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EXCLUSIVO - #EnelFocusOn - Recuperação verde na Europa pode transformar a crise pós-Covid em oportunidade

Webinar #EnelFocusOn traz debate sobre o tema com a Professora norte-americana Stephanie Kelton, da Universidade de Stony Brook

Por Sônia Araripe, Editora-Chefe de Plurale

Do Rio de Janeiro

Como sempre reforça o provérbio chinês, uma crise pode trazer, também, uma oportunidade. Especialistas em Sustentabilidade e Energias Renováveis participaram nesta segunda-feira, dia 6 de julho, da webinar #EnelFocusOn, para dialogar sobre a chamada recuperação verde. Na Europa, vários países estão discutindo pacotes de ações e incentivos a investimentos renováveis para acelerar o processo de migração para a economia de baixo carbono, como em transportes e também em energia verde. A principal palestrante foi a economista norte-americana Stephanie Kelton, Professora da Universidade de Stony Brook, localizada em Nova York, que interagiu com os moderadores e com o CEO da Enel Green Power, Antonio Cammisecra, empresa do Grupo Enel com foco nos investimentos em energias renováveis, como hidrelétrica, eólica e solar, inclusive no Brasil. Hidrogênio é outra aposta da empresa, mas ainda não em investimento no Brasil.

Stephanie Kelton é hoje uma das principais defensoras da “Teoria Monetária Moderna”, com livro (ainda não editado no Brasil), que é considerado um "best-seller", uma nova forma de abordar e estudar a economia. Foi assessora econômica da campanha de Bernie Sanders e é considerada uma das principais vozes no debate econômico atual, alertando que a pandemia tem impacto severo não só para vidas, mas também impactará muitas das ideias do pensamento econômico liberal. Ela defende a recuperação global baseada na economia sustentável, no que está sendo chamado de New Green Deal.

A moderação do webinar foi realizada por Isabella Panizza, Head de Mídias Digitais no Grupo Enel, em Roma. Ela explicou que, tradicionalmente, este tipo de encontro estratégico é feito presencialmente a cada vez em um diferente país, mas, por conta da pandemia, esta 17ª rodada está sendo realizada em formato digital pela primeira vez.

Na sequência, foi a vez do CEO da Enel Green Power, Antonio Cammisecra (foto), alertando que "há um risco na urgência da recuperação que o setor privado diga “não é a hora de gastar dinheiro e cérebro em energia verde, sustentável porque estamos no modo sobrevivência, vamos botar de lado e pensar no que é importante.Seria um erro traumático porque colocaria de lado a aceleração no caminho da sustentabilidade."

Cammisecra reforçou que atualmente, "todo mundo quer um aliado, quer o hidrogênio, quer eletrizar os motores". Mas destacou - em sua fala no webinar - ser preciso lembrar que "o hidrogênio ajuda a sustentabilidade porque é renovável, limpo e verde". Agora, continuou o CEO da Enel Green Power, há uma discussão, principalmente na Europa, sobre como o hidrogênio é importante setor que ajudará na recuperação da transição. "É muito importante focar que a recuperação verde é o único caminho. É rapidamente aplicável. Você vai fechar usinas de carvão e subsidiar a energia verde em todos os lugares do mundo. Minha mensagem é que é importante não esquecer o foco que nós representamos a solução tecnológica para o mundo, mas também o setor mais fácil e rápido de se criar trabalhos, oportunidades econômicas", destacou Cammisecra.

Perguntado por Sônia Araripe, de Plurale, sobre os investimentos da Enel Green Power na América do Sul no cenário pós-pandemia, Cammisecra respondeu “Será uma oportunidade para energia verde, a América Latina precisa de energia verde. Assim que a pandemia estiver sobre controle, não há dúvidas de que haverá o retorno de investimento na recuperação verde” A Enel Green Power não tem investimentos em hidrogênio no Brasil.

Especialistas em Sustentabilidade e Energias Renováveis participaram da webinar remotamente - em segurança, cada um de sua casa - interagindo com os dois palestrantes: o professor Stefano Pogutz, da Universidade de Bocconi; a Editora-Chefe de Plurale, jornalista Sônia Araripe; Kelly Speakes-Backman, da Associação de Armazenamento de Energia dos EUA e Pablo Bustamante, diretor da Geocyl, da Espanha, especializada em Consultoria Sustentável.

Apresentação de Stefanie Kelton no webinar #EnelFocusOn

"Eu vou começar fazer uma metáfora esportiva. Vamos pensar em hóquei no gelo e o que os melhores jogadores fazem. Eles não patinam para onde o disco está, ele deslizam para onde o disco se encaminha. E eu acredito que Enel fez exatamente isso. Vocês são uma companhia que viram desde cedo onde as coisas se encaminhavam e vocês se encaminharam para lá. E, por isso, vocês são líderes na produção de energia limpa. Essa crise nos dá uma oportunidade. Nós tivemos uma oportunidade na crise financeira de 2008, eu acredito que nós não aproveitamos. Agora nós temos uma nova chance. Alguns acreditam que não é possível ganhar tanto empregos quanto na área de impacto climático. Eu acho que eles estão errado. É um momento para agir, para ser ousado, para se reconstruir de maneira forte, para garantir o nosso futuro coletivo neste planeta. E para fazer isso, para desencadear a Revolução Verde, nós precisamos investir de escala improcedente em tecnologia verde e renovável e temos que fazer isso de maneira que não deixe ninguém para trás. Antes do coronavírus, tínhamos políticos colocando em pauta propostas climáticas que pela primeira vez eram em escala compatíveis com o desafio que enfrentamos, tanto na Europa como nos EUA, pedidos de um Green New Deal, que inclui aspectos-chaves da Revolução Verde que falamos hoje.

O Green New Deal é uma metáfora de ideais e ideias que continham no New Deal original, de Roosevelt aqui nos EUA, incluem proteger trabalhos, lidar com a crise que lidamos. A proposta mais ambiciosa foi um plano de 116 trilhões para transformar a economia americana, não só energia, mas fazer tudo verde e sustentável, incluindo habitação, transportes e agricultura. Críticos claro disseram que seria muito difícil, que custaria muito, que cortariam trabalhos, que seria necessário muito sacrifício, que nunca apoiaram. E aí veio o coronavírus.

Agora tentamos solucionar esse problema coletivo achatando a curva em todos os países e isso exigiu enorme sacrifício e você viu que as pessoas fizeram sacrifícios. Nos custou empregos, mas muitos governos mostraram que proteger trabalhos mesmo lutando contra o coronavírus. Então nós estamos gastando trilhões de dólares, estamos sacrificando e estamos lidando com perdas de empregos e estamos indo bem em algumas partes do mundo. Nós viveremos com a Covid-19 até a vacina. Muitos países estão prontos, outros ainda lutam para controlar o vírus. Assim como estamos lutando juntos contra o vírus, nós precisamos lutar contra o aquecimento do planeta juntos. Do mesmo jeito que haverá pouco benefício se apenas um país controlar o coronavírus nas suas fronteiros, fará pouco efeito se um país apenas atingir zero emissão de carbono. Covid e clima são exemplos de um problema coletivo. Só podem ser resolvidos por esforços coletivos numa escala global. Nós temos que ouvir os cientistas sobre o coronavírus e sobre o aquecimento do planeta. Temos que nos unir e apoiar a ciência para que se torne prática.

Países ricos têm uma responsabilidade de investir recursos para lutar contra mudanças climáticas, financiar países que estão na linha de frente mas não causaram a crise. Os países industrializados como os EUA estão poluindo há um século e esses países têm uma responsabilidade de investir os países pobres para que esses países possam ter energia verde. Países ricos têm a responsabilidade de ajudar países a se desenvolverem para manter o petróleo no solo, o carvão nas minas e as florestas intactas. Tem que haver um fundo climático. Essa transformação vai exigir um comprometimento financeiro da esfera pública. Agora que gastamos trilhões com a COVID, haverá pessoas que nos dirão que não há mais dinheiro para salvar o planeta. Isso não é verdade para a maioria dos líderes políticos.

Para onde iremos? Se nós reconstruiremos tudo, por que não construir uma economia justa ao mesmo tempo. Muitos problemas que enfrentamos estão ligados. Não é apenas um uma crise climática, há uma crise igualitária, uma crise de racismo em muitos países. Nós temos que olhar diferente ao que olhamos no passado. Governos têm que ser protagonistas. O lado positivo é que COVID nos fez ver o governo como parte da solução. A crença nas instituições é vital para se dar a Revolução Verde. E companhias como a Enel vão ter muitas oportunidades e muito potencial para escalar/aumentar se conseguirmos colocarmos os líderes mundiais alinhados em um esforço coordenado para salvar o planeta."







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2 comentários | Comente

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Nelson Tucci |
Parabéns pela participação nesta roda de conversa. É sempre bem-vinda uma iniciativa do exterior, até para termos parâmetros de comparação e absorvermos algumas ideias e tendências. Mas ao final eu me perguntei, aqui, em voz alta: será possível uma revolução verde, de fato, tendo como mandatários Donald Trump e Jair Bolsonaro?

06/07/2020 19:45
É um alento saber que aumenta o número de empresários que pensam além, vendo que podem continuar lucrando sem destruir tudo a volta. Gostaria de acreditar que chegará um tempo em que as riquezas naturais serão deixadas onde estão, protegidas da exploração/ganância humana, como sugere o palestrante.