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ONU reconhece acolhimento a migrantes e refugiados

Por Nícia Ribas, de Plurale

Numa parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), o V Concurso Nacional de Teses de Doutorado e Dissertações de Mestrado da Cátedra Sérgio Vieira de Mello divulgou os três premiados em 2019 com teses de doutorados nas áreas de Letras (UFPR), Relações Internacionais (PUC-Rio) e Educação (USP).

A Agência da ONU para Refugiados no Brasil protege os refugiados e busca soluções para seus problemas: “ele dispõe da proteção do governo brasileiro e pode, portanto, obter documentos, trabalhar, estudar e exercer os mesmos direitos que qualquer cidadão estrangeiro legalizado no país”, diz em seu site. O Brasil é internacionalmente reconhecido como um país acolhedor, entretanto aqui pessoas refugiadas também encontram dificuldades para se integrar à sociedade brasileira.

Plurale conversou com uma das premiadas (com menção honrosa), Bruna Pupatto Ruano, 38 anos, graduada em Letras Português/Alemão pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com estágio na Université Grenoble Alpes, França. Atualmente é professora substituta no Departamento de Polonês, Alemão e Letras Clássicas do Curso de Letras da UFPR.

Feliz com o reconhecimento, Bruna contou à Plurale que trabalha com migrantes e refugiados desde 2013, quando participou da criação do projeto Português Brasileiro para Migração Humanitária (PBMIH): “O prêmio é importante principalmente pelo reconhecimento do nosso trabalho da UFPR dentro do campo das migrações e do refúgio. É um trabalho gigante, construído coletivamente e são muitos os envolvidos, alunos e professores das áreas de Direito, Letras, Psicologia, História, Sociologia, Informática, Medicina e Comunicação”.

Atualmente, a UFPR mantém um Programa de Extensão denominado Política Migratória e Universidade Brasileira (PMUB), que se concentra no tema dos fluxos migratórios contemporâneos. A iniciativa se insere no quadro institucional da UFPR e cumpre o estabelecido no Termo de Parceria firmado em 2013 com a ACNUR, estando inserida na Cátedra Sérgio Vieira de Mello.

Bruna trabalhou diretamente com migrantes e refugiados em sua tese: “O contato com eles foi essencial para o sucesso da pesquisa. Com alguns apliquei questionário, com outros realizei entrevistas individuais; e também formei um grupo focal sobre as suas experiências como migrantes e refugiados dentro da UFPR e essas diversas perspectivas contribuíram imensamente para que eu alcançasse os objetivos da minha tese. Acho que a contribuição do meu trabalho se dá, principalmente, para refletirmos sobre a (re)inserção de migrantes e refugiados nas universidades brasileiras. Além disso, é essencial pensarmos para além do acesso: quais condições/políticas/ações são necessárias para que, além de garantir o acesso às universidades para a população migrante e refugiada, possamos garantir a permanência desses alunos em nossas instituições e o sucesso ao final de sua trajetória acadêmica. Tento responder essas questões ao longo da tese.”

Segundo dados da ACNUR, o deslocamento forçado afeta mais de 1% da humanidade (uma em cada 97 pessoas), sendo que um número cada vez menor de pessoas forçadas a fugir consegue voltar para suas casas. Até o fim de 2019, 79,5 milhões de pessoas em todo o mundo foram forçadas a deixar suas casas. O deslocamento forçado praticamente dobrou na última década. O número de crianças deslocadas está entre 30 e 34 milhões, sendo dezenas de milhares desacompanhadas.

Demais premiados

O Concurso foi realizado no âmbito do X Seminário Nacional da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, avaliando 28 dissertações de mestrado e 14 teses de doutorado. Dentre as teses de doutorado, além de Bruna, com o trabalho Programa Reingresso UFPR – Aproveitamento de vagas remanescentes para a reinserção acadêmica de migrantes e refugiados: Ações de Acolhimento, , foram premiados André Luiz Morais Zuzarte Bravo com o tema Entre a “crise do refúgio” e a “crise das cidades”: uma análise sobre a inserção de refugiados no meio urbano, defendida no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio; e Giovanna Modé Magalhães , com o trabalho Entre muros e passagens. Imigração, refúgio e mobilidades no debate educativo, fragmentos do global ao local, defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de São Paulo.

Dentre as dissertações inscritas, as três selecionadas foram defendidas nas áreas do Direito, Arquitetura e Urbanismo e Serviço Social e tratam de diferentes temas do refúgio no âmbito de grandes centros urbanos. Os premiados pelas dissertações foram Daniel Bertolucci Torres, da Universidade de São Paulo; Natália da Cunha Cidade, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade da Federal do Rio de Janeiro; e Roberta Gomes Thomé do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da PUC-Rio.

Banca no dia da defesa da tese: Da esquerda para a direita: Bruna, Elias Ribeiro da Silva (UNIFAL), Leandro Rodrigues Alves Diniz (UFMG), Lúcia Peixoto Cherem (UFPR), Mariza Riva de Almeida (UFPR) e Lucia Maria de Assunção Barbosa (UnB).







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2 comentários | Comente

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Bruna Ruano |
Muitíssimo obrigada, Nícia! Ficamos todos muito felizes por aqui com a matéria e os comentários positivos! Grande abraço e bom final de semana para vcs, Bruna

Miguel Pachioni |
Oi Nicia, bom dia! Agradeço-lhe imensamente pelo retorno e parabenizo a equipe Plurale pelo excelente conteúdo! Grande abraço e seguimos em contato!