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Maior produção de arroz orgânico da América Latina é do MST

MST estima colher 312 mil sacas este ano
Foto Alexandre Garcia

Por Maiara Rauber
Da Página do MST


Agronegócio. Modelo de produção responsável por contaminar o meio ambiente e colocar o Brasil no topo dos países que mais consomem veneno no mundo. Só no ano passado, o governo Bolsonaro liberou ao mercado mais de 500 produtos maléficos à saúde.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) faz o contraponto ao investir na agroecologia e colocar o país na posição de um dos maiores produtores de arroz orgânico.

O cultivo ocorre há mais de 20 anos, quando um grupo de assentados da Reforma Agrária se propôs a realizar uma nova forma de produzir. A experiência resumiu-se em trabalhar com o alimento na base agroecológica.

Foto Alexandre Garcia

Os assentamentos da região Metropolitana de Porto Alegre foram os primeiros a plantar arroz orgânico. Mais tarde, outras áreas da Reforma Agrária no estado também começaram a se organizar por meio da cooperação para produzirem o alimento. Isso tornou o Movimento o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, segundo o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Inicialmente as famílias Sem Terra receberam auxílio da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), da Cooperativa de Produção Agropecuária dos Assentados de Tapes (Coopat) e da Cooperativa de Produção Agropecuária Nova Santa Rita (Coopan), todas do MST.

As cooperativas disponibilizaram aos assentados máquinas agrícolas e assistência técnica para viabilizar o cultivo. O modelo produtivo passou a gerar distribuição de renda e integração social e econômica entre as famílias, que hoje também se organizam através do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico.

Mais de 360 famílias envolvidas

De acordo com Celso Alves, coordenador do Setor de Grãos da Cootap, na safra 2019/2020 os camponeses estimam colher 312 mil sacas de arroz orgânico em 3.215 hectares. A produção é de 364 famílias, de 14 assentamentos, situadas em 11 municípios gaúchos. O alimento é produzido nas regiões Sul, Centro-Sul, Metropolitana e Fronteira Oeste.

Os Sem Terra se organizam atualmente em oito empresas sociais: Cooperativa de Produção Agropecuária de Charqueadas (Copac); Cooperativa de Produção Agropecuária Sete de Julho (Coopal); Cooperativa dos Produtores Orgânicos da Reforma Agrária de Viamão (Coperav); Cooperativa dos Trabalhadores da Reforma Agrária Terra Livre (Terra Livre), Cooperativa Central dos Assentamentos da Reforma Agrária do Rio Grande do Sul (Coceargs), Cootap, Coopat e Coopan.

Juntos cultivam principalmente o arroz orgânico agulhinha e cateto. Após a colheita, no beneficiamento industrial, os grãos passam por um processo e se transformam em mais opções para o consumidor. O agulhinha vira arroz branco polido, parboilizado e integral. Já o cateto se divide em branco e integral.

Agroecologia é um modo de vida

Mobilizar, organizar, formar e motivar os assentados é o que guia as ações do Grupo Gestor do Arroz Agroecológico, conforme Emerson Giacomelli, presidente da Cootap. Por meio dele, os camponeses se reúnem e são incentivados a compartilharem experiências. Isso ocorre desde a sua constituição, em 2002. Esse processo resultou, e ainda resulta, em avanços na cadeia produtiva de arroz orgânico do MST.

Giacomelli defende a organização coletiva para consolidar alternativas ao agronegócio. Ele explica que trabalhar com a agroecologia é estabelecer relações de respeito e integração entre os seres humanos e os recursos naturais.

“Nossa produção é feita com técnicas que estimulam a fertilidade e o cultivo de alimentos saudáveis, o que gera mais qualidade de vida aos produtores e consumidores e renda às famílias”, complementa.

O presidente acrescenta que o modelo agroecológico é uma opção de vida para as famílias assentadas. Trabalhar dessa forma, além de dar autonomia ao camponês, é também fazer relação com a sociedade, conquistar políticas públicas e fortalecer o Movimento.

Arroz do MST e sua nova identidade
Foto Patrícia Campos

Nelson Krupinski, coordenador comercial da Cootap, salienta que o arroz da Reforma Agrária vai para várias partes do Brasil e do mundo. Os Sem Terra participam de programas que incluem a produção dos assentamentos, o que abrange o Distrito Federal e vários estados, como RS, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e Alagoas.

Os produtos certificados do MST chegam a escolas públicas através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Já pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que é comercializado junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o arroz orgânico está incluso na cesta básica que já foi entregue a milhares de famílias em situação de vulnerabilidade. A obtenção do alimento também é feita por hospitais, universidades, institutos federais, Forças Armadas e o Exército Brasileiro.

Festa da Colheita do Arroz Agroecológico

Nos primeiros anos de cultivo, os assentados se reuniam anualmente para compartilhar seus conhecimentos sobre o arroz orgânico, por meio de um seminário. “Reuníamos alguns agricultores para fazermos umas avaliações. Realizávamos debates sobre um determinado tema e finalizávamos com um almoço”, lembra Giacomelli.

Essa atividade logo cresceu e os agricultores entenderam a importância de organizar um evento que dialogasse também com a sociedade. No ano de 2002 ocorreu a 1ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico, com o objetivo de celebrar a produção e ao, mesmo tempo, fazer o contraponto ao modelo convencional.

“A festa do arroz orgânico foi um processo de amadurecimento e de aprendizagem. Se tornou um momento para celebrarmos com os companheiros e as companheiras e trocarmos experiências”, pontua Giacomelli.

Neste ano, no dia 20 de março, aconteceria a 17ª Festa da Colheita do Arroz Agroecológico no Assentamento Capela, em Nova Santa Rita, com a presença dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. No entanto, o evento foi suspenso por tempo indeterminado, devido ao aumento de casos do novo Coronavírus (Covid-19) no estado e no país.

Etapas da produção de arroz orgânico

1ª etapa – Drenagem da área e incorporação da palha da colheita anterior, para acelerar a decomposição e renovação do material orgânico;

2ª etapa – Preparo do solo, com incorporação do material orgânico, aeração do solo, eliminação de insetos e doenças, controle das plantas indesejadas, correção dos desníveis da área e formação do lodo para receber a semente;

3ª etapa – Pré-germinação e plantio das sementes;

4ª etapa – Estabelecimento das lavouras, o que exige do agricultor conhecimento sobre a área plantada, eficiente sistema de irrigação e drenagem e decisão sobre uso da água;

5ª etapa – Colheita.







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