórnia e Washington.

No entanto, em meio á essa crise mulheres brasileiras, residentes de Nova Iorque, dão um show de solidariedade com imigrantes menos favorecidos e criatividade nos negócios.

O primeiro exemplo é a carioca Clara Planel (foto), residente dos EUA há nove anos e fundadora e CEO da Kindside, um rede de creches e pré-escolas corporativas se propôs a ajudar profissionais independentes e pequenos negócios liderados por mulheres aceitando como pagamento troca de experiências e/ou indicação futuras para seu negócio quando a crise acabar.

"Tenho muita experiência em growth marketing e branding, mas por 15 anos de carreira eu sentia que não estava aplicando esse conhecimento pra gerar alguma coisa boa pra alguém. O coronavirus foi uma chance de expandir essa ajuda pro-bono, e é a desculpa perfeita pra não ler notícia ruim a cada 5 minutos", declara Maria.

A ajuda é feita usando google docs onde os pequenos empresários selecionam os clientes baseados no tipo de consultoria, número de horas e tipo de indústria onde o cliente atua. "Muitos estão vendo isso como uma oportunidade de conseguir clientes pagos quando essa crise toda acabar", explica.

A primeira consulta dura 30 minutos, onde o cliente explica os objetivos da empresa e os problemas que estão enfrentando, também aborda questões sobre como gerar fontes extras de lucro sem precisar investir capital.

Para isso, Maria Planel faz um mini contrato só para deixar tudo esclarecido, com o número de horas, o que está incluído e que não está, e o valor do serviço é zero. "A troca sempre vai existir, e é a parte mais legal. A última cliente que chegou é uma professora de pré-escola muito respeitada, que ensina música para os pequenos e quer expandir o negócio online dela. Já combinamos que ela vai me ajudar indicando professoras excepcionais quando eu abrir a minha primeira escola", conta.

Já a diretora criativa de São Paulo, Ana Salles, que mora sozinha em Nova Iorque desde 2016, conta que sua agencia digital teve muito projetos cancelados ou adiados, pois todo mundo está com medo de investir, ou porque simplesmente não tem condições de fazer a produção no momento.

Ela começou a observar que, não só ela, mas seus amigos que também trabalham no setor criativo estavam começando a perder o emprego. A partir daí surgiu a idéia de fazer um vaquinha - "Go Fund Me" para ajudar a todos.

"Grande parte dessas pessoas são fotógrafos, film makers, atores, dançarinos, stylists, beauty artists que não conseguem executar o trabalho deles online. Apesar de todas as medidas que estão sendo tomada pelo governo, existe pouco recursos para imigrantes — mesmo legais — e por isso que resolvi criar esta campanha, como uma forma de poder ajudar quem precisa e não tem previsão de quando voltará a trabalhar", explica Ana.

Por enquanto a campanha está sendo organizada só por ela, porém, Ana segue tentando procurar suporte de alguma organização para aumentar a visibilidade — tanto para ajudar mais quanto para arrecadar mais.

A maioria das pessoas precisam de suporte para o aluguel e despesas básicas como comida. Ana afirma que irá dividir o valor arrecadado entre as pessoas passando por mais necessidades ou pela data que submeteram o formulário. Qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode doar. Qualquer quantia é mais do que apreciada. link é só clicar https://www.gofundme.com/f/nyc-immigrants-freelancers-amp-small-biz-relief-fund

Apesar de tudo, Ana Salles segue otimista "Acredito que momentos de crises trazem muitas boas transformações para o mundo. Já estamos vendo efeitos positivos no meio ambiente, e acredito que este momento de isolamento e dificuldades traz o senso de humanidade e união de volta. Existem muitos movimentos monstrando solidariedade e unindo países. Também acho que momentos de dificuldade nos convida a ser mais criativos, reinventar a nossa vida, trabalho, relacionamentos. Isso vai trazer muito inovação. É hora de colocar aqueles projetos pessoais em prática, e transformar nossos hobbies em realidade. Sem dúvida, mundo não será mais o mesmo depois disso.

Imigrantes sem visto de trabalho ou ilegais:

O momento é de calma e espera, avisa a brasileira kelly Fontoura, que trabalha com imigração de pessoas de baixa renda em Nova Iorque.

"Estamos no momento de entender as novas medidas aprovadas há um dia atrás pelo Congresso. Os websites com informações sobre benefícios como seguro desemprego e sick days ainda não estão atualizados", explica.

Ela acrescenta que para quem esta com status ilegal não se desesperar. Kelly é bem positiva em relação as ajudas que serão oferecidas futuramente. "A única coisa que tenho certeza é que veremos uma onda de solidariedade jamais presenciada."

Outra brasileira que se colocou á disposição para ajuda é a especialista em imigração americana, a paralegal Fanchele Barra, que diz que as expectativa é de muito esforço, educação financeira, e aprendizado para superar essa fase pelos próximos 12 meses.

Para quem está desesperado, ela sugere solicitar ajuda através de grupos online (Facebook, Instagram), e atendimentos, consultorias, e telefonemas serão efetuados por voluntários. "Eu sugiro que todas procurem ocupar a mente, traçar projetos e ter a força de lutar para realização deles. Não desanimem pela falta de trabalho, por estarem longe da familia, por estarem em isolamento. Lembre-se que todos estamos no mesmo barco. Além disso, lembrar que diante uma crise financeira, o planejamento financeiro é fundamental, redução dos gastos supérfluos."

Para imigrantes ilegais, que geralmente trabalham com limpeza e como babás, Fanchele diz que a saída é usar a criatividade, oferecer promoções nos serviços prestados, estar atentas a reduzir os gastos. "O hábito de economizar deve ser priorizado e o orçamento familiar tem que ser discutido com atenção e racionalidade", finaliza.







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