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Queimadas impedirão o Brasil de honrar o Acordo de Paris, conclui estudo da Unemat e Ufms publicado na Nature

Do Portal da UNEMAT

Foto de Gustavo Figueiroa - SOS Pantanal - Porto Jofre (MT)

As florestas brasileiras estão queimando somente agora? Não. O Brasil sempre queimou suas florestas, campos e pastagens. As evidências são citadas no estudo liderado por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) que acaba de ser publicada na Nature Scientific Reports. O artigo, publicado na renomada revista científica de acesso aberto e com variados temas de ciências naturais e clínicas, pode ser acessado aqui.

Entre os anos de 1999 a 2018 os pesquisadores avaliaram os focos de calor em todos os seis biomas brasileiros (Pampa, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, Cerrado e Amazônia) e suas emissões, utilizando diversos dados provenientes de vários satélites, dentre eles o ATSR, TERRA, AQUA, GOES-13, NPP-375 e o NOAA-18. Com base nesses levantamentos os cientistas realizaram uma projeção para 2030 onde estimaram que o Brasil emitirá, naquele ano, 5,7 GtCO2 (gigatoneladas de dióxido de carbono) somente como resultado das queimadas. É importante considerar que pelo Acordo de Paris, em 2030, o Brasil precisa emitir apenas 1,2 Gt CO2 . Assim como vale lembrar que cada Gt corresponde a um bilhão de toneladas.

Segundo o professor da Unemat, Carlos Antonio da Silva Junior, doutor em Agronomia e autor principal da pesquisa, estes números impressionam e evidenciam a ausência de uma ampla política de combate aos incêndios no país que vem ocorrendo desde governos passados. “Além disso, demonstram que não conseguiremos atingir as metas do Acordo Climático de Paris”, reforçou o professor.

Paulo Eduardo Teodoro, doutor em Genética e Melhoramento e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), lembra que o estudo não avaliou os anos de 2019 e 2020 uma vez que a pesquisa foi realizada a partir do segundo semestre de 2018 e encerrada no primeiro semestre de 2019. “Mas os anos de 2019 e 2020 provavelmente estarão contribuindo para deixar o Brasil em uma posição cada vez mais distante do Acordo internacional”, considerou Teodoro.

A pesquisa ainda contou com cientistas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e da Université Rennes 2 (França).

Acordo de Paris – O Acordo de Paris aprovado, em 1992, por 195 países que participam da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) no contexto do desenvolvimento sustentável estabelece o compromisso de manter o aumento da temperatura média global em bem menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais e de envidar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.







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