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À busca de um sentido para este momento. Entrevista com Ivo Lizzola

Ivo Lizzola é professor na Universidade de Bergamo, tem um longo caminho de reflexão dedicado ao "cuidado" das pessoas. Ele desenvolveu uma ética do cuidado que aborda múltiplos aspectos da pessoa (desde os jovens que largaram a vida comum até os presos). Nesta entrevista, pedimos a ele uma reflexão sobre o "sentido" desse momento trágico. A partir de sua experiência em uma área tremendamente atingida, como a região de Bérgamo.

Hoje mais páginas inteiras de obituários no L'Eco di Bergamo. Doze, como nas duas últimas semanas. O que certamente eleva os números acima da média oficial. Um rosário de rostos, de olhares, de sorrisos; e constelações de famílias, de proximidades. Histórias, relacionamentos, projetos de vida, memórias, esperanças, promessas, singularidades ... que quase se esvaem como um enxame. Como se engolidos em um céu que ficou estreito.

Em uma rapidez no acabar que quase não deixa nenhum espaço e possibilidade para histórias, entregas, legados, gestos, despedidas. Queimados. E todo mundo espera que elas pelo menos sejam guardadas no afago desconhecido de um enfermeiro, de um médico, exausto, exausta. Ela ou ele também longe e separados de seus entes queridos, para a sua proteção.

O que resta afinal, o que sobra dessas mortes "lotadas", confiadas e dispersas? Outros povos e lugares do mundo continuaram a conhecer tudo isso até hoje nas guerras e nas carestias, somos nós que as encontramos novamente após gerações, atônitos. Talvez sobrem o sinal, o traço de amor, as dedicações e as promessas: pouco mais que uma semente.

A entrevista é de Pierluigi Mele, publicada por Confini, 20-03-2020. A tradução é de Luísa Rabolini. Via IHU On-Line.

Confira a entrevista.

Nos últimos tempos, professor, a pandemia que atingiu a Itália, especialmente sua cidade de Bergamo, está fazendo a opinião pública italiana se questionar em profundidade. Inclusive teólogos e filósofos. Estamos à procura de um sentido para este momento. Em poucos dias, nossas vidas mudaram. Vivemos suspensos em momentos em que a incerteza manda sobre o futuro...

A incerteza entrou dentro de nós, antes nos preocupávamos com o projeto e a previsão sobre o futuro, o possível e o controle. Ocupados a garanti-lo, desenvolvê-lo, experimentar inovações, novos encontros. Tudo era dado como certo, direito, mérito, para alguns até sucesso... Vida de emoções e novidades... dadas como certas. Era meu tempo, o meu futuro, fruto de minhas aventuras e minhas intenções.

Bastava não estar muito perto das realidades humanas e sociais, onde só se pode tentar viver, nas margens e vazios das paisagens interiores, nas frestas existenciais: a ilusão serviu para muitos.

Mas a vida é precária, flottant escrevia Paul Ricoeur, incerta e titubeante. Nos encontramos vivos antes de qualquer exercício de vontade. E em uma "certa necessidade de existir" - escreve o filósofo. Mas a vida "então escapa, foge ao controle": não se reina sobre ela. Sim, devemos continuar a querê-la, escolhê-la devemos cuidar dela, cultivá-la, mesmo que depois, de alguma forma, ela te abandone.

Muitos idosos e muitos grandes idosos estão morrendo. As memórias, as continuidades de muitas histórias locais, às vezes a manutenção de relação. Morrem muitas mulheres e muitos homens envolvidos com a comunidade, voluntários, pessoas cheias de saberes e histórias. Testemunhas.

Muitos, todos juntos. Sem ter tempo para celebrá-los, narrá-los, mantê-los um pouco nos rosários das lembranças, das dívidas, das Ave Marias entre as pessoas reunidas ao seu redor. Como se uma geração estivesse sendo dizimada. Raízes estão sendo arrancadas de uma comunidade. Como semear de novo retomando os legados?

Estes também são os dias em que se experimenta a "distância": a distância de um metro, a proibição de "tocar, beijar, abraçar". Paradoxalmente, para mostrar atenção ao outro, você precisa ficar bem longe. Gabriel Marcel disse que o "corpo lembra". Estamos experimentando outra "corporeidade"?

Há uma distância que está nos corpos e que é dos corpos que nós somos. Nós a sentimos morder, radical: existem corpos submersos e corpos salvos. Corpos expostos, tremendo; corpos nas mãos de outros. Corpos trancados e que sentem vidas sem proteção.

Nestes últimos dias, muitos se sentem submersos, tomados pela doença não conhecida e pelos sistemas sanitários. Sentem que não se pertencem mais. Os outros, salvos por enquanto, por um lado, têm medo de escorregar para o redemoinho e, pelo outro, sentem o peso de uma injustiça e de uma culpa não imputável.

Recentemente, com os estudantes, uma faixa etária um pouco mais protegida hoje, relemos o I sommersi e i salvati de Levi, as páginas sobre a zona cinzenta, úteis para nos ler por dentro. Também para encontrar formas de disposição e dedicação, simples gestos bons e corretos. Como os de Silvia, que me escreve: “Obrigado pela aula a distância de ontem. Não falei nada porque estava brigando comigo mesma. Vem me acontecendo bastante nos últimos dias de sentir um pouco o peso da minha sensibilidade e um pouco de culpa. Como se eu tivesse atingido o limite, como se não pudesse mais suportar "sentir" ou "sentir pena". Para sair disso, tive que inventar uma maneira para estar presente. Então, acordei cedo, amassei massa folhada e pão e levei pão fresco aos meus vizinhos idosos e croissants a uma amiga minha que trabalha na emergência, no setor de atendimento à Covid.

Eu me senti viva, bem. Eu acho que farei isso amanhã também".

O gesto "inútil" de Silvia, que tenta estar perto na angústia dos vizinhos, e a exposição arriscada de sua amiga, me lembraram a figura de Lorenzo, o trabalhador italiano que Primo Levi lembra em Se questo è un uomo. Ele havia lhe trazido um pedaço de pão e sobras de alimentos durante alguns meses, para ele intocável.

"Com seu jeito simples e fácil de ser bom", escreve Levi, ele contava que existia outro mundo, uma possibilidade de bem, de esperança, "pela qual valia a pena se preservar". Distância, ligação profunda. Sim, o corpo se lembra!

Mas há outro elemento que estamos experimentando: o da proximidade e do cuidado. As palavras de Albert Camus, escritas em sua obra-prima, A Peste vem à mente: "Mas você sabe, sinto-me mais solidário com os perdedores do que com os santos. Não tenho inclinação, acredito, para o heroísmo e para a santidade. Ser homem, é isso que me interessa". Além de médicos e enfermeiros, também os jovens que se oferecem para levar as compras para os idosos em seus condomínios ou bairros, mesmo em áreas de alto risco ... É uma boa marretada na cultura dos muros e da indiferença. É isso?

Nestes dias em que a vulnerabilidade e o cansaço da esperança parecem nos deixar suspensos entre o acaso e a necessidade, em que as perguntas sobre viver e morrer permanecem abertas, parece que sobram apenas fios delgados da trama do mistério do encontro. De um operoso, solidário e solícito encontro entre as mulheres e os homens.

Dentro das "áreas de respeito" dessa proximidade-distância sem precedentes, o cuidado de si é o cuidado do outro: aqui resistem fios de sentido, de bons sonhos, de dignidade, de justiça, de gratuidade fraterna. Claro, nada nos garante que amanhã desorientação, perda de raízes, más nostalgias, busca de novos ídolos legitimam novamente o exercício da força entre as mulheres e os homens. Mas vamos lembrar as palavras de Simone Weil: “Parece que estamos em um impasse do qual a humanidade só pode sair com um milagre. Mas a vida humana é feita de milagres”.

Para lidar com o sutil e intimidado insinuar-se da distância é preciso lucidez, cuidado para sentir o outro, atenção a quem estamos nos tornando. Nesse caso, só podemos aceitar nos curvar novamente, com cuidado e com inteligência respeitosa, sobre a vida, os laços, o trabalho e as formas de vida comum que resiste e nasce. Sobre a vida que às vezes morre.

Muitas e muitos se inclinam, às vezes intervindo e, com mais frequência, impotentes, mantendo viva uma dança de olhares mais que de toques e carícias. "No entanto, eu já vi tanto sofrimento no passado - Beppe me fala, um amigo médico - mas é como se eu nunca tivesse vivenciado ... aqui há silêncio, nos olhamos". Olhamos nos olhos: um a um, uma a uma. Como para salvar o nome de cada um.

O dom, a gratuidade são dimensões próprias de cada nosso gesto, na profissão, no trabalho, em casa, nos encontros, no jogo ... lá nos oferecemos ou nos reservamos apenas para nós mesmos, para a nossa atuação. A proximidade e o cuidado são dos humildes, dos devedores, dos provados; são dimensões de mulheres e homens não inocentes, não perfeitos, apenas agradecidos.

Há também, tragicamente, a experiência da dor absoluta: a morte. Infelizmente, atinge aqueles que já são frágeis. Levar seu ente querido até a porta da terapia intensiva e nunca mais vê-lo novamente ... Uma tristeza absoluta, um sentimento de abandono e nem ouso imaginar o que se passa na mente daquelas pessoas...

No início do curso de pós-graduação, normalmente faço duas dedicatórias: este ano, ainda nem se falava na China, eu fiz uma dela para os garotos do barbeiro Wuhan: eu tinha lido sobre aquele homem que, no final de seu turno de trabalho, ia até aquele hospital que construíram em dez dias, para fazer uma gesto simplíssimo: cortar o cabelo.

Eu dizia que deveríamos ser como o barbeiro de Wuhan, sem saber em que abismo teríamos afundado em poucas semanas. Aquele gesto que lhe permitiu viver, era antes de tudo o seu trabalho, mas de repente significava mais: ele reencontrava seu sentido e a sua origem. Os gestos de nossa cotidianidade, que muitas vezes "destruímos" na lógica da troca e do mercado, ainda trazem dentro de si o segredo de uma cura que essa crise está trazendo à tona. Talvez possamos redescobrir a profundidade da confiança e da oferta recíprocas.

Claro que sempre se morre sozinhos. Deixamos um ao outro, mas podemos nos deixar estando perto, em mãos atenciosas, nos sentindo de alguém. Nestes dias, mães e pais morreram sem ter visto de novo filhos e filhas, separados deles. Quão verdadeiro é esse desejo de cada um de sentir ainda, enfim, o toque de quando nascemos, acolhidos pela palma de uma mão, que nos segurou, limpou e aninhou. Assim nós "viemos ao mundo". Esperamos sentir aquela palma da mão no rosto ao morrer. Hoje para muitos, para muitos, isso não é possível.

Só nos restar esperar, e é pungente pensar que alguém de uma sala de UTI se lembre daquele cuidado e que coloque sua palma da mão na nossa, mesmo que seja desconhecido. Que ele faça isso em nome daquela concreta humanidade que se manifestou justamente naquela pessoa, em sua vida que agora termina. Os parentes não podem estar presentes? Mas você está lá, e então faça um afago, segure sua mão. Só isso pode lenir o desgaste, para quem o amou, de distância. Quando tivermos certeza disso, então poderemos agradecer ainda assim vida, o fato de sermos uns dos outros.

É possível que a solidão inevitável não seja um abandono insuportável, mas um confiar-se; não seja a solidão do abandono, mas um encontro entre pobres.

A Igreja também é atingida pela pandemia. Como crente, que efeito lhe causa o domingo sem missa?

"Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão O Pai em espírito e verdade" (João, 4) Jesus fala à samaritana perto do poço de Jacó. É o evangelho de três dias atrás. Além das disputas sobre qual templo, qual monte ... Viver uma espécie de purificação do espírito, de retorno à Palavra, de reencontro na interioridade é o tempo que nos é dado. Que é sempre o tempo oportuno.

Quando os rituais, os lugares comunitários, os gestos e as palavras trocadas, cantadas e "dançadas" juntos, voltarem, talvez sejam mais capazes (capax: acolhedoras, receptivas, plenas) de guardar e ressonar com dor e alegria, com sombra e a ternura, com desgaste e a esperança, a morte e a vida em que a Promessa do Pai foi mantida, resistiu.

A pandemia que entra e abala consciências e escolhas, pensamentos e relações, modos de viver juntos e de viver sozinhos talvez peça à Igreja que abra dentro e fora de suas fronteiras (aquelas onde encontre e dialoga com expectativas, esperanças e desorientações de muitos homens) uma temporada de reflexão, escuta, escolha: um Sínodo? Como uma oração, coral e aberta.

Para a fé que desafia leva essa pandemia?

Etty Hillesum escreveu em setembro de 1942 "Não poderíamos ensinar às pessoas que é possível trabalhar e continuar a ter uma vida interior produtiva e confiante indo além da angústia e dos ruídos de fundo que nos assaltam? É necessário deixar amadurecer por dentro o essencial, enquanto tantos, tantas buscam no que ter fé nesta passagem. Em que confiar? De onde vêm os apoios para a esperança? Que gestos e presenças nos oferecem como dom e fraternidade? Para o que somos chamados?

Em nós e entre nós “há mais, além da necessidade de acreditar. Fala-se, em nós e entre nós, uma palavra da vida... quase um sussurro, que pode talvez tocar aqueles que vivem uma fé nua. Você se lembra das páginas de Romano Guardini?

Quando o gesto é acompanhado pela charis, pela graça, o homem se torna "um orifício através do qual Deus e a criação se olham". Assim dizia Weil.

Você realmente sente a fragilidade do acreditar, crédito aberto, esperança de esperança, convicção não certificável. Abandono que aguarda os braços.

Para o Ocidente, essa pandemia coloca em crise seus mitos baseados no individualismo invencível. É isso mesmo?

Quem sabe se tocar o inútil, o incerto e o ineficaz nos preparará para voltar a sentir mais profundamente o gratuito. Sua energia delicada e decisiva.

Um pequeno texto de Walter Benjamin foi publicado recentemente (por Castelvecchi) Esperienza e povertà. É útil para um tempo em que se deve conseguir recomeçar, começar do novo; virar-se com pouco, construir com pouco, enquanto os saberes de antes ou tocam o limite ou se revelam fúteis, quando não falaciosos.

De alguma forma, será necessário talvez "libertar-se das experiências", aquelas ricas, que pareciam construções sólidas que explicavam e garantiam tudo (até as injustiças, os cinismos e as disponibilidade) para tentar criar uma vida comum para evidenciar uma certa pobreza "aquela exterior e, no final, também a interior, com tanta pureza e clareza que resulte algo decente”.

Mulheres e homens que sentem "uma existência que em cada dobra se basta a si mesma, na maneira mais simples". Da indigência - tocada na sufocante riqueza de coisas e oportunidades e disponibilidade para alguns, na exclusão de muitos - à "pobreza" de novas narrativas, de começos essenciais porque capazes de guardar o coração de legados antigos e o cuidado para o futuro de outros. Em um êxodo exigente, de caminhos nada certos.

Ali poderemos semear a necessidade de acreditar, que neste tempo é tão provado, tão exausto, se estica como a corda de um arco no ponto de ruptura. E, ligando a necessidade de acreditar ao desejo e à tarefa de saber, de saber, de ser responsáveis.

A política tenta responder com seus meios a essa crise. E as respostas na Europa foram de dois tipos: aquela italiana, seguida por outros países, e aquela cínica e substancialmente de desconsideração de Johnson (que agora está mudando de ideia), o primeiro-ministro inglês. Que lição essa pandemia está dando à política?

Vou voltar um pouco para trás. Eu estava pensando nos últimos dias em que o futuro parece ter entrado em dissolvência sobre o fato de que o sentimento do futuro (e do tempo) já havia sido jogado. Na festa do "consumidor global", futuro, sonho, mito e ritual estão dispersos: Bauman explica isso muito bem no Il teatro dell'immortalità. Nada nasce, não se busca começo, não se esperam novos céus e novas e novas terras. No máximo, "se inova".

A política agora se depara com a questão do futuro, não do conserto do presente, com a necessidade de um profundo repensar, uma reorientação radical. Deve pensar na vida, partindo da saúde, e de uma convivência que a cuide, a cultive, a faça florescer. Percebendo que toda vida é vida comum, é vida uns dos outros, uns de outros. E fica claro que as políticas são eficazes quando se apoiam, interpretam, orientam escolhas e práticas de vida atentas e responsáveis, capazes de dedicação e de oferta (mesmo que hoje se diga sacrifício, e se fala errado, Luigino Bruni está certo).

Além da linguagem, a política terá que mudar seu olhar: não será uma questão de fechar um parêntese, mas de saber redesenhar juntos uma nova convivência, na qual sobriedade, cuidado mútuo, cultivo do que vale, atenção à fragilidade, uso de saberes e poderes, sejam entrelaçados entre as gerações, entre as culturas. Cuidar da vida comum, da vida nova. Projetar e construir como um cultivo de promessa: de dignidade, reconhecimento, cuidado, ninguém excluído. Começo, começar é sempre um gesto generoso, é oferta, é encontro. Sobre o futuro.

Precisaremos de políticos capazes de ser humildes, com um senso de realidade, com capacidades de visão e de escuta. Capazes de apelo e orientação. Testemunhas e com cuidado parental.

Última pergunta, professor. voltemos ao ponto de partida: estamos à busca de um sentido para este momento... Existe?

Há quem tenha evocado a inevitabilidade de uma certa "seleção natural" dos fracos, idosos e deficientes. Muitas vezes são também pobres e marginalizados. Usando tons que Julia Kristeva definiria como "exterminadores de ratos do terceiro milênio", novos promotores de mérito, da excelência, do vitalismo, da pureza.

Há também quem retomou imagens do "flagelo de Deus", da punição e do castigo, da purificação: o restante dos perfeitos permanecerá intocado. Os messianismos invertidos que tantas vítimas já fizeram apropriam-se do vírus.

Mas a humanidade já demonstrou, inclusive atravessando catástrofes, que reagiu à lógica da seleção natural com a fraternidade e a piedade, aquela diária e simples de tantos profissionais de saúde e do cuidado hoje. Uma humanidade que coloca ao lado do sofrimento duro e "injusto", a atenção às vítimas, inclusive dos outros, distante.

Em tempos de medo e angústia, não apenas emergem tensões fraternas e solidárias. Na emergência, os indiferentes parecem estar se saindo melhor, dizem antropólogos e psicólogos de crise. A mesma Zambrano em L’agonia dell’Europa observa que "cada desastre permite que as pessoas se manifestem em sua crua realidade: é instrumento de revelação". Também revela a força do ressentimento, da separação do outro. Contudo, a partir daí, também se revela como o homem (e ela fala justamente do homem europeu) seja uma criatura à qual não basta nascer apenas uma vez: pode, aliás, "precisa ser reconcebido", a esperança é "o seu último recurso", o novo nascimento.

Ainda temos que pensar, sentir a experiência que a vida está desenhando dentro de nós, entre nós, em nosso tempo. Ter cuidado, devemos ter cuidado: "a educação à atenção é a coisa mais importante", escrevia Simone Weil; e novamente “o que é a cultura? Educação à atenção". Em primeiro lugar, atenção ao desventurado".

Existem experiências que podem ser despertares. Experiências limites, não imaginadas e de escolha, de intuição cognitiva e de conversão, e duram uma passagem. Para abrir um novo início, aquela passagem deve se tornar uma soleira, que introduza a uma nova viagem, sustentada pela esperança de "algo a mais", de um novo começo.







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