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AGOSTO DOURADO e a importância do aleitamento materno

Por Priscila Ribeiro, Nutricionista

Colunista de Plurale

O mês de agosto é conhecido como Agosto Dourado por simbolizar a luta pelo incentivo à amamentação. O mês do Aleitamento Materno no Brasil foi instituído pela Lei nº 13.435/2.017 que determina que, no decorrer desse mês, serão intensificadas ações intersetoriais de conscientização e esclarecimento sobre a importância do aleitamento materno.

Até 17 de agosto temos também a celebração da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM). A história da SMAM teve início em 1990, num encontro da Organização Mundial de Saúde com a UNICEF, momento em que foi gerado um documento conhecido como “Declaração de Innocenti”. Para cumprir os compromissos assumidos pelos países após a assinatura deste documento, em 1991 foi fundada a Aliança Mundial de Ação Pró-Amamentação (WABA, sigla em inglês). Em 1992, a WABA criou a Semana Mundial de Aleitamento Materno e, todos os anos, define um tema a ser explorado e lança materiais que são traduzidos em 14 idiomas com a participação de cerca de 120 países.

Para 2020, o tema definido foi "Apoie o aleitamento materno para um planeta mais saudável" e tem como principais objetivos:

INFORMAR pessoas sobre as ligações entre a amamentação e o ambiente/mudanças climáticas. A amamentação é um excelente exemplo das profundas conexões entre a saúde humana e os ecossistemas da natureza;

FIXAR a amamentação como uma decisão climática inteligente. O aleitamento materno é natural, renovável e ambientalmente seguro;

ENVOLVER-SE com indivíduos e organizações para obter maior impacto. Proteger, promover e apoiar a amamentação aborda as desigualdades que impedem o desenvolvimento sustentável;

ESTIMULAR ações para melhorar a saúde do planeta e das pessoas através da amamentação.

A escolha desse tema está relacionada a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (Agenda for Sustainable Development) que é um plano de ação para pessoas, planeta e economia sem destruição da natureza.

Os benefícios da amamentação extrapolam a relação mãe e filho e beneficiam todo planeta. A amamentação é capaz de reduzir até 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de 5 anos e, a cada ano que a mulher amamenta, o risco de desenvolver câncer de mama reduz em 6%. A amamentação também diminui os custos com tratamentos nos sistemas de saúde e ajuda a combater a fome e a desnutrição em todas as suas formas, bem como garante a segurança alimentar de crianças por todo o mundo. Crianças amamentadas têm menos alergias, infecções, diarreias, doenças respiratórias e otites, além de menores chances de desenvolver obesidades e diabetes tipo 2; assim como possuem melhor desempenho em testes de inteligência e se transformam em adultos mais saudáveis e produtivos.

O leite materno é considerado o “padrão ouro” da alimentação, é o alimento mais completo para o bebê e tem tudo que ele precisa para se desenvolver de forma saudável até os seis meses de vida. A partir dos seis meses, a orientação é para que o bebê continue mamando até os dois anos ou mais e seja introduzida a alimentação complementar saudável.

Quando uma mãe mantém a Amamentação exclusiva, ela beneficia o lactente, ela mesma e o meio ambiente, porque o leite materno é um valioso recurso natural renovável, ambientalmente seguro e ecológico, pois é produzido com o mínimo de poluição, embalagem ou desperdício.

A produção de leite de vaca, em pó ou in natura - oferecido ao lactente como fórmulas infantis - impõe a pecuária de extensão e o consequente desmatamento de nossas florestas. Sem contar no desnecessário gasto energético e de recursos, na enorme produção de lixo e na liberação de toxinas e gases poluentes na atmosfera consequentes da fabricação de bicos, mamadeiras, chupetas e de outros produtos (muitas vezes não recicláveis e não biodegradáveis) utilizados nas embalagens deste tipo de alimento. Para se ter uma ideia, são necessários 4.000 litros de água para produzir apenas 1 kg de leite em pó, quando se considera toda a cadeia alimentar.

Em recente estudo do Ministério da Saúde sobre Alimentação e Nutrição Infantil, foi observado que os índices de aleitamento materno estão aumentando no Brasil. Foram avaliadas 14.505 crianças menores de cinco anos entre fevereiro de 2019 e março de 2020. Mais da metade (53%) das crianças brasileiras continua sendo amamentada no primeiro ano de vida. Entre as menores de seis meses o índice de amamentação exclusiva é de 45,7%.

AMAMENTAÇÃO E A COVID-19

Diante do atual cenário que estamos vivendo é importante ressaltar a ausência de constatações científicas significativas sobre a transmissão do coronavírus por meio do leite materno. Com isso, não há recomendação para a suspensão do aleitamento materno na transmissão deste e de outros vírus respiratórios. Nestes casos, a amamentação deve ocorrer desde que a mãe deseje e esteja em condições clínicas adequadas para fazê-lo, já que os benefícios para o bebê e para a mãe superam os riscos

No caso das mães que tenham confirmação ou estejam com suspeita de Covid-19 que não puderem ou não quiserem amamentar, devem ser orientadas por profissionais de saúde a realizarem a extração do leite materno manualmente ou por bomba. O leite materno retirado deve ser ofertado à criança de preferência usando um copo e/ou colher limpos (pela facilidade na limpeza) pela própria mãe, se assim ela desejar e tiver condições clínicas para isso ou por uma pessoa que não tenha sinais ou sintomas de doença e com quem o bebê se sinta confortável.

Antes de qualquer decisão, a mulher deve procurar profissionais de saúde para obter orientações sobre os cuidados necessários para manter a amamentação no período da infecção pelo vírus.







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1 comentário | Comente

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Sonia Ribeiro |
Que matéria linda! Importante, esclarecedora e emocionante! Bom saber que os índices de aleitamento materno estão aumentando no Brasil. Amamentar é tudo de bom e ainda traz benefícios para um planeta mais saudável? Ficou perfeito! Que sejam cumpridas todas as ações para o sucesso dos programas e conscientização de todos os envolvidos. Muito interessante tbm a parte sobre Amamentação e a Covid. Uma realidade que nos assusta, mas existe e precisamos encarar com coragem. Parabéns, Priscila !