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Sergio Vieira de Mello, um brasileiro para nos orgulharmos

Por Sônia Araripe, Editora de Plurale

Acaba de ser lançado no Netflix o filme “Sergio”, sobre a história verdadeira do brasileiro - carioca da gema - Sergio Vieira de Mello (1948-2003). Ele chegou ao cargo de Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU , trabalhando como emissário para tentar resolver confrontos em regiões de guerra deflagradas , como Ruanda, Líbano, Cambodia , Kosovo, Timor Leste e Iraque .
O filme mostra toda a narrativa da vida real e também o incrível talento diplomático de Sergio nestas situações de conflito - muitas vezes com lideranças sanguinárias . É história com H maiúsculo.
A produção tem ponto alto em Wagner Moura, um artista sensacional emprestando seu talento para compor o charme e emoção de Sergio. Ficaram até parecidos , embora o verdadeiro fosse bem mais bonito e charmoso. Outro destaque é a história de amor de Sergio e a linda economista argentina Carolina , que conheceu no Timor Leste quando ela trabalhava também para a ONU com microcrédito e empoderamento feminino.
Muito não contarei para que cada um veja o filme e sinta a emoção desta história. Estão lá os dois filhos dele com a primeira esposa, a francesa Annie, a mãe - D Gilda - e todo o “caldo” que as histórias verdadeiras sempre tem.
Ana de Armas , como Carolina , está também irrepreensível . O público é levado a entender a missão de Sergio, pelas regiões deflagradas de missões, embora as gravações não tenham sido exatamente nos lugares por onde eles passaram - as filmagens aconteceram na Tailândia e Jordânia. A cena com uma mulher real do Timor Leste, "Senhorinha", é uma das mais poéticas de toda a narrativa. Ajudam a compor o roteiro cenas do tão amado Rio de Janeiro - onde Sergio nasceu e viveu a adolescência - , takes verdadeiros de telejornais da época e gravações deixadas por Sergio para os arquivos da ONU na voz de Moura.
Apesar de ter sido criticado por alguns especialistas - por ter "glamuralizado" e "romantizado" a vida do brasileiro com tantos ingredientes políticos e de Relações Internacionais - gostamos do filme nem tanto pelo lado romãntico, mas principalmente por ter destacado a história e trajetória de Vieira de Mello. Como toda narrativa, há pontos em branco e vagos, como o que traz um suposto conflito com o líder da guerrilha, depois tendo assumido o Timor Leste, Xanana Gusmão e a informação que teria sido colega na Sorbonne do sanguinário líder do Khmer Vermelho, no Cambodja, Ieng Sary (eles teriam se conhecido sim, mas não foram contemporêneos na Universidade francesa). Informações que parecem não serem amparadas na vida real. Mas, dando como desconto o lado da ficção, estão lá as suas crenças, anseios e lutas.
Estão lá também as intrigas e políticas do xadrez internacional tendo a ONU, o Governo de George W. Bush e a Coalizão de países ricos. Quem gostar e quiser conhecer mais a sua biografia, recomendamos o Documentário "O homem que queria salvar o mundo", do mesmo Diretor, Greg Barker, e o livro biográfico pela premiada jornalista americana Samantha Power, com o mesmo nome, que deu origem ao documentário e também serviu de base para o filme de agora da Netflix.
Como muitos sabem, tive o privilégio de fazer a última grande entrevista com Sergio (ele não gostava de aparecer e dar entrevistas ) publicada no Jornal do Brasil de melhores épocas, em um domingo de agosto, somente um dia antes do atentado fatal em Bagdá.
Assisti com a respiração entrecortada e coração apertado . Foi como reviver aqueles dias.
Em tempos de tão pouco para nos orgulharmos, de poucos herois de verdade, Sergio é, sem dúvida, um brasileiro para reverenciarmos.
Principais trechos da entrevista com Sergio Vieira de Mello em agosto de 2003
“Gosto do que faço. Acho que tenho uma missão no mundo.”
“Não fiz prova para o Itamaraty por um motivo forte. Cassaram meu pai em 1969. Não faria sentido seguir essa carreira.”
“Tenho duas garantias, dois coletes à prova de bala, digamos assim. Deus é brasileiro e procuro estabelecer boas relações com todas as partes envolvidas no conflito.”
“Faço meu trabalho tranqüilamente. Não sou um aventureiro, um caubói. Tomo precauções. Tenho cuidado. Apesar das missões que já realizei, cá estou. Passei perto de situações críticas. Devo ter nascido sob uma estrela favorável.”
“O importante em nosso trabalho, o essencial para ser considerado um verdadeiro parceiro, independente e imparcial, é justamente estar aberto ao diálogo com o leque completo da sociedade. Inclusive daquelas forças do mal. É nesse diálogo que vamos nos transformando em uma espécie de ponte, de elo, de laço.”

“Reconstruir o Iraque é um trabalho de andar para frente e para trás, todos os dias. Há sabotagens nas obras que estão sendo feitas na rede elétrica e em todo o país. Bagdá ainda é um lugar muito perigoso. Ninguém passeia aqui. Há assaltos e crimes.”






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1 comentário | Comente

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22/04/2020 20:02
Só de ler, já deu ainda mais vontade de ver o filme! Sergio Vieira de Mello faz falta ao nosso mundo.